The Obvious Child – Paul Simon e Olodum

 

Hoje eu pude acordar mais tarde. Raro isso no meio da semana, é bom curtir o feriado. Pra quem não se lembra, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Mesmo eu sendo ateu, vale a pena lembrar do motivo da data. Não vou falar da história que cerca o surgimento da imagem, deixo isso pra alguém com mais fé e conhecimento sobre o assunto que eu. Mas vale a pena lembrar que não é feriado pelo dia das Crianças.

Não que o dia das crianças não seja importante, pra mim ele é. É até o tema central desse texto. Ando festejando essa fase da minha vida. Já falei a pouco tempo atrás dos Muppets que preencheram horas da minha infância quando eu tinha que ficar na frente da TV. Também coloquei uma foto de desenho animado em meu perfil do Facebook. Não achando que isso resolveria os maus tratos que muitas crianças sofrem, ou que acabaria com o abuso sexual por qual algumas crianças passam. Coloquei a foto apenas pra lembra que eu me preocupo com isso. Sem falar, é claro, que foi divertido procurar a imagem.

Coloquei a foto do Fantomas, o esqueleto metálico que combatia o dr. Zero e tinha como única fraqueza a desidratação. Eu adorava esse desenho, no dia em que busquei a imagem, me peguei sorrindo com os olhos marejados ao ver desenhos da série no Youtube.  Me lembrei até dos tempos do início da carreira de professor, quando os alunos me perguntavam a nota e eu de brincadeira imitava o jeito do vilão da série falar “ZÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ’ROOO”. Me lembrei dos meus pais e minha irmã (que vejo sempre ainda hoje), me lembrei deles no tempo eu que eu via esse desenho e percebo o quanto eles foram importantes para a formação de quem sou hoje. Aliás hoje eu percebo o quanto eu sou fruto daquele tempo.

Carrego muito do que fui quando criança. Carrego muito daquele período mágico em que apenas corria, brincava e fazia os deveres da escola. Engraçado como tudo naquele tempo era óbvio pra mim. Bastava fazer as coisas certas que tudo daria certo, era o que eu ouvia em todos os lugares e de certa forma tento passar isso adiante, tento falar disso com meus alunos, tento fazer deles pessoas que acreditem também nisso, que o primeiro caminho para que as coisas funcionem é fazer tudo de forma correta.

Até por isso a canção de hoje. The Obvious Child foi gravada por Paul Simon e o Olodum, acho o clipe sensacional e a música bem divertida. Feita numa época em que virou moda gravar com o Olodum, Michael Jackson e Paul Simon foram os mais famosos, e a meu ver Paul Simon foi o que se deu melhor, a música realmente encanta.

Ela fala da obviedade de muitas de nossas ações, a gente não pode negar aquilo que é óbvio, mesmo que queira, ver o que surge diante de nossos olhos é essencial. No caso é essencial percebermos que é óbvio que muito do que somos vem daquilo que já fomos quando menores. Que muitos dos nossos sonhos fizeram parte de nossas brincadeiras infantis e a que a gente não pode ter vergonha disso.

Se sou tímido hoje, eu já o era quando pequeno. Eu já gostava dos heróis que achavam que tinham que fazer o necessário, independente do que sofram. Vale mais o acordado do que a própria alegria. Desde pequeno eu era curioso e queria saber tudo o que me era possível. E sou tudo isso até hoje. Até os defeitos eu carrego desses tempos, mas deles não vou falar agora. Deixo pra quem convive comigo descobrir e tento passar uma falsa aura de perfeição para quem só me lê.

E você? O que carrega de sua infância até os dias de hoje? Algum dos sonhos que te move tem a ver com o que você brincava quando pequeno? Espero que todos tenham tido um dia das crianças perfeito.

