O Segundo Sol – Cássia Eller

 

 

Hoje de manhã fuçava no facebook e vi uma das atualizações da revista Galileu. Ela falava de uma descoberta interessante, um planeta distante que orbita duas estrelas. Além da clara referência a essa música (que confesso ter feito imediatamente. A outra grande referência a isso é o filme Guerra nas Estrelas, citada em todas as reportagens que li. Afinal, a família Skywalker vem de um planeta chamado Tatooine, que orbita um sistema binário como o desse novo planeta, formado por uma estrela amarela e uma vermelha.

Não vou entrar na piração científica aqui. É um assunto que eu adoro, mas sei que não é o forte desse meu blog. Talvez até seja o momento de abrir também um espaço para isso, quem sabe mais pra frente quando conseguir organizar melhor meu tempo. Porém, algo interessante surge dessa notícia. Na verdade dois pontos me chamaram a atenção. O primeiro é que muitas vezes a gente passa a vida toda acreditando que algo é de um jeito e de repente todas as nossas convicções vão por terra, sem nem pedir licença. A segunda tem a ver com o fato de que as vezes sonhamos coisas que achamos impossíveis e de repente elas acontecem como imaginamos.

Hoje fico restrito ao primeiro tema, semana que vem falo do segundo. Não que eu achasse impossível existir um planeta como esse encontrado. Na verdade achava até viável, mas conheço muita gente que nem acredita que o homem foi a lua e por mais argumentos que tenha a seu dispor, só vai acreditar se for numa viagem até lá.  Não os culpo, até porque eu sou semelhante a essas pessoas em algumas coisas. Preciso muitas vezes de provas consistentes para acreditar em algo.

E eu confesso que gosto de ver esses meus paradigmas quebrados, gosto da idéia de ser obrigado a recomeçar um pensamento que já não tem validade devido a novas informações. Não que eu goste do erro, confesso que detesto errar. Mas também não me importo em mudar de rumo, muitas vezes somos obrigados a mudanças e geralmente elas nos tornam mais fortes.

As vezes tudo ocorre de maneira veloz e rápida, quase traumática e a gente nunca esquece que mudou, sempre lembra o que aconteceu. Muitas vezes, porém, as mudanças acontecem de forma bastante lenta e demorada, como se a prisão da certeza fosse pouco a pouco sendo enferrujada até que a fechadura se quebra. Ou melhor, como se a cada instante a cela fosse ampliada, e de repente deixa-se de existir sem que a gente percebe-se que algo mudou.

Escrevo isso não só pela notícia, ou pela música, que aliás de certa forma trata do tema. Mas porque percebo que mudei alguns conceitos. Percebo que passei a acreditar em coisas diferentes e principalmente fui convencido de que algumas verdades que eu tinha como gerais, na verdade não passavam de verdades relativas, como qualquer outra e que só tinham validade porque me eram úteis por um período da minha vida. Agora mudo de paradigmas, mudo de linha de pensamento para poder seguir mais adiante.

A maior sacada da notícia é mostrar que não existem verdades absolutas, tudo depende do ponto de vista e principalmente o quanto você caminha vai depender daquilo que você acredita. No fundo é a sua verdade que te prende. Enquanto você consegue caminhar, vale a pena seguir uma verdade. Quando percebe que estagnou, está na hora de repensar o que é certo. Se um dogma te impede de seguir adiante, talvez seja o momento de rever o dogma, ou pelo menos entender de que forma ele te barra.

Se alguém me perguntar o que eu quero dizer com o ir adiante. Bom eu chamo o ir adiante de buscar seus sonhos, crescer o que quanto se quer na tentativa de ser feliz. Eu mudei, percebi que o que eu imaginava ser um cometa que me visitava muito raramente talvez possa ser outra coisa.

Percebi já a algum tempo que a estrela que eu orbitava não era uma estrelas, estrelas  emitem luz e a têm dentro de si. Eu orbitei ao redor de um falso astro que parece nunca teve luz própria, era um satélite que refletia a luz que lhe tocava, agora nem isso faz mais. Aponto a nave pra outro ponto do universo e tento descobrir exatamente onde devo orbitar.

Você já mudou de paradigma radicalmente ou de forma gradual? Quer contar a história?