Smells Like Then Spirit – Nirvana

 

 

Domingo é dia de blogar. Quase perco o dia. Culpa da TV, estou agora vendo os jogos da NFL. O tempo as vezes passa rápido demais e a gente nem se dá conta disso. Ontem mesmo foi um dia assim. Fui aliás duplamente enganado pelo tempo. Uma reunião divertida com colegas da faculdade regada à pizza, risadas e lembranças.

O tempo pareceu nem ter sido acelerado. Enquanto nos divertíamos a sensação era de que tudo acontecia depressa demais. Tanto que mal percebemos o adiantado da hora e a dificuldade em sair do shopping devido a falta de organização do estacionamento. Mas nem é desse tempo que eu quero falar.

Já escrevi diversas vezes sobre a relação que eu tenho de amor e ódio com o tempo. Ontem as conversas me fizeram ter a sensação de que de alguma forma eu envelheci. Todo mundo envelhece, até ai nada demais. Nem é uma sensação ruim. Apenas me vi perdido no meio de toda uma revolução tecnológica e social e nem me dei conta da forma como as coisas mudaram em tão pouco tempo.

Na época em que conheci o pessoal com quem estive na pizzaria ontem eu era um moleque, nem 18 anos tinha ainda. Era tempo de música grunge. Smell Like Teen Spirit tocava em todas as rádios e se via pelas ruas vários jovens com camisas de flanela abertas em cima de uma camiseta de qualquer cor.

O cd engatinhava ainda. Era mais difícil escutar música, eu mesmo tinha a minha coleção de discos de vinil (vários deles ainda existem na casa dos meus pais). Comprados juntando grana sabe-se lá de onde. Meu primeiro cd, aliás, ganhei no amigo secreto realizado ao final do primeiro ano dessa turma na facu. Um vale cd que virou uma coletânea do Yes. Coletâneas eram moda entre os primeiros CDs comprados. Afinal eles eram caros demais e nem todo mundo tinha aparelho para tocá-los.

Conhecer novos sons também era algo estranho e difícil. A variedade das rádios era menor do que hoje, tinha só uma rádio que tocava rock, a 89. Era trocar fitas com colegas que trocavam com outros colegas até que aquela banda estranha chegava aos seus ouvidos e você gostava. Ai ir atrás dos discos era um capítulo a parte. Geralmente íamos para a Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Único lugar onde era possível encontrar alguns sons.

Nessa turma só um amigo tinha gosto musical similar ao meu. Cada um era de um canto da cidade, com uma história. Naquele tempo as pessoas de bairros diferentes não tinham tanto contato assim. A internet nem era algo popular. Na verdade era algo restrito as universidades. Nós mesmo só fomos ter acesso a internet no segundo ano da faculdade. Quando inauguraram a sala Pró-Aluno lá na Biologia.

Naquela época era internet discada em casa. Sempre usada depois da meia-noite para que a conta não ficasse tão alta. A velocidade absurdamente baixa. Aliás, abaixar ou ouvir uma música pela internet era algo impensado. Raramente era possível baixar os e-mails.

Nesse meio tempo todo, a internet se tornou popular (hoje até em celular temos internet). O CD nasceu e já praticamente morreu, as fitas de VHS foram substituídas por DVDs que hoje já começam a ser substituídos por Blu-Rays. Consigo conhecer sons de todo o mundo apenas fazendo uma busca pelo computador. Não existe mais a luta pelos lançamentos importados. Tudo está na rede. Conseguimos comprar só as músicas que quisermos ou em muitos casos isso nem é necessário, basta ter conexão a internet e ouvir tudo em sites como o Youtube.

O tempo passou, quase tudo realmente mudou, mudou a moeda, um presidente foi deposto, outros eleitos. Nós crescemos e vimos o mundo mudar e não percebemos. De certa forma até fizemos parte dessas mudanças. Pelo menos eu espero ter contribuído de alguma forma. Mas e nós? O que aconteceu conosco? Tirando os quilos a mais, os cabelos a menos, os olhos mais cansados e alguns cabelos brancos, tudo ficou igual. Por mais que o mundo tenha se movimentado. A alegria de ver todos é sempre a mesma. Ainda damos risadas das mesmas piadas sem graça de 18 anos atrás.

Perceber que o tempo passou, inclusive pra gente, mas que nem tudo mudou é o que nos deixa mais calmo com o envelhecer. A gente sabe que o tempo passa e as vezes machuca, mas também sabe que ele preserva algumas coisas que são essenciais para que a gente suporte tudo. Como a diversão de sentar com os amigos e rir de coisas que já ri mil vezes.