Bohemian Rhapsody – Muppets

 

 

Não ia postar texto novo hoje, cheguei agora, cansado do trabalho. Mas tem datas que merecem ser lembradas e pessoas que merecem sempre serem reverenciadas. Não que eu tivesse isso anotado na agenda ou uma memória extraordinária. Na verdade como data marcante para hoje, eu só lembrava do início da primavera, coisa que até citei aos meus alunos ontem e que serviu de base para o post do dia da árvore no blog do meu novo projeto.

Acontece que cheguei em casa e fui pegar o material do curso em que sou aluno amanhã (as aulas de Astronomia aos sábados de manhã realmente estão divertidas, nem reclamo de ter que acordar cedo todos os sábados). Enquanto fuçava no computador, bateu a vontade de ouvir uma música, não lembrando do nome o que a gente faz? Apela ao Google como qualquer um na modernidade. Ai ao abrir o site me deparei com o doodle em homenagem ao Jim Henson (se alguém aqui achar que tem algo a ver com a banda Hanson eu mato…rs).

Pra quem não sabe, Jim Henson foi o criador dos Muppets, bonecos que eu adorava ver quando criança na TV, infelizmente perdi o Vila Sésamo, ele foi anterior a minha infância, mas de vez em quando, alguém mais velho que eu comenta com lágrimas nos olhos como foi assistir as peripécias do Garibaldo na TV durante a infância. Eu perdi essa, mas não perdi Caco, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo e outros.

Personagens que construíram uma parte do meu imaginário infantil. Personagens que me fizeram rir, chorar, ter medo, ter pavor e principalmente me divertir muito. Não vou entrar na onda de falar que eles eram melhores do que o que se tem hoje pras crianças. Sou dos que acredita que em muitos casos é impossível a comparação entre períodos tão distantes, cada geração tem seus mitos, seus heróis e seus vilões. Cada geração constrói a sua moral. E se eu acreditar que o que tem hoje é pior do que tinha no passado, devo aceitar a culpa por isso, afinal é a minha geração que hoje produz o que as crianças consomem.

Mas nem é disso que eu quero falar. Quero falar é dos devaneios infantis e adolescentes que vivi vendo os Muppets. De como me diverti tentando entender porque a Miss Piggy era tão canastrona e apaixonada pelo Caco, vez ou outra tentei rir de uma das piadas sem graça do Fozzie e sempre tentei entender afinal o que era o Gonzo. Escrever isso aqui tem mesmo um certo ar saudosista. Confesso que meus olhos marejaram quando me lembrei não só do que vi, mas das situações em que vivi quando tinha idade para ver o programa. O brincar na rua, o correr a vontade, o empinar papagaio e e ver TV nos dias frios sentado no sofá embrulhado num cobertor comendo bolinhos de chuva e tomando chá feitos pela minha mãe, invariavelmente com minha irmã do lado.

Isso me faz pensar em como o tempo passou e em como eu já fiz muita coisa, só não posso esquecer disso nunca. Não posso apagar o passado ou me prender apenas ao que não deu certo. Até porque a maioria das coisas sempre dá muito certo pra maioria das pessoas, é a gente que muitas vezes por causa de algum pequeno contratempo se prende somente às histórias ruins. Elas parece que grudam na memória de um jeito que não pode ser retirado. É preciso lembrar de coisa boa.

Por isso hoje nem falo muito da música que escolhi, ela está aqui só pra ilustrar o post e porque é um dos números mais divertidos que já vi com os Muppets,  a versão da música do Queen é sensacional. Até acho que só vi esse vídeo recentemente e não na minha infância, mas sinceramente pouco importa. Ele me trouxe boas lembranças de um tempo bom. E principalmente me fez acreditar, que os pequenos contratempos da vida servem só pra mascarar os ótimos momentos que vivemos diariamente. Nós nos prendemos nas coisas erradas, deveríamos curtir mais cada momento e até mesmo dar risada das piadas sem graça do bondoso Fozzie, amar com o fervor e a dedicação da Miss Piggy e ser sempre simpático e carinho como o Caco.

Você tem alguma lembrança assim de sua infância que te dá forças pra ver o dia melhor? Quer contar pra gente? Lembre-se, o espaço também é seu.