Starman – David Bowie

 

 

Pena que a noite está nublada, choveu o dia todo, aliás ontem também choveu, em algumas cidades choveu demais e gente morreu. Pena as nuvens carregadas no céu. Eu queria ver as estrelas. Queria hoje poder olhar pro infinito. Na verdade eu queria poder viajar pra bem longe. Muito longe. Até pra poder ver se consigo entender o que acontece nesse mundo louco onde eu sobrevivo.

Não posso reclamar da minha vida. Seria loucura fazer isso exatamente nesse momento. Entretanto, é estranho olhar ao redor e ver coisas acontecendo sem poder fazer nada. Quem nunca quis mudar o mundo? Quem nunca sonhou com um lugar melhor do que esse? Eu tenho dessas crises de tempos em tempos. Ai eu gosto de olhar pro céu, procurar as estrelas que eu conheço e me sentir viajando, buscando um novo mundo, um mundo perfeito.

Quando pequeno eu já olhava o céu procurando ajuda. Olhava o céu imaginando que alguém viria das estrelas resolver tudo de errado que eu via. Com o tempo perdi um pouco desse hábito, acho que nem meus pais devem se lembrar ou até saber que eu gostava de olhar as estrelas. Um hábito que acabei retomando nos últimos anos, muito por causa dos meus alunos. Agora não espero mais que venha um salvador de um planeta distante, mas gosto de ver a dança das estrelas durante a noite.

Me acalma ver Órion e Escorpião fugindo um do outro, ver a Lua, aparecer e sumir, diminuir e aumentar de tamanho. Aliás músicas aos montes falam do espaço, acho que nenhuma delas consegue expressar tudo o que eu sinto ao ver o céu. Um link que vi no facebook (e compartilhei) talvez se aproxime bastante do que eu imagino do céu Clique Aqui.

Eu sempre vi o céu como uma melodia especial. Tudo dançando no ritmo de um belo e audível som. Uma orquestra afinada e bem regida. Uma sinfonia eterna onde os os acordes nunca se repetem, porque nunca os corpos vão estar no mesmo lugar novamente. É uma música fluida e leve. Suave aos ouvidos. Que no fim das contas sempre encanta quem se presta a ouvi-la.

Acabei colocando Starman no post porque hoje eu queria que de novo viesse um ser do espaço. E porque eu adoro a música do David Bowie, mais do que a versão nacional Astronauta de Mármore (cantada pelo nenhum de nós).  A música me faz viajar, fico imaginando um ser vindo de um mundo distante e corrigindo tudo o que está errado por aqui.

Não penso num ser que deva ser adorado, seria muito mais fácil seguir uma religião se fosse esse o sonho. Penso num ser normal, só que com problemas diferentes, problemas que talvez a gente pudesse resolver enquanto ele resolve os nossos. Que ele venha de um mundo sem fome, sem doença, sem desemprego, sem burocracia, sem guerra, sem os nossos males. Em troca a gente poderia sei lá entregar pra ele a nossa boa música, a nossa poesia, a nossa arte. Aquilo que a gente tem de bom.

Aliás, é engraçado como eu acabo vendo o mundo meio dessa forma desde moleque. Sempre acreditei que era mais fácil resolver os problemas dos outros e que assim alguém me ajudaria a resolver os meus. Uma espécie de escambo emocional. Eu troco a resolução da briga que você teve com seus pais pela melhoria da minha auto estima. Maluco isso, eu sei, totalmente sem sentido. Mas era como essa criança pensava que tinha que ser o mundo. Pensando bem é assim que as coisas são vendidas pra gente durante quase toda a nossa infância.

Quando chega o Natal te perguntam se você foi um bom menino, várias religiões pregam que se você for bom será recompensado pela divindade do templo em questão. Quando você cresce passa a trocar o seu tempo no trabalho por dinheiro que será trocado por uma série de outras coisas.

É estranho como quase tudo pode ser visto como uma troca. Como raramente algo é totalmente livre de interesses. Mesmo que os nossos interesses mais básicos fora do âmbito biológico não passem de amor, carinho, amizade, companheirismo e principalmente paz. Aliás, até a paz acaba muitas vezes sendo comprada e negociada.

Por isso eu me refugio hoje olhando as estrelas. Pena que nem a lua está visível nessa noite. O jeito é tentar dormir, quem sabe durante o sono o homem do espaço aparece e traz com ele a cura pras doenças dos amigos e parentes, o emprego que falta pra quem tanto procura, alguém que aqueça os corações mais solitários ou pelo menos a paz necessária para que todos consigam passar por toda a dor que agora sentem de maneira mais tranqüila.