The Man In The Mirror – Michael Jackson

 

 

E eu sigo tentando descobrir quem sou. Tento ainda entender o que desejo. Tento tantas coisas que nem sei muito bem ao certo se estou fazendo direito. Concordo entretanto, que nessa fase o correto é fazer, é tentar, é transformar. O correto é buscar e acreditar naquilo que se pensa ser certo. Mesmo que não seja. É necessário acreditar que realmente podemos fazer uma escolha viável e coerente.

Ainda não funciona comigo aquela coisa toda de auto ajuda. Olhar no espelho todo dia de manhã e dizer com seriedade e firmeza que o dia será bom. Conheço gente que faz isso e que até diz que funciona. Não é meu estilo. Dessa forma eu tenho que encontrar outras formas, busco a que funcionar comigo. Sessões de terapia, leituras variadas (auto ajuda não desce, eu até tento, mas não adianta), música e escrita.

Mesmo assim eu me vejo no espelho e procuro dados que me mostrem melhorias. Qualquer pequeno sinal que me demonstre mais autoconfiança, autoestima (a minha é baixa demais), coragem, mais alegria. Na verdade, eu busco sinais de equilíbrio, até aceito perder pontos em alguns lugares se eu puder levar esses pontos para outros.

Li num dos comentários do último texto que a gente é sempre um ser em eterna mutação. Confesso que durante muito tempo eu pensei assim. Que a gente acaba mudando o tempo todo, fica mais maduro com as experiências pelas quais passa e então começa a agir de outra forma, já que passa a atuar acreditando em outras verdades.  Confesso que é uma linha de pensamento bem interessante, mas hoje eu sigo outra.

Será que a gente muda mesmo? Eu hoje penso mais que a gente se descobre. Que com o tempo, vivendo mais, aprendendo mais sobre si mesmo a gente se torna cada vez mais verdadeiro. Até que chega um tempo em que a gente se torna realmente autêntico e por isso feliz. Quem consegue ser feliz mais cedo é porque se descobre mais cedo. Se reconhece com seus defeitos e suas qualidades e se dá por satisfeito em ser simplesmente quem é.

Até chegar nesse ponto a gente sonha em ser tanta coisa. Eu mesmo sonhei poder voar quando era pequeno. Sonhei em ser como um passarinho que consegue ir pra longe, pra bem longe e mesmo assim faz isso de modo belo e altivo. Cantando pra tentar demonstrar que o que leva pra longe não é medo, mas sim opção. Pena que se eu voasse nessa época, provavelmente voaria em silêncio. Se cantasse, a melodia não seria de altivez, mas de medo, não seria bela, seria feia, entristecida.

Depois eu quis ser tanta coisa. Algumas delas risíveis de se contar. Ai conheci as letras e os livros e sonhei ser escritor. Algo que de certa forma consegui, consigo fazer textos que me agradem, espero que de alguma forma agradem também a você que me empresta seu tempo e as vezes me lê.

E fui crescendo e querendo ser outras coisas, não que eu tenha abandonado os quereres antigos. Queria apenas aumentar minhas habilidades. Muitas vezes eu quis só aumentar o saber fazer já que pouco do saber sentir fez (ou atualmente faz) parte das minhas habilidades. É quase sempre assim, a gente foge daquilo que desconhece e se apega ao que nos faz parecer melhores.

É o que dizem meus amigos. É o que me aponta quem convive comigo. Sou quem faz, quem ajude, quem cria e modifica. Mas quem sabe realmente o que eu sinto? Quem sabe o que eu desejo? Eu não sei, eles não sabem. Por enquanto ninguém sabe.

Não posso entretanto ver isso apenas como algo ruim. Isso me faz tentar ser uma pessoa boa. Já que eu não sei o que busco, procuro agir de forma correta. Procuro ser bom, ser justo, ser honesto. Procuro ver o outro feliz e da sua felicidade procuro extrair coisas que me deixariam também feliz. Copio e aprendo com o sentimento do outro.

