Time – Pink Floyd

Quase perdi a hora certa de dar flores a quem merece…”

Eu e o tempo, dois eternos inimigos, na verdade eu diria que eu sou o inimigo dele que não está nem ai pra mim. A música Time do Pink Floyd traz uma letra que traduz de forma bastante interessante o que eu quero falar sobre o tempo. Hoje quero brincar com algumas alegorias malucas em minha cabeça, idéias que surgiram de pequenas histórias que quero contar.

Primeiro devo deixar claro que quero novamente falar do tal instante decisivo em nossas vidas. Tudo tem um momento exato e eu como sempre sei que não tenho tato suficiente para perceber esses momentos e muito menos sei como agir na grande maioria deles. Provavelmente eu vá ouvir que grande parte da população mundial também se sente assim em relação ao que acontece em suas vidas. Confesso que não duvido disso, apenas uso isso como forma de garantir uma maneira agradável de expressar o que eu penso.

A primeira alegoria divertida vai para um fato ocorrido hoje (ontem afinal já é meia noite). Eu sou um cara que sempre adorou enviar flores, gosto mesmo da sensação que isso causa em algumas pessoas e também encaro como uma forma de dizer o quanto o carinho e a delicadeza dessas pessoas me encantam, a ponto de me sentir tentado a deixar um ser belo (quase tão quanto quem recebe as flores) e carinhosamente frágil aos cuidados de alguém. É algo que só faço com quem acho especial.

Mas voltando a história. Hoje voltei a fazer isso. Da maneira mais estapafúrdia e ridícula que se pode fazer isso, mas fiz. Tinha suas flores plantadas, tinha alguém para quem eu queria dar as flores e, de alguma forma consegui fazer isso. Atribuo o consegui mais ao tempo certo, o instante decisivo do que a forma como fiz. Se dependesse da forma como fiz as flores estariam mortas. Aliás, espero que a pessoa que as recebeu entenda que foi um gesto de carinho e não um livrar-se de algo. Coisa de homem tímido.

Esse foi um instante decisivo bom. Divertido até certo ponto, confesso que adormeci com um sorriso no rosto em meu almoço por ter feito isso. Afinal, quem levou as flores gostou, e elas sobreviveram sob os cuidados de alguém que eu acho especial. Tudo no tempo certo. Tempo certo que também se torna o cerne de uma segunda alegoria maluca. Terminei a leitura de um livro que mexeu bastante comigo. Mexeu a ponto de eu querer falar muito dele, algo que começarei hoje, porque tem tudo a ver com essa minha relação com o tempo. Tanto pelo fato de ter pego o livro no momento certo (acho que se tivesse lido anos antes não teria chegado a algumas conclusões e se deixasse para ler daqui a alguns anos, talvez nunca tivesse a chance de ler).

Para quem não leu, eu recomendo fortemente o livro Uma Longa Queda de Nick Hornby. A história dos quatro quase suicidas que se encontram no momento fatal na noite do ano novo realmente me comoveu e me fez pensar. Não estou aqui nem cogitando a hipótese de acreditar em forças divinas, deuses e anjos que possam vir salvar almas perdidas perto de se entregar ao medo. Não estou aqui também pra falar da luta pela vida. Apenas a idéia do tempo decisivo me interessa nesse instante. Próximos posts sobre cada um dos personagens principais virão a seguir.

O que vale ressaltar, e com grande importância pra mim. É que se todos não tivessem chegado no instante em que chegaram, a história (deliciosa de se ler, por sinal), não teria ocorrido, os 4 teriam se jogado e mesmo sem a real vontade de se matar, teríamos 4 corpos a mais no necrotério de Londres, nada que realmente fosse fazer diferença.

A verdadeira diferença surgiu do acaso e da sorte. Do aproveitamento do instante decisivo em que as decisões foram tomadas. Cada um podia decidir o que fazer e as decisões de um influenciaram os outros. Ai surge outro conceito temporal maluco. A reação em cadeia. Se um dos quatro tivesse se jogado, com certeza a história seria muito diferente. Cada um influenciou os outros e foi influenciado. Cada ação gerou diversas outras que no caso da trama, acabaram servindo de desculpa forte o suficiente para se evitar a morte. Não sei se funcionariam com um cara como eu, mas com certeza me fizeram pensar.

Aliás, o que faria você dar um passo atrás numa decisão forte como essa? Suicídio será um tema posterior, mas vale a pena já começar a coletar informações, o que faz você acreditar que vale a pena viver?

Sobre o Tempo – Pato Fu

Eu devia ter dito que ela estava realmente linda...

“Tempo, tempo, tempo mano velho” Este trecho da música do Pato Fu chamada Sobre o Tempo, é o resumo dessas minhas últimas semanas. Eu sempre briguei com o tempo, ele sempre foi meu inimigo máximo. Na maioria das vezes ele passa devagar demais, ou pelo menos da forma errada no tempo errado. Coisas que deveriam durar uma eternidade acabam durando segundos.

