Good & Bad – Povo

 

 

Todo mundo tem dias bons e ruins. Todo mundo vê seu humor variar conforme as horas passam e nem por isso pode ser chamado de bipolar. Todo mundo vive fases perfeitas e fases tristes. Períodos que duram bem mais que as horas de um dia, muitas vezes duram mais que os meses de um ano. Tudo depende da forma como valoramos pequenas coisas do nosso cotidiano. Muitas vezes deixar um copo cair no chão pode estragar nossa semana e bater o carro pode apenas servir de motivo pra que no maior bom humor do mundo você passe a preferir andar de ônibus.

Isso pode parecer maluco, mas no fundo é o que realmente ocorre. Cada um lida de uma forma diferente com as suas vitórias e suas derrotas. Cada um sente de maneira diferente cada frustração e pior que isso. Cada momento da nossa vida traz consigo uma carga emocional própria que faz com que a gente enxergue o que se passa conosco de uma forma ou de outra.

Alguns são normalmente mais alegres, outros normalmente mais tristes. Eu infelizmente faço parte do segundo grupo. Daqueles que demoram mais pra comemorar as vitórias e que acabam irritados demais com as derrotas. Diga-se de passagem, vitórias e derrotas que todo mundo tem o tempo todo. Aqui não falo ou penso em nada absurdo.

Tenho meus objetivos meio fechados as vezes. Não sou muito de comemorar pequenas vitórias no caminho. Eu me prendo ao que realmente quero e busco isso. As vezes até pareço garoto mimado, mas garanto que não sou. Não sou assim tão inflexível, muito menos sou daqueles que costuma ter desejos impossíveis ou excessivos. Só ando numa fase em que parte dos desejos não se supre, e isso me incomoda. Isso me deixa até certo ponto vazio, porque eu sinto falta de coisas extremamente básicas para qualquer pessoa.

Claro que tenho meus momentos de conforto. Seria muito imbecil de não lembrar disso. Seria muita ingratidão e mentira deslavada dizer que não fiquei feliz com os cumprimentos de feliz aniversário. Principalmente os pastéis que vieram dos meus alunos. Sim, eles vieram pra aula trazendo pastéis e cantando parabéns, com certeza foi o melhor presente que eu poderia ter ganho em meu aniversário. Não só dos que trouxeram os pastéis, mas dos demais do grupo que entraram na brincadeira e a seu modo demonstraram todo o seu carinho.

Ok, as lágrimas não vieram, mas eu sinceramente me emocionei, os 3 pastéis que forçosamente comi (tá não tão forçosamente assim), serviram pra me fazer pensar em meu papel. E mais uma vez acentuaram essa dualidade alegria tristeza que permeia sempre o meu pensamento. Feliz pelo carinho demonstrado. Percebi que de certa forma eu faço diferença para eles, sou de alguma forma importante.

Por outro lado, veio junto a preocupação. Que tipo de exemplo eu sou? Que tipo de importância eu realmente tenho para eles? Será que eles se espelham justo nos meus defeitos? Será que algum deles pode achar que esse olhar triste que eu tenho do mundo é a melhor opção? Espero que não. Aliás, espero que eles se espelhem justamente naquilo que mais me demonstram. Espero que procurem buscar como exemplo a própria alegria que deixam escapar quando estão juntos, quando recebem novos amigos e os recebem de braços abertos, fazendo os novos parecerem antigos e o grupo todo ter ar de uma grande família, onde se ri, se chora, mas principalmente se cuida muito um do outro.

Podem pensar em como alguém que convive com essa gente pode se sentir vazio. Podem imaginar que eu reclamo de barriga cheia. De certa forma eu admito que realmente tenho muito. Ótimos amigos, ótimos alunos, ótimos leitores. Gente que me dá vontade de sempre tentar ser alguém melhor e de tentar produzir mais.

Acontece que muitas vezes o que me falta é o pessoal. Falta-me não o prazer em fazer pelo outro. Isso eu tenho e isso me motiva, afinal sou cercado por gente maravilhosa. Entretanto, eu sinto falta é do fazer por mim. De algumas conquistas meramente pessoais, coisas simples que todo mundo faz e que eu por motivos diversos acabo tendo uma dificuldade tremenda em conseguir fazer.

E isso que me faz muitas vezes parecer assim tão triste. Mas eu reitero que reconheço as coisas boas que acontecem comigo e com quem está ao meu redor. Tento apenas ser uma pessoa boa e acertar mais do que errar. Porque eu sei que sempre vão existir coisas boas e más acontecendo com todo mundo. E a graça toda do jogo da vida é equilibrar essas ações de tal forma que o alegre e o triste acabem formando uma doce melodia que serve de trilha sonora para a existência de cada um. Onde os acordes tristes e alegres se entrelaçam de um jeito altamente pessoal e cheio de improvisos, como se imagina uma boa banda de jazz. Por isso você lê o posto ao som de Povo, por isso vc lê o post ouvindo Good & Bad.