Bicycle Race – Queen / Tour de France – Kraftwerk

Muitos deles devem ter Lance Armstrong como ídolo

Essa semana está meio baixo astral. Baixou a tristeza aqui e os temas rarearam um pouco. Hoje que reparei que era o dia de postar algo novo no blog. E o tema? Difícil escolher. Em mim está aquela sensação de que por mais de saco cheio que eu esteja, algumas coisas devem continuar. Eu devo continuar fazendo aquilo a que me propus, independente da minha vontade.

Ao pensar nisso. Lembrei-me de alguns heróis de carne e osso. Pessoas que nas suas áreas foram muito acima do esperado e se tornaram exemplos míticos. Pessoas que conseguiram se transformar em exemplos em alguma área. Já falei um pouco disso antes, temos aqui no Brasil o péssimo hábito de exigir santidade dos nossos ídolos, eles devem ser bons em tudo.

Eu não penso assim, talvez por isso acabe respeitando muita gente que se destaca em sua área. Pretendo falar de alguns nessa semana e talvez na próxima. O título da música escolhida diz tudo. Eu pensei em escolher tour de France do Kraftwerk (pra ver o clipe clique aqui), mas acabei também optando pelo saudoso quarteto britânico Queen e a música bicycle race (clique aqui para ver o clipe). Na verdade, fiquei com as duas,por gostar muito de ambas.

O personagem de hoje é Lance Armstrong, um dos mais famosos atletas do mundo e multicampeão da mais famosa prova ciclística do mundo, a Tour de France. Armstrong venceu a prova por 7 vezes e isso depois de diagnosticado e tratado de um câncer nos testículos, cérebro e pulmão.

A obstinação desse atleta é que me faz falar dele. Raras pessoas teriam a força de vontade que ele teve, de lutar contra uma forte doença, vencer a doença e mais do que isso se tornar um vencedor pleno numa atividade física que exige muito do corpo, imagine do corpo de alguém que teve câncer espalhado pelo corpo?

Falo dele também pelo seu lado teimoso. Depois de aposentado do ciclismo em 2006 resolveu voltar a competir e nesse ano na volta da França está dando uma canseira nos que vinham competindo direto. Até agora está em terceiro na classificação geral, apenas 8 segundos atrás do primeiro lugar, se colocando como uma dos favoritos ao título, junto com seu companheiro de equipe Alberto Contador.

As brigas dentro da equipe Astana, causadas pelo choque de egos entre os dois grandes ciclistas até poderiam entrar aqui. Pois demonstram a sede de vencer, mas prefiro fugir do assunto. Apenas torço para que o Lance Armstrong consiga vestir a camisa amarela em algum dos dias dessa volta da França e acredito que o Contador acabará ganhando.

Mas vamos ao que interessa. Ver um exemplo como o desse ciclista me faz pensar que muitas vezes choro sem motivos reais. Que não deveria abaixar a cabeça para as coisas ruins que ocorrem no meu dia a dia. Também vejo que deveria lutar mais por meus objetivos. O desejo é a principal fonte de energia para a vitória. E as conquistas devem sempre servir de estímulos para vencer novos desafios.

Não apago as suspeitas de doping desse atleta, principalmente em sua primeira vitória no Tour de France em 1999. Nem vejo isso como algo positivo em sua biografia. Ele não é um exemplo por isso, mas sim por lutar e lutar muito.

Você tem algum herói? Gostaria de falar dele? Durante a semana eu devo falar de outras pessoas que admiro, artistas, cientistas, gente comum.

Tribos

No fundo todos pertencemos a uma ou mais tribos

Nos últimos posts os ídolos apareceram como tema central. A forma como os vemos e o tratamos. A busca de um modelo perfeito que possa servir de amparo para a busca de mudanças profundas na nossa sociedade.