O tempo nessa semana voou enquanto eu tentava dormir, demorou a passar quando eu tive coisas chatas e situações complicadas, se evaporou quando eu precisava terminar algo em pouco tempo e congelou quando eu precisei esperar o tempo necessário para fazer algumas coisas. Eu sei que isso acontece com todo mundo, todo mundo vez ou outra reclama das mesmas coisas que eu, só mudam as ações que levam a reclamação.

Na verdade, só me lembro de uma pessoa que conheci e que fazia questão de dizer que o tempo sempre passou na velocidade certa, a gente é que tem que se acostumar com ele. A frase extremamente sábia eu ouvi de um pescador que saia todos os dias pro mar com seu barco na Ilha Grande, encontrei-o duas vezes em visitas que fiz à ilha. Gente boníssima, saia pela praia distribuindo os peixes que pegava em excesso e sabia que iam estragar, nós que acampávamos por ali adorávamos esse acréscimo em nossa refeição. Aqui vale um bom adendo, finalmente comecei a ler O Velho e o Mar do Hemingway. Peguei emprestado e acho que vou curtir muito o livro.

Mas voltando ao tempo, a forma como ele atua em cada um de nós a cada instante é extremamente irritante. Ainda mais quando existe uma diferença clara de expectativas em relação ao que vai se passar naquele momento. É como dar aulas pra uma turma, você num ritmo alucinante, e os alunos achando tudo aquilo lento e maçante, não encaixa e não funciona pra nenhum dos lados.

Ontem, especificamente ontem eu briguei com o tempo. Reclamei dele de forma rabugenta. Vivi momentos em que eu queria que ele passasse mais devagar e momentos em que sonhava com a ampulheta extremamente veloz que foram separados por segundos, milissegundos. Até entendo que algumas limitações pessoais tornaram essas brigas mais fortes do que realmente deveriam ser, mas foi o que senti.

Primeiro o lado da pressa, fiquei feliz com meus alunos, o que eles produziram foi de qualidade, mas confesso que ficar o dia todo (principalmente durante a manhã) num lugar extremamente lotado me fez um mal tremendo. Não reclamo do trabalho, eu até curto, o que não curto é passar mal por besteiras como essa, quem sabe me livro disso em breve.

O lado oposto tem muito a ver com minha timidez. Eu uma vez pensei em escrever versos falando da minha relação com o tempo (na verdade eu vou fazer isso, apenas agora preciso estudar mais o assunto). Um dos pontos que mais me intriga é algo que eu costumo chamar de tempo exato. Algumas coisas possuem o momento exato para serem feitas e vividas. Se um segundo antes atrapalham tudo e nada funciona a contento, se um segundo depois perdem a força e podem soar até de forma ofensiva e jocosa.

Passei pela perda do momento exato ontem, senti isso de forma bem próxima. De início, vi alguém que merecia um elogio e fiquei com uma baita vergonha de fazê-lo, primeiro porque eu não queria dizer que a pessoa estava bonita ontem, mas sim que ontem ela estava mais bonita que de costume, apesar de ser já muito bonita. E queria fazer isso de forma leve, sem parecer cantada barata. Pensei, pensei, pensei e acabei nem fazendo isso, perdi o momento. E tive sim meus momentos pra isso. Aliás, em certo momento até estive a sós com a pessoa, mas por timidez o papo não fluiu, fiquei sem saber o que falar e nem consegui caminhar na direção desejada, como dito posts atrás, entender e conhecer melhor alguém que me gera curiosidade (quem é eu não cito o nome nem adianta perguntarem, talvez a pessoa até saiba que é ela, enfim tempo ao tempo…rs).

Aliás nesse momento, que eu queria até certo ponto que fosse mais longo (principalmente se eu tivesse aberto a boca como imaginado), pareceu extremamente imenso quando percebi que parecia ser inconveniente naquele momento. Ai as pessoas se afastam. E o tempo que eu queria que durasse muito, acabou parecendo longo demais.

É com essa dualidade que não sei lidar, com o jogo que envolve o outro, com a forma como a expectativa do outro altera a minha noção temporal, ainda mais quando não consigo fazer uma leitura clara da outra parte. Conheço gente que lê as pessoas como lêem um livro estilo Fogo no Céu ou o Rabo do Gato, livrinhos infantis com poucas frases, utilizados para alfabetização. Por outro lado, eu faço parte daqueles que encontram na leitura das pessoas a mesma facilidade que teria ao ler Ulysses do James Joyce numa versão em aramaico ou russo.

Quem sabe um dia eu aprenda. Quem sabe eu consiga também aprender a manusear de forma correta o tempo, e pare de perder estes instantes decisivos (justo eu que me considero um fotógrafo razoável perco instantes decisivos). Quem sabe eu aprenda que a ter o timing, faça o tempo realmente correr macio e ser um amigo legal pra mim, parando de reclamar.

E você? Reclama muito do tempo? Quais as suas grandes reclamações temporais? Aguardo seu comentário.