Mil Pedaços – Legião Urbana

 

 

Hoje eu nem sabia sobre o que falar. Ainda meio entorpecido pela boa semana fiquei meio sem assunto. Mas iria abandonar o blog? De modo algum. Então resolvi pegar minha playlist e escolher uma música qualquer. Fazer dela o tema do post. Gosto de ouvir bastante coisa, vou de Beatles a MPB, vou de música clássica a algumas bandas de Hard Rock, gosto de alguma coisa de Black music e até música eletrônica. Então dá pra imaginar que a lista é bem grande.

Grande como é nosso planeta, semana passada, por exemplo caiu um satélite desativado aqui e alguns meios de comunicação diziam que os destroços cairiam em uma área que se levada a sério poderia ser traduzida apenas como qualquer lugar do planeta. Aliás ai vai o mote pra escolha da música de hoje. Fazia tempos que eu não escutava Legião Urbana, não que eu realmente tenha sido um fã da banda, conheço a discografia como todo adolescente dos anos 90, ouvi muito os discos, principalmente o Quatro Estações, acabei, entretanto escolhendo uma música de outro disco, o Tempestade..

Acho que vale a pena falar da música porque ultimamente tenho visto gente próxima ter sua vida destruída. Espalhada em pedaços pequenos difíceis de se juntar. Fico pensando em formas de ajudar. Sempre cada caso é um caso, mas existem coisas que acabam por se repetir. Como os pedaços do satélite que caíram numa região mais ou menos previsível, na maioria das vezes é previsível saber o que vai nos fazer chorar.

Falo isso de forma consciente. Sei que vivo um momento bom e positivo. Gostaria que todo mundo pudesse sentir-se bem. O problema é que isso dá trabalho, nem sempre é possível focar no que realmente funciona para melhorar o ânimo. É difícil se prender nas pequenas coisas que acontecem e na nossa essência. Mais fácil viver o momento isolado e ai ir do ápice ao medo em segundos de acordo com a sensação do momento.

Tirando raros casos em que tudo realmente parece conspirar contra a pessoa. Geralmente só nos despedaçamos quando deixamos um único fato nortear todas as nossas sensações. Quando diante dos nossos olhos apenas uma coisa parece realmente importar. Quando isso vai bem, parece que tudo está perfeito, quando vai mal, todo o resto para de funcionar.

Temos várias facetas em nossa vida, a profissional, a amorosa, a familiar, a social, enfim, qualquer esfera que resolvermos criar. Nunca todas as facetas vão andar com perfeição. Sempre vai existir um ponto a melhorar, é isso que nos dá ânimo pra continuar acordado, fazendo as coisas que devem ser feitas e lutando. É esse lado a melhorar que alimenta nossos sonhos.

Por outro lado, vale também o oposto. Nunca tudo vai dar errado em nossa vida. Sempre alguma coisa funciona, mesmo que a gente não consiga perceber. Na verdade, perceber isso é o que pode ajudar a manter a nossa sanidade quando alguma coisa ruim acontece. Nesses momentos mais complicados devemos nos prender a isso, ao que funciona, só assim encontramos forças para corrigir o que dá errado.

Sei que é pouco, mas foi a forma que encontrei para ajudar meus amigos que passam nesse momento por alguma dificuldade. Lembrem-se que sempre tem algo que funciona e se apeguem a isso. Não deixem a vida de vocês ruir em pedaços. Vocês são muito maiores do que a dor que sentem.

 

O Mundo Anda Tão Complicado – Legião Urbana

ser comum não nos faz menos importantes no mundo que nos cerca

Hoje voltando pra casa da Escola lembrei-me de um filme. Confesso que um filme comum, bem blockbuster mesmo. Acho que quase todo mundo já viu Forrest Gump. O personagem é levado pela vida, toma parte dos maiores fatos da história americana sem realmente querer isso. Um tipo de herói diferente, que nem percebe o que faz, apenas mantém a sua essência a todo mundo. Fazendo de tudo para ser uma pessoa comum.

Isso me lembra uma música da Legião Urbana. O mundo anda tão complicado (clique para ver e ouvir) fala de um casal em mudança pra uma casa nova. Gente comum que passa por problemas comuns e situações comuns. Quase como Forrest, que age de forma comum, mas em sua simplicidade se sobressai.

Esse é o ponto do texto de hoje. Raramente percebemos que somos únicos na nossa simplicidade. Como Forrest, a nossa simples existência altera o mundo que nos cerca, tanto de forma positiva quanto de forma negativa. Eu mesmo gostaria de ser apenas um mero observador, mas sei que tudo aquilo que faço altera a vida de todos que me cercam. Eu sei que já falei sobre esse tipo de coisa antes, mas agora quero explorar outro lado.

Viver com essa responsabilidade toda deveria ser algo complicado. Não sei quanto a vocês, mas pra mim, tudo isso me parece um peso enorme para apenas uma pessoa carregar. É claro que eu não estou dizendo que tudo o que acontece de bom ou de ruim é culpa minha. Nem me acho tão importante assim. Mas o que me preocupa é saber que minhas ações criam outras ações sobre as quais eu nem saberei o efeito. Sem perceber posso agir muito bem para uma pessoa e muito mal para outra.

Como se viver por si só já não fosse um peso muito maior do que eu me sinto apto a carregar. O bom senso me faz lembrar de mais um peso em nossas costas. Confesso que ao pensar nisso me pergunto como a maioria das pessoas consegue seguir adiante com suas vidas sem ligar pra isso. Como conseguimos ser tão mesquinhos a ponto de não pensarmos nas conseqüências de nossos atos mais comuns? Aliás, o que mais percebo é que raramente pensamos até nos nossos atos que nitidamente influenciam na vida dos outros, como votos, regras sociais e outros.

Nossa espécie é mesquinha, como provavelmente muitas outras também o são. Acreditar que só os humanos fazem o mal é dar-se uma importância maior do que realmente merecemos. Esse excesso de prepotência, o achar que somos realmente importantes talvez seja a chave do problema. Olhamos demais para o nosso próprio umbigo sem notar que isso afeta tudo o que está ao nosso redor.

O peso de viver com essa informação é muito grande, ao menos para mim. Confesso que não tenho coragem nem força pra suportar esse peso e muitos outros que temos que carregar só por estarmos vivos. Acho difícil e penoso fazer qualquer coisa levando isso em conta, pois é maravilhoso descobrir que alguém se alegra por algo que fizemos, mas como agir quando percebemos que nossa ação faz alguém chorar?