River Runs Red – Midnight Oil

Buscando o equilíbrio entre o natural e o industrial


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Engraçado como muita gente veio falar comigo depois do último post. Alguns vieram me perguntar se eu tinha me tornado um eco-chato radical, outros falaram que eu estou dizendo que o mundo todo está errado. Teve gente que falou que eu estava pegando leve demais. Enfim, li coisas dos mais diversos tons e no fundo pouca gente realmente apontou problemas nos próprios hábitos.

Vejam, eu estou longe de ser eco-chato ou eco-xiita. Um dos meus motes em relação ao tema é que nenhuma proposta preservacionista pode ser séria sem levar em conta a economia. Como disse no post anterior, muito mais fácil pra alguém com um bom salário mudar seus hábitos de consumo do que pra alguém que sustenta sua família com 1 salário mínimo. Mas algumas coisas podem e deveriam ser feitas por todo mundo.

Sobre o aquecimento global, eu sou daqueles mais céticos, dos que acreditam que parte do problema está ligado ao ciclo do planeta, algo além do homem. Porém, a meu ver isso é até pior, afinal se for algo natural, mudar o quadro pra deixar o planeta habitável para nós torna-se ainda mais complicado. Mas nem é esse o ponto importante agora e sim o motivo que me leva a pensar em ações mais digamos assim ecologicamente corretas.

Fechar a água enquanto escova os dentes é básico, não requer nada demais, assim como evitar jogar o óleo das frituras direto pela pia, separar esse óleo ajuda a manter a pouca água que temos. Sem falar que conheço gente que faz sabão a partir desse óleo, desperdiçar para que? Vale o mesmo para as luzes, deixar cômodos acessos sem ninguém por perto. As vezes na mesma casa 4 tvs ligadas no mesmo canal, com uma pessoa em cada uma. No mínimo vale a pena pensar na própria conta que se paga.

O ideal seria todo mundo morando perto do trabalho, perto o suficiente pra desafogar o trânsito e principalmente o transporte coletivo. O sonho de consumo seria conseguir ir a pé ao serviço e na hora do almoço ainda conseguir almoçar em casa. Isso não é a realidade para muita gente, eu diria para a grande maioria das pessoas. Conheço gente que mora num extremo e trabalha em outro da cidade. Eu mesmo moro a 25 km de distância do meu trabalho e infelizmente não existe um método fácil de chegar lá fazendo uso de transporte coletivo. E ai o jeito é carro, pra piorar uso o carro sozinho, tenho uma baita dificuldade em achar um lugar pra parar o meu carro e sei que isso acontece com diversas outras pessoas, isso se reflete em trânsito, poluição e irritação.

Dá pra extrapolar a linha de raciocínio pro consumo também. Confesso que vários produtos deixaram de fazer parte da minha lista de compras pelo simples fato de virarem lixo. Frios são um bom exemplo, leite, iogurte idem. Frutas eu também compro quantidades mínimas. O pensar nos próprios hábitos de consumo antes da compra é também uma forma simples de fazer a sua parte. Comprar algo que não vai ser consumido? Desperdiçar? Uma outra forma simples de agir é escolhendo os produtos também pelo tipo de embalagem. Se você faz uso de um copo que serve de embalagem a um produto, nada é jogado fora, mesmo que venha escrito no outro embalagem biodegradável.

Um exemplo clássico disso é o dos refrigerantes em embalagens de alumínio ou PET. Que estes materiais são recicláveis, ninguém questiona, mas no tempo das embalagens de vidro (que também é reciclável) tinha algo pra ser jogado fora além da tampa? É algo a se pensar.

Reparem que eu não prego aqui o fim do consumo ou mudanças radicais, até porque as pessoas precisam de emprego e este vem da movimentação da economia, inclusive pelo consumo. A única coisa que prego aqui é que devemos ter consciência do que nossas opções causam e não apenas em relação ao meio ambiente, mas sim em todas as áreas de nossa vida. Nem sempre um pedido de desculpas é suficiente para resolver uma situação causada por uma escolha errada.

Só temos que lembrar que não é só a gente que faz uso do planeta. Que tem um monte de outros seres vivos que usam água, ar e solo. Temos que lembrar que tem gente pra caramba no planeta e que essas pessoas também precisam de água, comida, condições de sobrevivência. Esse lembrar que o mundo não gira ao redor da gente, mas sim que só somos uma parte ínfima de tudo o que acontece talvez seja importante. Importante pra que a gente consiga sempre ser alguém melhor. Afinal, se o rio corre vermelho, a culpa também é nossa…

Nem um dia – Djavan

O que fazer pra deixar esses dias e esse mundo menos cinzentos?

“Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide”

Esses versos dessa música do Djavan (que eu ouvi ontem a noite enquanto voltava pra casa do trabalho) serve de mote pra minha fala aqui hoje. Eu gosto de muita coisa que o Djavan escreveu, não é dele que eu vou falar. Provavelmente nem deva falar por aqui do que o Djavan realmente quis dizer nessa canção.

Ontem foi sim um dia frio. Cheguei em casa cansado. Enquanto eu dirigia, me via sentado no sofá, coberto com um edredon, tomando chá, comendo bolacha e lendo um bom livro. Qual livro? A pilha de livros a serem lidos ainda é imensa, gigantesca. Uma rápida observação na mesa já apresentou títulos como Memórias de uma Gueixa, Cães de Guerra (esse releitura), O Caçador de Pipas e diversos outros que não consigo ler o título daqui de onde escrevo este texto. Nossa estou atrasado!

Não só eu estou atrasado, todos estamos. Todos vivendo dias frios demais, dias quentes demais. Dias diferentes. Tudo ao nosso redor muda a todo instante e qual a nossa ação sobre isso? Quase nenhuma. Fala-se muito em aquecimento global, discute-se qual o papel do homem nesse processo todo, será que é natural? Será que é antrópico? Será?

É ai que a coisa fica complicada. Ficamos no será. Eu sou biólogo de formação, ligado a questões ambientais, discuto isso com meus alunos. Devem imaginar que eu seja um exemplo de consumo consciente, uso racional de recursos e tudo mais certo? Errado. Apesar de tudo eu passo bem longe disso. Meu consumo de energia elétrica ainda é alto (está diminuindo), água é baixo, tudo bem. Ainda produzo mais lixo do que deveria e faço uso do carro pra quase todo lugar pra onde eu vá. Só pra chegar ao trabalho entre ida e volta são 50 km diários com apenas uma pessoa no carro. Desperdício total de energia.

Eu separo o lixo, escolho produtos que gerem menos resíduos, algumas empresas foram cortadas do meu consumo por práticas com as quais eu não concordo e até aceito pagar um pouco mais por um produto que venha de uma empresa com uma postura que eu concorde. Esse é o lado que eu posso fazer. Mas confesso que é pouco e mais ainda, percebo que nem todo mundo faz coisas desse tipo, não por ignorar a questão ambiental, mas sim por falta de opção.

Imagino uma família de 4 pessoas que sobreviva com 1 salário mínimo e pague aluguel. O único referencial de compra vai ser o preço e, provavelmente, eu acabe sendo um poluidor bem maior do que essa família só pelos meus hábitos de consumo vinculados ao meu estilo e padrão de vida.

Entrei nesse tema porque nos últimos dias tenho ouvido muita gente reclamar de lixo jogado nas ruas, falta de energia, engarramentos, poluição do ar, mudanças ambientais estranhas. Vejo e ouço as reclamações, mas o que se observa sendo feito? Nada ou quase nada.

No condomínio onde moro mesmo, eu separo o lixo e o entrego de forma separada, o que é reciclável coloco em uma caixa e o que é pra ser levado pelo sistema de coleta coloco em sacos. Já vi o catador de lixo que recolhe o meu material reciclado retirar alguns produtos recicláveis das caixas de papelão e colocar no outro monte porque segundo ele não vale a pena vender aquele material. E isso porque eu sou um dos únicos moradores aqui do condomínio a separar o material. Ou seja a preocupação dele é apenas com o lucro pessoal e não com o reciclar. Assim como a maioria das pessoas produz uma quantidade absurda de resíduos e nem se dá ao trabalho de separar o que pode ser reutilizado.

Todo mundo acaba pensando demais em si e de menos no mundo. Todo mundo quer curtir de alguma forma o dia frio, transformar os dias tristes em alegres, mas nunca pensam de onde vivem. Esquecem que sem o planeta não viveremos, que esse planeta está cada vez mais frágil e que nem todas as riquezas do mundo podem trazer alegria a esse mundo se a gente não fizer a nossa parte.

Sei que a música fala provavelmente da lembrança de uma pessoa especial. Sei também que hoje nem tenho essa pessoa e tenho falado muito disso por aqui. Sei também, entretanto, que sem ter onde não adianta muito o quem. Sem o planeta os dias não seriam nem tristes e eu nem poderia pensar em ninguém, porque ninguém existiria.

