Como uma onda – Lulu Santos

sou a árvore que distante vê a onda que vem e vai e se apaixona por ela

“Poxa, Lulu Santos é fim de carreira!” Certamente é o que um amigo meu vai dizer assim que ver o título desse post. Talvez até se lembre de uma discussão que tivemos (era um grupo relativamente grande) justamente sobre essa letra. Num churrasco, enquanto a carne estava assando a gente discutia se ela letra servia ou não pra falar do tempo, da condição dos sentimentos humanos e até pra iniciar uma discussão sobre Astronomia.

Bom, no meu atual (e péssimo) estado, me sobra claro a condição dos sentimentos humanos (ou meu mesmo, está valendo). Isso é claro numa continuação das ideias que iniciei no último post usando o filme Feitiço do Tempo. Realmente não estou bem, misturando Lulu Santos cantando Como uma onda (clique para ver um clipe) com comédia romântica. Minha cabeça anda confusa mesmo.

Mas chega de embromação, vamos lá. No filme, o personagem do Bill Murray vive sempre o mesmo dia (já falei disso antes). E nesse mesmo dia que ele vive vai se aventurando num interessante e complexo jogo de conquista. Pouco a pouco ele vai conhecendo sua pretensa amada e principalmente vai se conhecendo. Vai melhorando como pessoa, como ser humano. No final da história, como é numa comédia romântica, é claro que ele acaba realmente apaixonado e conquista a mulher que se apaixona pelo homem que ele se tornou.

História bonitinha como se vê, recheada de pitadas de humor ácido e pequenas lições de moral como o gênero exige (o personagem do Bill Murray inicialmente é uma pessoa intragável, faz questão de ser chato e só consegue algum sucesso em sua empreitada quando percebe que deve prestar atenção e assistência ao outro). Mas o que eu tenho a ver com isso?

Confesso que tenho me sentido meio Phill (o personagem do Bill Murray) a algum tempo. Nessa de tentar conquistar (e me conquistar) um pouco a cada dia. Tentando entender pequenos detalhes de alguém (e assim os meus também) e quem sabe conquistar esse alguém (pena que a vida não é como nos filmes, o final nem sempre é aquele que a gente sonha e quer).

Essa é a parte chata da coisa toda. Eu assumo ser muito bom em algumas coisas e, obviamente, péssimo em outras. Ler as pessoas é uma das coisas em que sou eternamente reprovado na primeira série. Eu queria nesse caso ler o básico, até pra definir alguns rumos básicos na minha ação. Nem falo aqui de plano de conquista. Afinal, de certa forma eu não acredito nisso, você nunca vai convencer alguém a gostar de você (a odiar é até fácil), mas sim vai mostrar-se atraente o suficiente pra que a pessoa perceba que se interessa por você também.

Eu quero(ia) muito que essa história toda tenha o mesmo desenho final do filme. Pessoa legal, admirável, bonita, inteligente, bom papo, enfim tudo o que eu gostaria de encontrar numa namorada. O que pega nesse caso é que eu não sei se sou visto exatamente da mesma forma por ela. O que é um claro direito da outra parte. Gostar ou não da ideia vai do desejo de cada um. Nesse ponto, algumas pessoas travam. Travam até num trecho da canção do Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia…” O medo de errar de fazer algo que torne tudo impraticável, até mesmo um simples bom dia pode barrar alguns bons vôos.

Eu particularmente nem sofro tanto do medo do erro. Afinal eu assumo que admiro, não tenho medo ou vergonha disso. Poxa, é realmente algo louvável conseguir admirar alguém, perceber que esse alguém tem várias coisas boas que chamam a minha atenção. Eu costumo de tempos em tempos perder a confiança na nossa espécie, confesso. Sorte que algumas pessoas me fazem voltar a acreditar no homem. Pra ser perfeito basta terminar em romance, se não der, paciência, continuo admirando uma pessoa extremamente admirável. Tão bela e forte como uma onda no mar.

