Aquarela do Brasil – Disney

tem coisas belas que só enxergamos em nossa terra, seja ela qual for…

Meu caminho mudou um pouco, pretendia seguir a linha do último post e partir para a ideia do gigante gentil (explico isso melhor no próximo post). Porém, ontem li um texto no blog da minha amiga Dona Flor (clique para ler) e resolvi trazer a brincadeira pra cá também. Quero falar um pouco do sentir-se pertencente a um país, a forma como cada um traduz o nacionalismo, a sua relação com seu povo.

Resumindo, a Flor (que se casou e hoje mora numa cidadezinha alemã) diz como se sente quando ouve alguém falar mal do Brasil. Na história dela o sentimento veio a partir de comentários depreciativos em relação a Venezuela, mas vale o raciocínio, aliás reitero, vale a pena ler a linha de raciocínio que ela seguiu.

Para embalar o post escolhi um desenho animado da Disney onde aparecem Aquarela do Brasil (que dá nome ao post) e Tico-Tico no fubá (clique para ver), com Zé Carioca e Pato Donald. Eu gosto muito desse desenho. Gosto das músicas que aparecem e confesso que apesar de todo um papo de visão imperialista, doutrinação e milhares de outros senãos que aparecem toda vez que se cita filmes como Saludos Amigos e Você já foi a Bahia, eu prefiro ficar com a imagem positiva.

Se tem uma coisa que eu gosto no meu povo é o seu jeito jocoso, a forma leve com que costumamos encarar todos os problemas é algo contagiante. É claro que isso as vezes é prejudicial e muitas vezes torna qualquer análise dos nossos problemas superficial demais, mas é a forma como o nosso povo lida. O jogo de cintura do brasileiro não é algo que aparece somente na música, aparece em todas as nossas ações. A busca por alegrias diversas e constantes faz parte da nossa cultura, mesmo que nunca as encontremos, vivemos para elas e em busca delas.

Outros povos possuem outras características e assim acabam vendo o mundo com seus olhos. Os julgamentos que todos fazemos de um povo variam de acordo com a forma como acreditamos ser a forma correta de levar a vida. Alguns povos são mais sérios, seguem organização restrita, outros acentuam sua fé, para outros sua cultura é motivo de orgulho. Alguns vendem sua história como o mais importante.

Assim julgamentos todos carregados de preconceitos são feitos a todo instante. Europeus acham o Brasil desorganizado, brasileiros dizem que os europeus são muito frios, norte-americanos são vistos como ignorantes em muitos aspectos e alguns grupos orientais como xenófobos. Esse tipo de comentário claramente irrita quem ouve e com toda razão. Afinal, o julgamento é feito (como disse anteriormente) com o olhar viciado pelo que a gente acredita ser o certo.

Temos que somar a isso o fato de que obviamente machuca quando alguém coloca o dedo em nossas feridas. Nós sabemos onde o nosso país tem que melhorar, quais são os grandes defeitos. Mas odiamos quando alguém chega e fala isso sem fazer parte do nosso povo. Afinal quem é esse gringo pra falar que o nosso país é sujo? Os caras nem tomam banho todo dia! Como alguém que mal diz bom dia pode reclamar da alegria do nosso povo? E coisas assim vale pra eles também. Como um brasileiro vai reclamar da dificuldade de comunicação de um alemão com a qualidade de ensino que oferecemos?

No fundo todos gostaríamos que os outros só vissem o nosso lado bom. Varrer a sujeira pra baixo do tapete quando as visitas chegam é infelizmente um costume mundial. Todos sonham em ver seus povos como perfeitos, mas no fundo todos sabem que perfeição não existe. Tem ainda outro lado nessa moeda. A glorificação do estrangeiro, aquele que notadamente acredita que a grama do vizinho é sempre mais verde, tudo do seu povo não presta.

Esse tipo de atitude me incomoda muito. Ouvir de brasileiros que meu país é um lixo, que meu povo não presta de gente que não mexe um dedo pra mudar a situação. Gente que só afirma que a solução seria o aeroporto, esquecendo que faz parte desse povo que diz ser ruim. Veja, eu falo de nacionalismo, não de ufanismo. Não quero apagar os defeitos da nação, quero que o nosso povo corrija esses defeitos. Não sou daqueles que prega apenas filmes nacionais, livros nacionais, música nacional. Acredito sim que a cultura do mundo está ai pra todo mundo conhecer, curtir e apreciar, mas não desvalorizo o que o nosso povo faz. Muito pelo contrário. Tenho orgulho de ser brasileiro e alguns brasileiros (como quem tenho citado nos últimos posts) me fazem ter orgulho de pertencer a esse povo.