Bem ou mal, de certa forma todos temos ídolos, o que muda é a forma como lidamos com estes ídolos. Alguns apenas sentem uma empatia leve por este ou aquele modelo apresentado, outros chegam a uma devoção histérica e religiosa pela pessoa, associando tudo o que acontece de bom ou mal em sua vida aos humores do seu ídolo.

O blog O Estranho Mundo de Camila (na lista dos que eu indico) trouxe um texto interessante sobre o tema.  A Camila não discute exatamente a idolatria, mas a liberdade falsa que acaba interessando a grande maioria da população.  Vale a pena dar uma lida e refletir sobre o que ela postou lá.

Hoje eu vou me ater a outro aspecto da idolatria, o da necessidade que temos de ter ídolos. Afinal o que nos faz seguir um corte de cabelo (como os Beatles fizeram com grande parte dos jovens ingleses e americanos nos anos 60), mudar o time de futebol (muita gente está acompanhando jogos do Corinthians por causa do Ronaldo), mudar até a sua visão política (aqui no Brasil pessoas saem da direita e vão pra esquerda e vice-versa, de acordo com o humor do seu candidato).

nas tribos poucos são os que realmente criam as regras
nas tribos poucos são os que realmente criam as regras

Essa necessidade de ter alguém que sirva de exemplo chega a ser estranho, e como citado pela Camila no seu texto, chega a ser uma forma de não liberdade dentro da liberdade. Afinal, em teoria, todos somos livres para fazer as escolhas que quisermos dentro dos limites que permeiam a vida em sociedade, ou seja, se não prejudicar a liberdade do outro, a minha liberdade é valida.

A impressão que fica é que temos a necessidade de diminuir as particularidades individuais e cada vez mais criarmos um único modelo padrão. Parece que buscamos, apesar das diferenças, sermos todos iguais. Seja corte de cabelo, roupa que veste, música que ouve e até preferências gerais.

Mesmo aqueles com gostos mais distantes do padrão, acabam formando pequenos guetos sociais e nesses guetos procuram disseminar suas idéias. Por exemplo, os brasileiros fãs de uma desconhecida banda lituana vão todos se unir e se possível tentar captar mais fãs para a banda que julgam ser a melhor do mundo. Os torcedores de um time de futebol acabam criando certos hábitos comuns nas partidas de sua equipe. Camisetas muitas vezes identificam os eleitores de determinado grupo político.

 Ai cabe uma breve história sobre o tema. Uma amiga querida algumas vezes brinca comigo por eu ser um eleitor tipicamente neoliberal, totalmente em cima do mundo como ela já me disse algumas vezes. Ela, muito mais próxima da esquerda. Sendo uma mulher muito bonita e até certo ponto vaidosa, gosta de estar sempre bem vestida e arrumada (eu pelo menos nunca a vi desajeitada). Certo dia numa conversa sobre política, disse-lhe brincando que era um fetiche meu vê-la de camiseta branca, cabelo preso, óculos, calça jeans e tênis al star surrado. Justamente o estereótipo do eleitor de esquerda, cultivado inclusive por pessoas que querem voto dessa parcela da população, como a ex-senadora Heloísa Helena.

E podemos extrapolar isso para qualquer outro grupo, como se todos fôssemos distribuídos por tribos. Aliás, tribos é o nome de um programa do canal de TV a cabo GNT que procura tratar do assunto de forma até bastante divertida. Tendo como apresentadora a atriz Daniele Suzuki, a cada programa um grupo é dissecado, mostrando o que une cada tribo. Vi alguns programas e confesso que achei a fórmula interessante, no fundo ele mostra como somos todos robotizados, programados para agir conforme o grupo que nos inserimos.

Parece-me óbvio que em muitos casos pertencemos a mais de uma tribo. Um advogado pode ser também motociclista. Durante a semana ele usa terno e jargões do direito, mas aos finais de semana, pega sua moto e desbrava as estradas com sua jaqueta de couro, mostrando as tatuagens escondidas em busca de shows de rock junto com outros motociclistas.