Não estou aqui fazendo apologia de ecochato, nem quero que as pessoas façam mudanças radicais, só gostaria que cada um fizesse a sua parte, o mínimo para que quem sabe a gente consiga aproveitar esses dias frios de forma mais justa, mais pessoas e por mais tempo, sem que esses dias se tornem dias de desgraça como uma resposta vingativa do planeta.

Você acha que poderia mudar alguma coisa em seus hábitos? O que? Eu tenho que gastar menos energia elétrica e menos combustível fóssil.

Ensaio Sobre a Cegueira…

Vista do Pico do Jaraguá - linha de poluição
Vista do Pico do Jaraguá - linha de poluição

Volto agora a discutir o olhar de cada um. Faço isso devido a conversas com amigos. Um termo que surgiu “cegos funcionais”, ficou martelando na minha cabeça. Primeiro porque não é a primeira vez que me deparo com esse tipo de discussão, e a primeira vez que me deparei com essa discussão e aprendi muito. Segundo porque como fotógrafo, uma das minhas maiores diversões é buscar cenas óbvias que apesar de óbvias são vistas por poucas pessoas. E terceiro, me intriga ver a quantidade imensa de pessoas que não percebe a imensa quantidade de informações que passa diante dos seus olhos a cada segundo.

O título do tópico vem de um livro que me marcou, de certa forma ele representa um instante extremamente importante da minha vida. O livro sempre me traz ótimas lembranças. E justamente essa tal cegueira funcional pode ser um dos temas levantados a partir da leitura da obra de Saramago. Não vou me alongar no que traz a obra, até porque é um livro que eu acredito que você leitor do blog merece descobrir página a página, aliás recomendo que você leia o livro antes até de ver o recente filme.

Mas voltando ao tema. Primeiro quero falar de modo mais sutil, voltando a imagem que abre o tópico, não a cena, mas o fato concreto, observe essa foto, ela foi batida no Pico do Jaraguá em São Paulo, local de onde se pode avistar grande parte da cidade. A foto está razoavelmente bem feita, as cores estão bem vivas e a cena é relativamente bonita. Outra foto também da cidade de São Paulo, o céu anoitecendo e o vermelho forte deixa a cena bastante bonita e interessante. 

Qualquer um gostaria de ver essas cenas, de poder estar em locais em que isso é bem visível, certo? Errado A beleza das cenas nesse caso provém de poluição, o ar sujo da cidade grande acaba proporcionando essas belas cenas, cheias de cores fortes e contrastantes. 

Belo e poluído
Belo e poluído

Mas o que isso tem a ver com o olhar? Podemos escolher duas linhas para tratar o assunto, a primeira e mais rapidamente apresentável é a de mostrar que as aparências não mostram nada, que o que vale é realmente aquilo que se é e não o que se apresenta. Mas isso seria um caminho extremamente moralista e não é exatamente o que eu procuro como mote aqui nesse espaço. 

O segundo e para mim mais interessante caminho é o de que a informação possui um peso diferente para cada pessoa. Não exatamente como o texto anterior onde a visão de cada um podia levar a um caminho diferente. Nesse caso o que vale é a informação que cada um possui. 

As cenas são visualmente belas, mas quando temos a informação do que traz a beleza para as mesmas, talvez nossa opinião mude. Talvez, entretanto possamos seguir outra via, dizendo que é o preço que se paga pelo progresso. E se assim for o que se faz é apenas um juízo pessoal de valores. A pessoa com a informação tira as conclusões que desejar. Eu posso olhar para o preço do dólar baixando e achar interessante pela valorização do real ou ruim pela dificuldade de exportações e em nenhum dos casos estarei errado. 

E isso é bastante interessante no que se refere a possibilidade de podermos crescer como pessoas. A questão é saber se estamos abertos a ouvir novas opiniões e discuti-las. Se assim for ótimo. Caso ocorra o contrário, a intolerância e a violência acabam ganhando mais válvulas de escape, temos que perceber que nem sempre estamos certos (acho que na maioria das vezes erramos) e por isso é necessário aprender a ouvir. 

espuma nas águas do rio Tietê em Santana do Parnaíba
espuma nas águas do rio Tietê em Santana do Parnaíba

Obs.: falando nisso, gostaria de ouvir o que vocês leitores acham desse espaço, mande uma mensagem para que a gente possa interagir sobre os temas discutidos, participe, mande sugestões de temas e idéias.

Obs(2).: Aos que acompanharam o drama da Claudia com a perda de seu cão, temos uma boa notícia, ele foi encontrado!!!!