People Like Us (David Byrne) – John Goodman

Flores para as mulheres livres!

Hoje é Dia Internacional das Mulheres. Vi muitas hoje. Algumas realmente merecem os parabéns pelo dia, outras nem tanto. Não pretendo discutir o que vem a ser esse merecimento agora. Até quero falar disso, mas quero falar das mulheres de um modo mais sutil e até certo ponto masculino. Um amigo com quem discuti a ideia do texto disse que era uma forma feminista de ver o assunto, eu discordo, acho apenas que é a forma como um homem normal (eu) vê as mulheres.

A começar pelo filme que me serve de referência, a comédia romântica Feitiço do Tempo (acho que é uma das poucas traduções bizarras de nomes de filmes que realmente funciona, Feitiço do Tempo é bem mais interessante do que O Dia da Marmota). A música que dá nome ao título é do David Byrne e faz parte do filme True Stories. Na versão que apresento a vocês. John Goodman canta People Like Us numa cena do filme (clique para ver).

Tudo parece uma salada maluca, mas tem lá sua lógica na minha cabeça louca. O filme fala de um homem extremamente chato e arrogante que é obrigado a viver sempre o mesmo dia. Com o passar do tempo ele passa a perceber sua colega de trabalho e tenta todos os dias conquistá-la. Ele vai aprendendo com ela dia a dia, vai conhecendo a mulher por quem se encanta e nesse processo ocorre o principal, vai se reconhecendo e até se tornando mais feliz com as mudanças que implemente em sua própria vida graças a busca pela atenção e amor da amada.

É ai que minha linha de raciocínio entra. A música People Like Us já foi utilizada em outro post meu (clique para ler). Eu falava do dia dos namorados. Agora o enfoque é outro. O procurar gente como a gente continua, é claro. Eu quero uma namorada como eu (papo de encalhado, tudo bem eu assumo). Quero alguém que seja igual a mim. E é justamente esse o mote. Eu confesso que detesto o padrão de mulher Amélia, a ideia da mulher obedecer cegamente o homem, viver a sua sombra, cuidar do lar e dos filhos, tudo isso muito me incomoda.

Eu quero alguém igual. Alguém que tenha seus sonhos, desejos, que construa e queira construir. Alguém que queira ser igual, não mais ou menos. A tal terceira jornada pra mim também é balela, hoje é algo que se divide facilmente. E na boa, pagar uma diarista não é o fim do mundo…rs.

Essa é a visão que eu tenho da mulher. A mulher que eu parabenizo é aquela que se coloca em igualdade com o homem. Não quer o lugar do homem, apenas o seu lugar. Não quer dominar nem aceita ser dominada. Quer ser companheira e quer seu companheiro (em tempos atuais, pode querer companheira assim como homens podem querer companheiros, orientação sexual de cada um não é o mote aqui agora).

A mulher que eu parabenizo e quero mandar flores é a que é além de mulher, é humana. Hoje conheço várias delas e a todas elas eu mando meu carinho. Mulheres que querem ser gente como eu. As que se fazem de vítimas ou que são vítimas de um mundo machista, só espero que consigam se libertar do que as prendem e que sejam felizes. Uma mulher pode ser livre e feliz em casa cuidando dos filhos, mas esta deve ser a opção dela e não de outros, assim como pode ser prisioneira sendo presidente de uma multinacional. A liberdade é tudo, ter esse direito é importante.

Já em relação ao filme, vale retomar a base da história. A cada dia o personagem de Bill Murray se libertava de seus medos e se encontrava consigo mesmo. Ficando mais próximo da mulher que realmente ama. De certa forma a liberdade da mulher que ele busca é a própria liberdade dele. Eu devo retomar um pouco essa ideia no próximo post. Falando de uma história um pouco mais pessoal. Por enquanto deixo pra vocês o espaço pra falarem um pouco da mulher que acreditam merecer os parabéns por esse dia.