Pouco espaço sobra nessas tribos para sermos quem somo se é que sabemos quem somos
Pouco espaço sobra nessas tribos para sermos quem somo se é que sabemos quem somos

E isso levanta outra questão, a nossa mutabilidade. De acordo com o grupo e o interesse momentâneo, temos ações que se modificam, fazendo com que sejamos selecionados sempre pelo meio. Mas isso é um assunto longo e tema pra outro post dessa série que pretende chegar na idéia de liberdade x independência citada pela Eve num comentário de um post anterior.

Paro por aqui, só deixo uma pergunta a quem me lê. Nesse tempo todo viajando de tribo em tribo, em que momentos conseguimos ser realmente quem somos? Totalmente Livres? As mensagens e comentários são muito bem vindos. Percebo que muita gente passa por aqui, mas poucos emitem sua opinião, acreditem, eu respondo a todo mundo…rs

Vale a pena ser herói?

Um músico não pode ser julgado só por sua música?
Um músico não pode ser julgado só por sua música?

Hora de terminar o que comecei a alguns posts. No último eu disse que nós costumamos relevar nossos heróis da ficção. Atualmente os heróis ficcionais estão mais humanos, procuramos pequenas falhas de caráter neles para validá-los. Essa aproximação entretanto muitas vezes foge do mundo real.

Quem são os nossos grandes heróis? Pelé, o maior atleta do século é questionado por sua vida fora dos campos. Ronaldo fenômeno sofre do mesmo mal. Vários atores são questionados sobre sua opção sexual. Qualquer candidato a ídolo possui sua vida recheada de perseguidores, atrás de falhas de caráter que façam com que toda e qualquer idolatria seja derrubada instantaneamente.

Ai as coisas começam a complicar, eu imagino que quem tem Pelé e Ronaldo como ídolos, idolatra o que eles faziam com a bola nos pés, exigir qualquer outra coisa deles é absurdo. Cazuza é outro bom exemplo, um poeta genial, fez letras bastante interessantes. Tinha uma vida pessoal muito mais conturbada do que a maioria aceita, sexualmente falando sempre se definiu como bi sexual, transou com quem quis como quis, usou drogas, quebrou regras, fez tudo do seu jeito, sem ligar muito pras regras do momento.

Cazuza sempre foi um ídolo pra mim, mas só por seus versos, eu nunca liguei se ele usava drogas, com quem ele transava, o que ele fazia além das músicas que eu ouvia nunca foi problema meu, o ídolo era apenas musical.

Aurélio Miguel é outro exemplo dessa linha pra mim. Treinei judô muito tempo, adoro o esporte até hoje. Aurélio foi um dos maiores heróis da minha infância/adolescência. A medalha de ouro olímpica me marcou muito. Hoje ele é político na cidade em que voto, isso nunca me fez nem pensar em votar nele. Eu idolatrei o atleta, não o político, que tem idéias bastante opostas as minhas.

Aliás falando em políticos, essa classe de anti-heróis nacionais parece ser a única que não sofre com os problemas citados aqui. É incrível como falhas em outros ídolos resvalam na grande maioria dos políticos. Filhos fora do casamento geralmente prejudicam numa eleição, passado o fato, voltam como se fosse a coisa mais normal do mundo (eu honestamente acho que um filho fora do casamento não mede a honestidade de um administrador, mas nosso país é extremamente conservador). Escândalos para eles têm curta duração e o pior, em alguns casos, eles simplesmente não são levados a sério por serem em cima de pessoas populares, vide a quantidade de denúncias que caíram sobre o governo do nosso atual presidente.

O que torna os políticos livres do julgamento popular mesmo quando falham na execução daquilo que foram eleitos para fazer?
O que torna os políticos livres do julgamento popular mesmo quando falham na execução daquilo que foram eleitos para fazer?

