Mosaicos

https://open.spotify.com/playlist/6XdOqFV44WZEocAAxEhP7J?si=-V4zgO8ZRfu5di8bpC-CAA

Recebi várias playlists, algumas com títulos mais profundos, outras com títulos até óbvios quando se conhece quem as enviou. Na leitura delas é engraçado perceber que raramente elas chegam a conversar entre si. Pessoas diferentes, de lugares diferentes podem até ter uma linha similar, mas os caminhos e mesmo as ideias passadas quando se recebe o material mostram-se completamente diferentes.

Vejo isso como a real riqueza humana. Somos diferentes de tantas formas que se torna quase impossível que duas pessoas façam a mesma coisa do mesmo jeito para chegar ao mesmo lugar sem que este seja um protocolo geral da nossa espécie.

E onde quero chegar com isso? Recebi duas trilhas com nomes que até são diferentes, mas que levam a uma mesma direção. Uma delas é esta que acompanha o texto e a outra virá em breve. Ambas na minha cabeça parte da mesma premissa, somos a soma de tudo aquilo que vivemos, convivemos, recebemos e doamos. Somos fruto de diversos atos coletivos. Só que não é a minha ideia fazer textos repetidos, então fui atrás de novas audições das trilhas e principalmente de tentar fazer uma leitura mais particular de quem me enviou cada uma delas.

Então pego justamente este primeiro texto pra tentar imaginar quais foram as cenas que servem de fundo pra criar o grande mosaico que hoje é uma pessoa adulta, com seus sonhos e medos. Cada um de nós formou-se assim, vivendo experiências que vão abrindo nossos olhos e mentes para novos caminhos e de repente chegamos em um lugar que nem imaginávamos ser possível, muito diferente dos desejos da primeira infância, onde até pensamos em carreiras pomposas, mas justamente por ser tudo o que a gente imagina que existe.

Não acompanhei a infância de quem me mandou a playlist, mas posso dizer com certeza que vi de perto parte da adolescência e com a proximidade da idade adulta a própria vida e carreiras resolveram nos afastar, como nos afastamos de diversas pessoas. E isso é extremamente necessário. Se somos a soma das experiências, quanto mais novidades na vida de alguém mais essa pessoa tem a chance de crescer. Mais mundos ela tem tempo de visitar e mais camadas terá o adulto que surgirá no final.

Nem toda marca deixada/recolhida será positiva. Nem todo contato será bom. Algumas experiências machucam, outras são totalmente descartáveis e de repente surge aquela que não nos toca de maneira profunda num primeiro momento, mas anos depois vem descrita numa frase que usamos muito e nem sabemos o motivo. Uma comida que passa a ser a nossa preferida ou mesmo uma música que entra na nossa playlist e parece destoar de todo o resto.

Sim, nós somos uma grande mistura. Se por fora aparece uma única camada, nem precisa aprofundar muito para ver que logo abaixo, quando vistos bem de perto, milhares de pequenas partes de tamanhos formas e cores diferentes é que realmente nos dizem quem somos. Nossa essência vem daí, e é ela que dá toda a beleza do que é visto na superfície. É o que nos faz únicos.