I Need a Hero – Jennifer Saunders

 

 

Semana passada vi o filme da moda. Confesso que gostei muito mais do que eu esperava. Sou fã confesso de quadrinhos, sempre li revistas dos heróis da Marvel e os Vingadores sempre estiveram entre meus heróis prediletos. Vi os filmes isolados dos personagens que formam o grupo. Gostei muito dos filmes do Homem de Ferro (eu acho que o personagem funcionou melhor no cinema do que nos quadrinhos. Achei o do Capitão América honesto e os do Hulk e do Thor me pareceram meio chatos e até cansativos.

Logo eu não estava mesmo muito esperançoso. Esperava uma espécie de Homem de Ferro 3 (o que seria injusto numa história do grupo de heróis). Fui surpreendido e de forma bastante forte. O filme me agradou, eu ri o filme inteiro. Podia ser até mais longo que eu continuaria assistindo tranquilamente. De certa forma me senti uma volta a infância. Lembrei dos desenhos animados que eu via quando pequeno. Desenhos mal feitos, com trilha sonora horrível e história que eu lia nas revistas.

Reconheci ali os meus heróis. Os heróis que eu curti quando criança e que até hoje leio nas histórias mensalmente publicadas nas revistas em quadrinhos. Nem liguei pras pequenas diferenças, os heróis estavam ali. Cada um com suas manias e seu jeito. Cada um com seus poderes. Coisas que me encantaram quando criança e que ainda me prendem mesmo já adulto. Cada herói sempre me chamou a atenção por um motivo diferente. Eu sempre invejava seus poderes, hoje vejo um pouco além disso.

Vejo formas diferentes de se expressar o caráter. Vejo alías níveis de caráter e bom mocismo diferentes. Vejo questionamentos e motivos que segundo toda uma mitologia tornam plausível a existência de alguém que dedique a sua vida a proteger o mundo (sem falar de policiais e bombeiros, ok? Isso derrubaria toda a magia do tema).  Aliás proteger o mundo de gente que dedica toda a sua vida a destruir tudo o que a gente conhece.

Geralmente existe uma dualidade simples nessas histórias. Fica claro logo de início quem é bonzinho e quem é vilão. Um ou outro personagem vai apresentar os traços mistos que todo mundo apresenta. Os heróis tendem a ser modelos de perfeição e qualidades enquanto que os vilões são a representação do mal. Aliás, pequeno spoiler, mas nada que atrapalhe o filme. Se o que aparece no final do filme for um sinal para um próximo filme dos Vingadores, a verdadeira personificação do mal está para vir na continuação.

Engraçado como a gente sempre procura alguém que nos proteja. Povos esperam a volta de Dom Sebastião ou do Rei Arthur. Povos acreditam que um único homem pode ser a salvação do povo, uma espécie de pai dos pobres que transformará todos os votos recebidos em algo para melhorar a vida de alguém. Talvez por isso os heróis façam tanto sucesso. Mais fácil do que fazer as mudanças é esperar que alguém as faça pela gente.

Só mesmo a ficção para trazer frases como grandes poderes trazem grandes responsabilidades, mote do Homem Aranha (que não aparece no filme dos Vingadores, nos quadrinhos só começou a fazer parte do grupo durante a Guerra Civil). Engraçado como quando crianças nos prendemos muito mais aos poderes do que ao que realmente tornaria alguém um herói. O ato de se doar ao próximo, de acreditar naquilo que se faz e principalmente assumir as responsabilidades pelos atos que acontecem sob nossa influência.

Casos como os do Batman (esse é de outra editora), são até comuns, gente que perde algo ou  alguém e passa a tentar corrigir aquilo que causou a perda. Pesquisadores que lutam contra doenças, pessoas que mudam o rumo de suas vidas diante de acontecimentos trágicos. Pessoas que motivadas por algo ruim acabam tentando (e muitas vezes conseguindo) transformar o mundo num lugar melhor.