É nesse ponto que tudo fica nebuloso, aquele ser que deveria ser reverenciado apenas por fazer uma coisa boa e somente por essa ação seja ela cultural, social, esportiva ou o que quer que seja, nunca escapa do julgamento por tudo o que faz. O atleta que não teve acesso a educação deve dar opiniões coerentes sobre a variação cambial ou ter uma posição socialmente aceita sobre o massacre chinês no Tibet. Não pode ser visto embriagado numa festa, nem mesmo trocar de namorada ou envolver-se num relacionamento mais fugaz sem ser julgado e culpado por isso. Mas um político pode enriquecer na vida pública, pode dizer palavrão em discurso oficial, pode até mesmo roubar que não será julgado. E por que? Simplesmente porque políticos nunca serão heróis e nem modelos.

Ai me vem a pergunta, vale a pena ser herói? Vale a pena se destacar em uma área? Afinal você acaba sendo julgado em todos os aspectos da sua vida só por ser bom em algo. Me pergunto se isso é devoção mesmo ou simplesmente inveja, muitas vezes acredito mais na inveja.

A impressão que tenho é que as pessoas invejam aquilo que gostariam de saber fazer como ser um atleta habilidoso, um artista famoso, um cientista competente e por isso procuram falhas em qualquer coisa que estes façam, como a maioria das pessoas não enxerga glamour na política, estes ficam livres do julgamento popular.

O que você acha?

Superperfeitos?

Não bastava ao herói voar, ser forte e resolver os problemas, ele tinha que ser perfeito.

Dando continuidade a linha de pensamento do último post, agora quero dar um pequeno passo adiante. Se discuti o fato de que temos dificuldade em definir certezas e verdades, hoje tento brincar com outra idéia a da mudança do modelo de perfeição social vista a partir dos super heróis.

Já disse antes que gosto muito de ler histórias em quadrinhos. Ainda hoje, já passado dos 30, gasto parte do meu salário comprando revistas como Batman e Liga da Justiça.  E como em quase tudo que me chama a atenção, sempre gosto de entender a origem das coisas, como elas surgiram e como mudaram. A partir deste ponto, acabo começando minhas viagens mentais, que agora derramo aqui no blog.

Pois bem, depois desse início quase enrolador, acredito que valha a pena dizer o que estou querendo. Não vou partir para o começo das histórias em quadrinhos e nem mesmo para o início das histórias de super heróis. Vou até o período da segunda guerra, naquele tempo tinhamos como personagens, superman, capitão america, batman e outros. Algo que se destacava em todos eles era a forte dualidade entre bem e mal. No caso do capitão américa desse período, o inimigo era o regime nazista e Hitler a figura a ser derrotada.  A idéia era simples, todas as virtudes estavam do lado americano e todos os defeitos nos vilões nazistas.

No caso so superman, a idéia era a mesma, o personagem kriptoniano possuia todas as qualidades possíveis e seus bandidos eram a encarnação de tudo que era mal. A humanidade também de certa forma era reverenciada como qualidade, visto que vários de seus inimigos como brainiac e a primeira versão de lex luthor eram ou fruto ou ligados a alta tecnologia, sem traços marcantes de humanidade.

Batman passou por situação parecida, quando criado, o jovem queria apenas vingar a morte de seus pais com justiça, seus inimigos eram quase cômicos, talvez tenha surgido em sua séria o primeiro caso de dualidade a ser observado. A mulher-gato, bandida com uma relação dúbia com o homem-morcego.

Isso’, é claro, no período clássico das histórias em quadrinhos, nesse tempo, e na sociedade provavelmente, herói era visto como herói. Não tinha essa coisa de você ser um herói e cometer falhas de caráter, qualquer falha levaria o herói a perder toda a sua credibilidade.

