Rock And Roll All Night – Kiss

 

 

Por uns dias fiquei em silêncio. Uns dias recluso para entender o que eu quero, rever promessas, definir caminhos e me entregar a preguiça. Coisas que só um período de férias pode fornecer a alguém. E férias mais do que necessárias. Eu realmente precisava parar por uns dias, estava cansado e me tornando chato e repetitivo.

Nesse meio tempo vivi uma fase de amor e ódio com palhaços,tomei chuva, voltei a fazer exercícios (espero não parar). Li, reli,joguei (e viva o videogame), até me viciei num joguinho do facebook chamado SongPop. Vi meu time finalmente ganhar uma taça Libertadores, pra se ter uma noção exata do tanto de coisas que vi e fiz, até vi o Palmeiras ganhar um título.

Isso me faz perceber que o tempo passa independente do meu querer ou meu fazer. O tempo anda e por mais que eu sonhe em dominá-lo, ele pouco se importa comigo. Eu que me preocupo em entendê-lo, ele sequer percebe a minha existência. As vezes eu acredito saber algo sobre o tempo, quando consigo fazer versos que parecem ritmados, quando percebo a graça nas batidas de uma música.

Aliás, dias atrás também foi o dia do rock. Mais um dia que para variar eu não comemorei. É claro que ouvi uma ou outra melodia enquanto transpirava na esteira. A cada grama levantado na academia era rock o ritmo que me embalava. Mas sinceramente, não vi muita razão pra comemorar a data.

Não que me falte atualmente clima para festa. Ele existe tanto que vou numa festa junina fora de época no próximo fim de semana. Estou leve,mesmo percebendo que as férias voam a uma velocidade absurda. Metade do tempo já foi e eu ainda vejo muita coisa por fazer. A metade do tempo que me resta parece tão pouco,mas de que adianta reclamar se eu não me preocupar apenas com o aproveitar o tempo?

É isso, é esse o truque. Por isso que fico afastado daqui nesse período. Aproveito o pouco tempo que me resta para ser um pouco mais eu mesmo. Aproveito o tempo para tentar ser feliz e descobrir que sou feliz fazendo coisas simples. Aproveito para rascunhar novamente um novo livro, novas ideias que eu deixei trancadas dentro de mim.

Pouco importa se faz frio lá fora. Eu quero e vou sair. Tomar chuva, tomar vento, sentir o frio bater em meu peito e mesmo assim não ver a temperatura do corpo baixar. Isso porque existe emoção e vontade suficiente para seguir adiante. O corpo e a mente sabem o que buscam. Enfrentar o tempo de forma a deixar as horas divertidas mais longas. Fazer de cada noite e cada dia eternos.

Porque a gente sabe que o tempo parece correr mais rápido quando a gente está feliz. Se eu fiquei triste por ficar tanto tempo longe daqui. Também fiquei alegre ao perceber que consegui fazer muita coisa nesse tempo. Só queria ter feito mais, escrito mais e partilhado mais com você que me lê. Assim, nesse curto fim de férias, quero encontrar a chave para fazer das festas eternas e as dores imediatas e efêmeras. A ponto de viver 15 dias plenos, como plena deve ser toda a nossa existência.

Ghostbusters – Ray Parker Jr.

Dia das Bruxas, hora de exorcizar fantasmas. Ontem eu fui numa dessas festas de halloween, nem vou entrar no stress da discussão sobre comemorar o Saci, o Halloween ou ter um Papai Noel de bermuda no Natal. Afinal tecnicamente eu não comemoro nenhuma das 3 coisas. Para mim dia das bruxas, Jesus, Papai Noel, Saci, boitatá ou qualquer outra coisa similar não existe. Isso entretanto não me faz odiar quem acredita neles ou mesmo fugir das comemorações feitas. Vale a festa, seja qual for o motivo.

Mas deixa isso mais pra frente, hoje quero falar dos nossos fantasmas interiores. Como disse ontem fui numa festa de Halloween na casa de uma contadora de histórias. Imaginem a produção do evento. Luz negra, máscaras, um pequeno cemitério montado no jardim, sonorização de filmes de terror. Tudo para gerar um clima de acordo com o tema da festa. Todo mundo fantasiado. Padre Voador, Jason, Freddie Krugger, bruxas, Chuck e claro para destoar um jogador de futebol (eu fui de ex-jogador em atividade, fantasiado de Ronaldo nos tempos de Corinthians, algo que tem tudo a ver com meu físico atual).

Boa música, boa comida (cada um levou alguma coisa, bem legal isso), gente animada, bonita e divertida. Papos descontraídos, sérios, amenidades, seriedades, enfim, um ambiente alegre numa festa divertida. Apesar de tudo isso, confesso que a festa me fez pensar. Até por ouvir uma frase algumas vezes durante a festa. “Eu faço tudo certo direto, hoje tenho direito de relaxar”.

Todos temos o direito de aproveitar da melhor maneira possível as nossas vidas. Sem sentir culpa alguma por sermos ou estarmos felizes. Todos temos direito a sermos quem somos sempre. Todos podemos aproveitar cada momento de nossa existência. Infelizmente quase nunca isso ocorre da forma como deveria.

Afinal temos fantasmas para todas as nossas ações. Demônios invisíveis que sem saber porque criamos e alimentamos sempre. Sentimentos que nos impedem de simplesmente sermos felizes, sermos quem somos, viver o que queremos. Exorcizar esses fantasmas é necessário sempre. Exorcizar nossos medos para que uma verdadeira liberdade surja. No fundo é o que eu pensei nesse dia das bruxas, naquela decoração bonita e divertida. O objetivo daquilo tudo foi  esse. Livrar-me dos medos e me fazer um pouco mais livre.

Nessa linha, me lembrei do filme que vi em minha infância. Onde os 4 caça-fantasmas saim a procura dos seres ectoplásmicos com suas armas malucas. Enfrentando coisas estranhas como o boneco gigante de Marshmallow ou poltergeists que faziam tudo voar pelos ares. Engraçado pensar que segundo a idéia do filme, a gente poderia pagar alguém para combater os nossos demônios, alguém que fizesse o trabalho sujo pela gente.

Eu discordo totalmente disso (apesar de adorar o filme). Quando se vai a um psicólogo, ele não nos cura sozinho, na verdade nos dá o caminho para que a gente encontre a própria cura. Quando a cura se dá pela fé, é preciso que a pessoa realmente acredite naquilo. É preciso vontade para que algo ocorra, é um algo que não se compara a passividade de simplesmente se contratar alguém que elimine seus fantasmas.

Você tem fantasmas? Quer falar sobre eles? O que seria capaz de fazer pra se livrar deles?