Broken Heart – Eddie Vedder

 

 

As férias acabaram e já voltei aos meus alunos, ao ritmo corrido e a correria de sempre. Mesmo assim, ainda é tempo de digerir fatos ocorridos nas férias. Tempo de lembrar-se de um passeio e mil conversas. Tempo de lembrar-se de cada conversa e digerir o que levou cada uma delas a um caminho distinto e um mesmo final. A falsa impressão de vitória, coroada por uma derrota estranha e fria que de modo algum se explica.

Mas mais importante que a derrota é o clima e o que envolve tudo isso. É interessante como num mesmo ambiente, pessoas se relacionam o tempo todo em busca de algo. Cada um busca seu algo, aquilo que o complete naquele momento e pode ser oferecido pelo entorno. E mais divertido que isso é perceber que eu posso mais do que partir em busca de um único algo, correr atrás de diversos. Olho nos olhos de uma pessoa que me ensina, cobiço a pessoa que me encanta e tento me afastar daquela que me provoca asco.

Ai surge algo que incomoda. Essa coisa toda parece ser muito eu, eu, eu. A gente tem cada vez mais vivido dentro de uma realidade individualista. Importa o que eu desejo. Vale a luta pelo que eu quero. Pouco importa o desejo do outro. Pouco importa que alguém sofra se eu puder conseguir o meu objetivo. Vencer, vencer, vencer, mais do que um trecho do Hino do Flamengo se tornou mote da nossa sociedade que já passou do competitiva para se tornar mimada.

Porque competir não é exatamente buscar a vitória a qualquer custo. Competir é mostrar-se justo e equilibrado. É apresentar suas armas e defesas e enfrentar não um inimigo, mas sim um adversário que não precisa ser humilhado, mas sim celebrado, por dar mais valor a cada simples conquista.

O passeio foi rico dessas cenas. Caçadores desejando diversas caças. Pessoas, ideias, cargos e status cortejados das mais diversas formas, pelas mais diversas pessoas e com os mais diversos intentos. Cada um queria apenas sua própria vitória e a derrota e o escárnio do outro. Aliás, é engraçado como não se pensa no que o próximo vai sentir. Pode-se pisar em qualquer um a caminho de uma glória fútil, só pelo prazer de mostrar força, não me acostumo com isso na vida moderna.

Não digo que a gente deva abdicar do que deseja só para que outra pessoa não sofra. Isso seria se anular. Mas também não precisamos ir aos extremos de menino mimado que costumo ver com certa frequência por ai. Não existe mais um meio termo. Eu preciso vencer e isso já não me basta, devo no processo mostrar a todos o quanto sou superior, destruindo oponentes reais ou imaginários. Atrapalhando vitórias alheias só pelo prazer de demonstrar que nessa noite, a única vitória será minha.

Outra face dessa mesma história é voltar ao início e perceber que numa noite de lobos, cada um escolhe um tipo diferente de caça. Já não se caça mais em grupo. Não existe matilha. Não existe ajuda, nem mesmo quando dois lobos podem se ajudar a chegar na caça pretendida. Aliás, não se conversa mais, não se troca informações. Vale apenas a busca pelo que se quer. Porque cada um só se importa com o próprio desejo, independente do que essa busca cause ao que está ao redor. Não fui criado assim, sei de mais gente que pensa de forma similar e é esse tipo de pessoa que quero em minha vida, é esse tipo de pessoa que quero formar. Gente que se preocupa em não ferir os outros a toa e gente que sabe seu papel no mundo.