Ai o tempo passou, anos 80, 90, atual década e muita coisa aconteceu. O capitão américa continuou sendo o cara mais bonzinho do universo até ser morto e em seu lugar, um antigo parceiro assumiu seu uniforme. Agora o novo capitão usa até revólver. O superman continua o mesmo escoteiro de sempre (aliás escoteiro é uma expressão que aparece nas suas histórias), mas acaba sempre sendo de certa forma zombado por ser certinho demais sempre. Batman é quase o primeiro dos grandes anti-heróis. Passa por períodos mais violentos sempre, tem demônios internos e comete erros como todo mundo. Aliás essa mudança é que alavancou as vendas da revista.

Wolverine, um dos personagens mais populares da atualidade (filme em cartaz nos cinemas) é o próprio anti-herói, bebe, fuma, fala palavrão, faz uma série de coisas, mas naquilo que ele é bom, continua sendo ótimo, ele resolve o problema.

Esse gosto por heróis de comportamento questionável é que se torna interessante. Na ficção passamos a aceitar que os ídolos não precisam ser perfeitos, até talvez seja essa imperfeição dos perfeitos o que aproxima os homens dos personagens. Você não espera que o Wolverine pare de fumar, mas ele tem que continuar detonando os bandidos (que podem até ser bandidos, mas que hoje possuem requintes de humanidade como cuidar da mãe doente).

Hoje o mundo virou e já se aceitam heróis tão imperfeitos como nós, mas só na ficção
Hoje o mundo virou e já se aceitam heróis tão imperfeitos como nós, mas só na ficção

Destes heróis dúbios, o primeiro que me vem a cabeça é Han Solo, da série Guerra nas Estrelas. Tudo bem que Luke Skywalker era o jedi, o todo poderoso e tal, mas quem fez sucesso com a mulherada foi o personagem de Harrison Ford, que talvez seja até o mais popular do filme.

Aceitamos isso facilmente no mundo ficcional, mas porque não no mundo real? Voltando ao post anterior, não conseguimos aceitar pequenas falhas das pessoas que nos cercam. Mesmo que essas falhas sejam realmente pequenas e que essas pessoas sejam muito importantes para nós.

No próximo post eu termino essa linha de raciocínio quando falar dos nossos heróis de carne e osso, da relação que costumamos ter com eles e do que exigimos deles. Acho muito estranha essa relação de busca de perfeição idealizada.

Torcida

Garoto que deve sonha em um dia defender as cores do seu time do coração
Garoto que deve sonhar em um dia defender as cores do seu time do coração

Hoje teve a final de vários campeonatos estaduais, dos principais, São Paulo (Timão Campeão, eu estou comemorando aqui com a camisa do time), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e por ai vai. No Rio Grande do Sul o Inter já tinha definido a fatura. Parabéns aos vencedores, que os vencidos levem a derrota na final numa boa.

Não vim aqui hoje falar de futebol, ou melhor não do esporte futebol, da ação que acontece dentro das quatro linhas. Hoje a idéia é outra. Quero falar do ato de torcer. Um ato estranho que nos leva a fazer coisas absurdas. Muito absurdas se formos analisar friamente.

Eu não saberia dizer o que me leva a ser corinthiano, sei apenas que é o time que mais mexe comigo, assim como pra outras pessoas o time que mais mexe é outro. Sei de minhas lembranças mais antigas do futebol. Lembro do time da Democracia e jogadores como Sócrates, Zenon e Casagrande. Também lembro com força da seleção brasileira de 82, eu chorei no terceiro gol da Itália.

A torcida acaba sendo sempre irracional, quero que meu time vença, quero poder sair com a camisa pelas ruas e tirar sarro dos amigos que torcem pra outros times. Quero isso sem saber o motivo. Alguém sabe o que o leva a torcer pelo seu time?

Quantos não torceram pelo Robert Scheidt nos jogos, mesmo sem saber as regras da vela?
Quantos não torceram pelo Robert Scheidt nos jogos, mesmo sem saber as regras da vela?