A busca por algo melhor. Sonho de todo mundo, mas quem faz a sua parte? Eu sei que poderia fazer muito mais do que faço. Sei que deveria assumir muito mais responsabilidades. Ao olhar pro lado durante o filme e ver a multidão na saída do cinema com o olhar feliz e sorrisos nos lábios me fez pensar nisso. Quantos fazem aquilo que deveriam fazer por um mundo melhor? Quantos esperam a chegada de super-heróis que resolvam tudo e entreguem um mundo perfeito numa bandeja?

Juro que só queria saber porque é mais mais fácil esperar por algo que não vai acontecer do que fazer o que realmente precisa ser feito.

Bicycle Race – Queen / Tour de France – Kraftwerk

Muitos deles devem ter Lance Armstrong como ídolo

Essa semana está meio baixo astral. Baixou a tristeza aqui e os temas rarearam um pouco. Hoje que reparei que era o dia de postar algo novo no blog. E o tema? Difícil escolher. Em mim está aquela sensação de que por mais de saco cheio que eu esteja, algumas coisas devem continuar. Eu devo continuar fazendo aquilo a que me propus, independente da minha vontade.

Ao pensar nisso. Lembrei-me de alguns heróis de carne e osso. Pessoas que nas suas áreas foram muito acima do esperado e se tornaram exemplos míticos. Pessoas que conseguiram se transformar em exemplos em alguma área. Já falei um pouco disso antes, temos aqui no Brasil o péssimo hábito de exigir santidade dos nossos ídolos, eles devem ser bons em tudo.

Eu não penso assim, talvez por isso acabe respeitando muita gente que se destaca em sua área. Pretendo falar de alguns nessa semana e talvez na próxima. O título da música escolhida diz tudo. Eu pensei em escolher tour de France do Kraftwerk (pra ver o clipe clique aqui), mas acabei também optando pelo saudoso quarteto britânico Queen e a música bicycle race (clique aqui para ver o clipe). Na verdade, fiquei com as duas,por gostar muito de ambas.

O personagem de hoje é Lance Armstrong, um dos mais famosos atletas do mundo e multicampeão da mais famosa prova ciclística do mundo, a Tour de France. Armstrong venceu a prova por 7 vezes e isso depois de diagnosticado e tratado de um câncer nos testículos, cérebro e pulmão.

A obstinação desse atleta é que me faz falar dele. Raras pessoas teriam a força de vontade que ele teve, de lutar contra uma forte doença, vencer a doença e mais do que isso se tornar um vencedor pleno numa atividade física que exige muito do corpo, imagine do corpo de alguém que teve câncer espalhado pelo corpo?

Falo dele também pelo seu lado teimoso. Depois de aposentado do ciclismo em 2006 resolveu voltar a competir e nesse ano na volta da França está dando uma canseira nos que vinham competindo direto. Até agora está em terceiro na classificação geral, apenas 8 segundos atrás do primeiro lugar, se colocando como uma dos favoritos ao título, junto com seu companheiro de equipe Alberto Contador.

As brigas dentro da equipe Astana, causadas pelo choque de egos entre os dois grandes ciclistas até poderiam entrar aqui. Pois demonstram a sede de vencer, mas prefiro fugir do assunto. Apenas torço para que o Lance Armstrong consiga vestir a camisa amarela em algum dos dias dessa volta da França e acredito que o Contador acabará ganhando.

Mas vamos ao que interessa. Ver um exemplo como o desse ciclista me faz pensar que muitas vezes choro sem motivos reais. Que não deveria abaixar a cabeça para as coisas ruins que ocorrem no meu dia a dia. Também vejo que deveria lutar mais por meus objetivos. O desejo é a principal fonte de energia para a vitória. E as conquistas devem sempre servir de estímulos para vencer novos desafios.

Não apago as suspeitas de doping desse atleta, principalmente em sua primeira vitória no Tour de France em 1999. Nem vejo isso como algo positivo em sua biografia. Ele não é um exemplo por isso, mas sim por lutar e lutar muito.

Você tem algum herói? Gostaria de falar dele? Durante a semana eu devo falar de outras pessoas que admiro, artistas, cientistas, gente comum.