Iron Man – Black Sabbath

 

 

Todo mundo sonha em ter sucesso. O desejo de vitórias de certa forma nos move. Nossos sonhos caminham quase sempre na direção de algum tipo de conquista. Seja uma conquista material, seja emocional, seja apenas um estágio novo em nossa vida. Sempre almejamos um passo além. Essa busca incessante precisa muitas vezes de freios e regras para não se tornar algo doentio.

Penso nos alunos que só querem determinada faculdade, determinado curso e nem ao menos sabem o que é essa carreira. Quando entram e percebem que não era exatamente aquilo que buscavam, depois de anos de estudo e em alguns casos anos de cursinho, a depressão causada chega a ser forte demais para aguentar.

Pessoas que amaram alguém em segredo por anos e quando conseguiram tornar esse amor real, perceberam que a fantasia era melhor que a realidade. Exemplos desses nunca faltam. Isso sem falar daqueles que quando não conseguem alcançar algum objetivo, parecem desistir da própria vida.

Na verdade,acho que todo mundo vez ou outra se prende de forma exagerada a algum desejo. Isso faz com que ele se torne extremo demais e até certo ponto letal. Isso muitas vezes acontece quando estamos numa fase boa. Naquela em que olhando para trás encontramos uma grande sequência de vitórias. É quando a gente passa a se achar invencível e por isso  mesmo não aceita perder.

De certa forma é essa a principal característica do Homem de Ferro, personagem do filme Vingadores que serve de inspiração pro meu texto de hoje. O milionário e playboy que quer atenção a todo custo. Quer provar ser sempre o melhor em tudo o que faz, sem medir muito as consequências dos seus atos. Alguém que vê a possibilidade de ser herói apenas como mais uma forma de fazer sucesso e  chamar a atenção.

Aliás, quem não conhece alguém que queira sempre chamar a atenção? Quem não quer ser bem visto por aquilo que costuma fazer muito bem? Quem não gostaria de fazer muito bem tudo o que faz? Ter aquele famoso toque de Midas e ter sucesso em tudo? Ter esse desejo de certa forma nem é tão ruim. Ruim é viver em função disso. Eleger o sucesso como a única coisa que vale a pena e esquecer até mesmo de aprender com as próprias falhas e principalmente respeitar as vitórias e habilidades dos outros.

Engraçado esse texto surgir numa época como essa. Num momento em que minha cabeça viaja desesperadamente para lugares opostos procurando encontrar algum apoio. Eu sei que sou muito bom em algumas coisas. Sei que tenho algumas vitórias relativamente fáceis de serem conseguidas em meu caminho. Mas justo nesse momento, o que quero é vencer naquilo em que mais sou frágil. Nesses momentos surgem algumas opções diante dos meus olhos. O importante é ter maturidade para fazer a escolha certa, independente da dor que eu sinta com isso.

A primeira opção, mais fácil e provavelmente o caminho escolhido por Tony Stark, seria mascarar esse desejo. Diminuir a minha busca e tentar realçar apenas aquilo em que sou bom.Fugir do problema apresentando uma falsa aura de força. Uma máscara protetora. Aparentemente o método menos doloroso, mas também o mais ineficaz, eu continuaria do mesmo jeito e nada aprenderia nessa história toda.

Outra opção viável seria lutar desesperadamente pelo que quero. É o que eu combati no início do texto. E acredito piamente que fazer isso seria burrice. Loucura extrema. É preciso primeiro entender o que exatamente acontece, o que torna algo difícil de ser alcançado. Um alpinista não sai na louca em direção ao Everest, mas sim se prepara dia a dia, planeja com todo cuidado suas ações para ter sucesso em cada escalada.

A terceira opção, e a que mais me agrada, é a que traz consigo estudo. Primeiro entender bem o que se deseja. Depois entender bem o que está acontecendo de errado para então corrigir. E só depois de corrigir todas as falhas partir para o ataque em busca do que se deseja. Porque não é possível criar uma armadura que nos proteja das dores causadas pelas derrotas, é mais fácil aprender a evitá-las e entender que temos um limite. É preciso aprender mais para poder seguir mais adiante.