New Years Day – U2

 

 

E o ano começou, me lembro que no dia 3 de janeiro do ano passado abri fiz um post falando meio que por cima das minhas listas. Podia fazer o primeiro post do ano apenas retomando o que prometi fazer em 2011 e tentando uma nova lista para 2012. Seria o mais comum e até certo ponto lógico.

De certa forma até pretendo fazer isso, mas não como sendo o único ponto do texto. No post anterior eu disse que tinha ido ao cinema e que havia assistido ao filme O Palhaço. Falei do problema que tenho com alguns rituais estranhos nas artes. Na verdade formas de ação que mais afastam do que agregam público, nisso citei a simplicidade do circo.

Volto hoje a falar do filme, não dos personagens, mas de uma fala que me chamou a atenção. Em duas passagens do filme personagens diferentes dizem que são o que são, como se isso fosse determinado e eles não tivessem poder de escolha. Eu até já falei de algo similar em um outro post antigo, quando utilizava o livro Uma Longa Queda do Nick Hornby. Um dos personagens é um músico frustrado e no final ele percebe que realmente é um músico, e isso nada tem de ruim, ele pode não ser um músico de sucesso, mas isso não o torna menos músico.

No caso do filme, o personagem principal passa por uma pequena crise. Um palhaço que não sorri (ok isso é clichê, todo mundo viu isso inúmeras vezes, mas no filme a ideia funciona) e que busca sua felicidade. Um palhaço que não consegue aguentar a pressão de toda a responsabilidade que cai sobre seus ombros como herdeiro de um circo mambembe, com baixo faturamento andando de cidade em cidade.

E ele é realmente um bom palhaço, faz rir, encanta. Tenta trabalhar em outra coisa num determinado momento e é nesse trabalho em que em determinado momento ele tem um estalo e se descobre pronto pra voltar pro circo. Ele continua um palhaço.

Acho que essa ideia deve ser levada adiante. Pelo menos até certo ponto. Sim, nós realmente somos o que somos. Temos nossas características que não devem ser modificadas. Entretanto, isso não pode nos barrar de fazer mais coisas, ou até de ampliar nossos horizontes.

É com esse pensamento que eu tento organizar minha lista desse ano. Quero manter que eu sou e ampliar meus horizontes. Não quero mudar, quero acrescentar. Do que planejei ano passado, consegui quase tudo (era a lista do ano anterior), só faltaram as coisas que não dependiam apenas de mim.

Poucos posts antes desse eu falava de como estava feliz com alguns resultados que obtive nesse ano que acabou. Realmente eu sinto que me encontrei. De certa forma me tornei o palhaço que descobriu finalmente o que é. Isso me deixa mais tranqüilo para partir em busca de outros sonhos. Finalmente tenho a certeza de ter feito a escolha certa num ponto importante da minha vida. E isso não me impede de seguir adiante, de fazer mais coisas. Como o personagem do Selton Melo, eu sou o que sou e por isso faço. Como o JJ do livro do Nick Hornby, eu mesmo não sendo o melhor do mundo no que faço eu ainda sim sou representado pelo que faço. Eu sou sim um escritor, sou sim um poeta, sou sim um fotógrafo, sou sim professor.

É tudo isso que me faz o homem que sou. Meus versos, minhas frases, minhas fotos, meu caráter. Não preciso esconder isso. Não preciso fugir de nada ou de ninguém. É esse o meu princípio para 2012. Ser quem eu realmente sou. Quero lançar um livro novo, quero ver esse blog crescer, quero conhecer gente, quero ser feliz, quem sabe com um novo amor. Quero cuidar um pouco mais de mim.

Das minhas palavras, dos meus sonhos, dos meus desejos. Quero ver o sol nascer na praia. Quero ouvir música, caminhar no parque (quem sabe de mãos dadas). Quero viver histórias que nunca consegui viver. Quero escrever coisas que nunca imaginei. Quero fotografar momentos que eu nunca havia parado para perceber.

Eu quero desacelerar. Quero porque sei que posso. Sei que não preciso provar nada para mim, afinal eu já sei do que sou capaz e aprendi a respeitar minhas limitações. Sei que tenho qualidades e é em cima delas que eu pretendo viver.

Que 2012 seja meu primeiro ano livre de medo!!!

O que você espera desse ano?