Se a torcida já é irracional no futebol, imagine em outras áreas da vida? Em programas de TV com calouros, ou diversos candidatos, sempre um é escolhido e se torce por alguém que você sabe que nunca vai ver, ouvir, ou encontrar de maneira próxima. Um herói pontual é escolhido por quem assiste o programa, que o diga os BBBs da vida. Ao ver um filme, ler um livro, assistir uma peça de teatro, alguns personagens também ganham mais força no nosso coração. E sem motivo real algum. Curioso isso. Ao menos para mim. Cantores que conseguem fãs clubes imensos, artistas em geram criam um grupo ao seu redor, chegamos a buscar pessoas nos nossos relacionamentos que tenham gostos parecidos aos nossos.

Faço parte de fóruns de fotografia (o que mais participo, o Mundo Fotográfico tem link ai do lado, na minha lista de indicações), e confesso que algumas vezes dou muita risada com eles. Vejo pessoas que torcem para empresas. Pessoas que torcem para que a concorrência suma, ou que adota uma marca e chegam a fazer propaganda gratuita e sem sentido de determinadas empresas, simplesmente por serem as empresas que produzem o material que usam.

Outros setores também ganham pontos com esse tipo de torcida de seus consumidores. Empresas automobilísticas, empresas de informática e até canais de televisão também passam a ser heróis acima de qualquer julgamento (uma força quase religiosa) e ganham rios de dinheiro com propaganda, pessoas que se fazem de outdoors ambulantes (e eu não me excluo desse grupo…rs tenho lá minhas empresas favoritas) de graça.

Por que tanta gente acompanha a vida de atores como o Daniel Oliveira?
Por que tanta gente acompanha a vida de atores como o Daniel Oliveira?

Nisso eu ainda não vejo problema, na verdade, vejo uma situação grave quando a torcida irracional é política. Nem precisa andar muito, encontramos pessoas que idolatram partidos ou políticos sem motivo real aparente ou sem  nada ganhar em troca, seja socialmente (o que seria o melhor e mais justo) seja até de forma escusa (o que eu condeno).

Políticos questionáveis como Paulo Maluf, possuem uma quantidade de votos já antes da eleição, independente de com quem concorram. Alguns partidos a direita ou a esquerda ou ao centro possuem eleitores independente do que preguem e por mais que façam besteiras no poder, continuam com eleitores fiéis que nada questionam.

O que nos leva a agir dessa forma?

Essa pergunta é que me inquieta. Eu penso que isso tem um pouco a ver com o meu post de abertura do blog, onde digo que no fundo todos vivemos dentro de uma prisão social e estética. Talvez esse comportamento de torcer seja parte disso. Outra hipótese que não exclui a primeira tem a ver com meu segundo post, onde discuto os medos que eu sinto. Será que não sentimos tanto medo das coisas que nos cercam que precisamos nos apegar a qualquer fagulha que possa nos reconfortar? Escolhendo assim pequenos grupos para pertencer dentro do grupo social principal.

Maria Rita até hoje tem que lutar contra a idolatria existente em torno do nome de sua mãe
Maria Rita até hoje tem que lutar contra a idolatria existente em torno do nome de sua mãe

Uma amiga, a Lak, me disse numa conversa que sente-se próxima de crianças e animais deficientes (vale a pena ler o blog dela, o desculpe não ouvi da lista ao lado). Diz que sente empatia por eles. Talvez por ser deficiente (auditiva no caso dela), ou talvez por sentir apenas empatia e carinho mesmo. É uma linha interessante para se analisar.

De qualquer forma, existe algo, socialmente falando, que nos faz agir de forma totalmente irracional e que nos aproxima de pessoas que nem conhecemos ou temos contato. Eu gostaria de saber o que é? Você tem idéia? Se tiver, me mande sua opinião, vamos discutir o assunto….

Enquanto isso…

SAUDAÇÕES CORINTHIANAS A TODOS!!!