A Small Victory – Faith No More

 

 

Fim de semana agitado e feliz. Fim de semana de dever cumprido. Fim de semana de orgulho e sensação de vez ou outra realmente caminhar do modo certo, pelo caminho certo, pela gente certa. Claro que a gente mais erra do que acerta, mas pode adormecer feliz quando os acertos parecem realmente vir à tona.

Fazia tempo que eu não tinha dias tão corridos. Fazia tempo que eu não tinha dias tão de certa forma plenos. Claro que não alcancei tudo o que quis. Claro que não resolvi os problemas do mundo. Na verdade nem os meus, mas ao menos pude vislumbrar momentos onde parece existir sim um caminho a ser seguido.

Engraçado como competições dizem tão pouco e tanto ao mesmo tempo. Pouco porque sinceramente, o ganhar e perder acabam dizendo menos sobre o processo todo do que as reações que se tem ao ver cada resultado.

Existem duas formas de ganhar, a inconsciente onde o resultado é apenas isso, um resultado vazio, decorrente da sorte e do acaso. Outra forma é a vitória consciente. Aquela onde a gente sabe porque ganhou ou mais do que isso, chega a duvidar da derrota por reconhecer algumas falhas no processo todo. Aquela que a gente vibra e comemora muito, mas que no íntimo sabe que poderia ser derrota. Sabe que teve gente que também competiu em alto nível e percebe que tudo veio positivo por detalhes. Foram assim do segundo modo as vitórias desse fim de semana.

Vale o mesmo pras derrotas. Nem todas são iguais. Tem aquelas naturais vindas da nossa total falta de preparo e empenho, as que nem causam mal estar, afinal no íntimo em momento algum se esperava algo. A gente sabe quando não merece. O outro tipo de derrota, muitas vezes tem sabor amargo. É amarga quando por fatores externos a gente não consegue fazer do jeito planejado e treinado. É amarga quando o acaso acaba atrapalhando. Noutro extremo, essa mesma derrota pode e deve ser vista como vitória. As vezes a gente perde porque o outro foi melhor, e mais importante do que isso, teve que ser melhor, pois a disputa foi intensa e a gente fez aquilo que se programou.

Pelo que eu vi nesse fim de semana, só ocorreram derrotas desse segundo tipo. Derrotas até amargas, mas no fundo com sabor de vitória e dever cumprido. Claro que poderia ter existido mais empenho em alguns momentos. Mais vontade, criatividade e uso melhor das habilidades de cada um. Mas ainda assim, o que foi feito foi honroso. Foi digno e pelo menos dentre os meus alunos, consigo afirmar feliz que a distância entre os vencedores e os teoricamente vencidos foi ínfima.

Me alegra mais ainda lembrar que as vitórias foram mais do que coletivas. Surgiram da ajuda de gente que soube competir com fair play imenso. Ajudou seu concorrente e o aplaudiu quando este foi chamado, porque o esforço dele refletiu também o seu em fazer o seu melhor. Se o melhor não fosse feito, com certeza teria outro ali para tomar o seu lugar, um correu nos calcanhares dos outros.

E isso foi só uma competição. Existiram mais duas. Cada participante deu seu máximo nelas também, a maioria disputou mais de uma e todos fizeram aquilo que se propuseram a fazer. Isso me dá orgulho, ver meus “atletas” fazendo o combinado. Fazendo o que podiam em suas “provas”.

Essa foi a minha pequena vitória. Esse é o motivo desse texto, bem mais desconexo que o normal. Bem mais direto e principalmente mal escrito. Mas bastante carregado de emoção. É só um obrigado a todos os que me proporcionaram esse cansativo fim de semana. Aos que me permitiram viver isso, aproveitando a correria boa, atirando em 3 frentes e conseguindo acertar os 3 alvos disponíveis.

Falling to Pieces – Faith No More

Quanto se perdeu num único incêndio?

Faz tempo que não passo por aqui. Tem faltado coragem pra escrever no blog. Tem faltado ânimo pra fazer um monte de coisas. É uma daquelas fases complexas em que você para, olha, tenta pensar e se descobre vazio e triste. Você tem a nítida impressão de que todos os seus esforços no final das contas não valem absolutamente nada.

Entretanto, confesso que um fato ocorrido no sábado da semana passada me deixou pensativo. É de conhecimento de todos que no Instituto Butantã aconteceu um incêndio de grandes proporções que destruiu a coleção herpetológica e de invertebrados. Existiam ali exemplares nem identificados ainda. Existia mais do que isso, uma gama imensa de sonhos. Trabalhos de gente que dedicava seu tempo a tentar gerar novos conhecimentos a partir dos estudos que realizava ali. Esses sonhos foram queimados juntos com a coleção.

Não tenho informações sobre o assunto, mas imagino que muita gente deve ter perdido trabalhos importantes, teses de doutorado, dissertações, trabalhos de iniciação científica não poderão mais ser entregues. Prazos não serão cumpridos e trabalhos terão que recomeçar do zero. Imagino a dor de alguém que provavelmente estivesse terminando seu doutorado e de repente se visse impossibilitado de terminar o trabalho devido ao incêncio. Um sonho queimado.

Ampliando um pouco a análise, todos nós vemos sonhos serem queimados o tempo todo. Eu tenho vários que viraram pó antes que eu pudesse realmente comemorá-los. Alguns chegaram a escorrer pelos dedos, um ou outro provavelmente eu até cheguei a tocar, mas na hora de fechar os dedos sobre o sonho, ele virou pó e foi levado pelo vento. Tudo caiu aos pedaços, até por isso escolhi a música do Faith No More pra esse post. Falling to Pieces (clique para ouvir) fala um pouco desses momentos de indecisão e dor que sentimos quando um grande sonho rui.

Provavelmente todo mundo já passou por alguma situação próxima a isso. A sensação de incapacidade, a frustração é imensa. Quando o sonho é destruído por algo que você não pode controlar, o peso que fica em cima da gente é imenso. É como a criança que faz o castelo de areia na praia e sem ter o que fazer o vê ser destruído pelas ondas.

Sem entrar no mérito da dor de cada um. Faço questão de ressaltar que compreendo que os estragos no incêndio são muito maiores do que as dores que eu sofro. Isso analisando tanto o impacto quanto a importância das ocorrências. Mas os sonhos de cada um são sempre únicos e perder o chão de forma grave machuca muito, seja num simples fora, seja na morte de um ente querido, seja na perda de um emprego minutos depois de contrair uma dívida alta. Cada um sabe o quanto aguenta dor e a forma como reage a isso e principalmente o quanto aquilo que se perdeu é importante para si.

Falo isso porque no momento em que me situo parece que tudo ao meu redor se esvai. Nem são sonhos, porque estes ultimamente tenho tido poucos. Mas sim minhas crenças e mesmo a forma como eu enxergo o mundo. Tudo ao meu redor parece não fazer muito sentido. De forma parecida (mas menos importante) da que o mundo de muita gente ruiu com esse incêndio. Ou desaba junto com as casas que se perdem nas enchentes ou qualquer outra grande perda.

Quero falar um pouco disso nos próximos posts se conseguir. Falar de sonhos que se perderam e se perdem dia a dia. Falar de sonhos que são importantes para manter a sanidade. Você tem alguma grande história de perda ou algum grande sonho que esteja lutando pra conseguir? Se quiser mande no blog.