Faço do outro o meu espelho onde me vejo. Faço do espelho o livro de regras para saber o que fazer. E observo, observo e observo. Procuro entender onde está a tal felicidade. Onde está o prazer. Por mais maluco que isso possa parecer, é incrível o quanto eu cresci e sorri fazendo isso.

Foi preciso apenas aprender uma coisa sobre mim. Eu aprendi que tenho falhas. Aprendi que tenho medos e principalmente, aprendi a reconhecer alguns destes erros e destes medos. Percebi que tenho pontos mil onde melhorar. Busco avanços em cada um deles. Bastou humildade para entender que eu poderia aprender muita coisa com os “homens no espelho”.

Passaredo – Chico Buarque

Essa estação viu parte daquilo que quero retomar

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Existem dias mornos, dias ruins, dias bons. Ontem eu tive um dia quase perfeito. Uma espécie de volta no tempo. Um retorno a dias felizes com coisas simples. Talvez apenas a percepção de que o tempo passou, muita coisa mudou, mas também muita coisa permaneceu exatamente como sempre foi, isso é bom. Sinais de maturidade junto com sinais de que nem toda a alegria juvenil se foi, aliás, muito pelo contrário.

Menos do que os fatos, no caso de ontem importam muito mais as sensações. Menos do que as ações, as reações ontem é que foram importantes. Como aliás deveriam ser sempre. Claro que os nossos atos são importantes, mas mais do que isso, o que nos leva a agir de determinada forma. Vale o mesmo pras reações, nós fazemos as coisas também porque a forma como cada pessoa reage ao que fazemos importa para a gente.

Isso resume meu sábado. Coisas triviais ganharam peso pelo que trouxeram consigo. Tem um filme até antigo que retrata bem o que senti ontem. Já citei ele no blog antes. Comédia romântica bobinha mas divertida.  Feitiço do Tempo de 1993 com o Bill Murray e a Andie MacDowell. Na história um homem é obrigado a viver o mesmo dia eternamente até que conquiste verdadeiramente o amor da mulher que lhe chama a atenção.

Aqui não falo da conquista, mas sim do viver eternamente o mesmo dia. Justamente foi a sensação que eu tive ontem. Acho que todo mundo tem seus deja vus, infelizmente a maioria das situações em que isso ocorre são momentâneas e sem uma real ligação com um fato passado. Algo bem diferente do que eu vivi ontem.

Vivi fatos que eu consigo relembrar exatamente dia, hora e circunstâncias em que eu vivi esses mesmos fatos no passado. Justamente por isso é que foi um dia tão bom. Foi bom perceber que algumas coisas podem retornar e que eu sou capaz de fazer essas coisas. O melhor foi olhar para esses fatos com muito mais maturidade e também com muito mais confiança. Hoje posso dizer sem medo que não repetiria erros do passado e que principalmente sei como alterar algumas coisas que não consegui alterar no passado.

Por isso a música escolhida para o post. Além do composititor (Chico Buarque), o tema também remete ao passado. A um tempo em que eu reconhecia as aves pelo canto e que aprendia a viver coisas novas. Aprendia a entender coisas novas.

Hoje que esse período todo de aprendizagem faz parte do passado, as sensações são muito mais saborosas. Coisas simples como fazer comprar, carregar coisas, andar pelo mercado relembrando fatos distantes tornam tudo muito mais saboroso. Ainda mais por perceber que não sou mais o menino que já fui. Posso ser jovem, ou jovial, mas deixei de ser menino.

Tem um verso da música que até parece bem com o que eu sinto nessa história toda “O homem vem ai” Mesmo tendo um sentido diferente do dá música, é saboroso poder dizer isso com todas as letras, EU HOJE SOU ADULTO!!! Adulto a ponto de até admitir reviver não só um momento bom, mas de reviver todo o passado, só que com outro olhar, agora com maturidade e não mais com a ideia do eu preciso e sim pensando que eu quero reviver o passado porque eu posso fazer isso de maneira saudável e feliz. Eu posso retornar sem medo de viver.

Me resta agora apenas reconquistar totalmente esse passado, algo que posso falar que tentarei porque é justamente o que agora EU QUERO!!!