Já sei Namorar

o amor da sua vida pode estar muito além de onde sua vista pode alcançar

Sexo virtual foi o tema de terça-feira. Hoje ainda continuamos no mundo virtual, mas em outra instância. Ainda nos relacionamentos, mas agora falo dos namoros virtuais, relacionamentos que nascem e crescem na internet e do uso da ferramenta para manter e aquecer alguns relacionamentos.

Como tenho feito nos últimos posts, coloco um link pra um clipe de uma música que serve de título para o post. Hoje resolvi usar Já sei namorar dos tribalistas, clique aqui para ver o vídeo no youtube. Os Tribalistas foram um projeto de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, consta que reunidos para gravar um disco solo do Arnaldo Antunes, os 3 começaram a compor algumas músicas e resolveram lançá-las em um cd. O resultado fez muito sucesso no Brasil e algum sucesso no exterior.

A música escolhida fala da frivolidade das relações hoje, afinal diz que já se sabe namorar, beijar de língua, só falta sonhar mesmo, porque o resto todo já se sabe. Um verso entretanto me chamou a atenção, logo na primeira estrofe aparece a seguinte afirmação: “Já sei onde ir/ Já sei onde ficar/ Agora, só me falta sair” realmente para muita gente falta sair. Falta partir para o mundo real e é esse o mote.

Não estou em uma campanha contra o mundo virtual, afinal eu mesmo passo horas e horas por semana usando a internet para as mais diversas atividades. Apenas estou tentando dissecar parte do que ocorre aqui no mundinho virtual. Nesse aspecto, também não quero dizer que todo mundo deve ganhar as ruas e se relacionar com todo mundo das mais diversas formas. Apenas quero falar que tem gente que só se relaciona via computador.

Diferente do pessoal da terça-feira, que faz do sexo virtual sua única forma de sexo, as pessoas que fazem uso da internet para namorar buscam outro tipo de satisfação, não é um prazer mecânico, mas sim uma ação emocional e sensorial. As pessoas querem se conhecer, querem sentir-se amadas e querem amar. Para tanto precisam de alguma intimidade com outras pessoas e essa intimidade é o namorar.

Onde as pessoas se conhecem? Locais costumam ser padrões, como trabalho, vizinhança, escola, igreja, clube, cursos, enfim, quaisquer lugares onde se tenha espaço para ser visto e tempo suficiente para se mostrar quem realmente se é. É claro que existem os casais que se formam nas baladas e em encontros fugazes e mesmo assim passam a vida toda juntos, mas a regra é as pessoas se conhecerem e se empolgarem com um certo tempo de contato.

Nesse ponto a internet acaba tendo certas vantagens, visto que, o que se vende são apenas as idéias, as imagens muitas vezes são forjadas (idéias também, mas isso é mote pra outro post), as pessoas falam o que pensam e emitem opiniões e acabam por agrupar-se de acordo com o que pensam. Ai podem surgir relacionamentos desse contato virtual, não pelo interesse físico, mas por um suposto interesse de idéias.

Parte desses relacionamentos sobrevive todo o tempo no mundo virtual. Pessoas de países diferentes, cidades diferentes, mundos diferentes conversam entre si através de um computador. Chegam a virar confidentes e, de alguma forma estranha, chegam mesmo a enamorar-se mesmo sem o contato físico e real. Aqui, entretanto, diferentemente do que disse sobre sexo virtual, o peso da imaginação é bem menor, é claro que existe, mas existe também uma pessoa real, que imagina-se saber o que pensa sobre determinados assuntos e é justamente por essas idéias que as pessoas se apaixonam. Existem casos que vão pro mundo real e dão certo e casos que naufragam (eu vou falar desse tipo de coisa no post de domingo).

As pessoas criam encontros virtuais e marcam horários com chats e câmeras com a mesma seriedade que se vai com a(o) namorada(o) ao cinema ou a um restaurante. Raramente é algo escondido, não existe motivo pra isso ser escondido, existe cobrança, existe o tal relatório diário de como foi seu dia, existem todas as convenções de um namoro real, afinal para os envolvidos é um namoro, apenas sem o contato físico que existe nesse tipo de relação. Para mim, alguém ligado ao mundo real a história inicialmente pareceu coisa de louco. Conversando com gente que passou ou passa por isto comecei a entender a lógica.

Para quem namora por computador, isso não é forma de suprir carência, é apenas a maneira que encontraram de se aproximar da tampa de sua panela independente do local onde ela esteja e em muitos casos, realmente existe uma passagem para o mundo real. Esse tipo de relacionamento não é para todo mundo, eu não me veria realmente preso a alguém que não vá ver e tocar e que mora a uma distância irreal de mim, mas tem gente que encara isso e até mesmo se programa para diminuir essas distâncias. Cada um sabe como lida com aquilo que lhe incomoda. No fundo, o que importa é que as pessoas sempre partam em busca de sua própria felicidade.

People like us

No fundo só procuramos alguém que seja como olhar num espelho

Tem um filme do David Byrne chamado True Stories, de 1986 que sempre me vem na memória. Nunca achei pra comprar, acho que nem saiu em dvd, o que é uma pena. O filme funciona como uma espécie de colagens de clipes para o álbum do mesmo nome, pelo youtube, eu até ia colocar o link, mas não achei o da música que eu queria. People Like Us. Aliás até achei o filme todo, mas o trecho que eu queria é o único sem som e ainda partiram justamente essa cena no meio.

Por que justamente essa música? Aliás desse filme eu até poderia ter escolhido outros exemplos pra falar de relacionamentos amorosos, como Love for Sale, ou mesmo Wild Wild Life. E na verdade Love for sale foi minha primeira opção, confesso. Mudei de idéia depois de um bate papo agradável e inesperado.

Imaginem a cena, pós ressaca do dia dos encalhados, ops namorados, 6 solteiros, 3 homens e 3 mulheres, sentam-se num bar por duas horas para um papo rápido regado a coca-cola, batata-frita, h20h e cerveja (pras meninas). Adultos, jovens, solteiros e de certa forma querendo encontrar alguém especial. Conversa vai, conversa vem e ai surge o mote que eu precisava pra escrever este texto. O que acontece que tem tanta gente solteira por ai?

No filme, tem um solteirão a procura de casamento e justamente quando ele canta a música título na tevê encontra a mulher de sua vida, que sensibilizada acaba indo atrás do cara. Afinal ele só quer alguém como ele. O que no fundo é o que todo mundo busca, ou não? Ai talvez paire a dúvida, buscamos alguém como somos ou como imaginamos que somos?

Deixa a metafísica pra depois, ainda tem alguns assuntos a serem retomados da conversa no bar. A primeira coisa a ser ouvida foi que não existem homens no mercado. Nós rebatemos dizendo que as mulheres estão muito exigentes, afinal, as mulheres dizem que até existem homens, mas eles são canalhas. E no fundo fica esse de empurra empurra. Analisando friamente talvez todo mundo estivesse certo e errado ao mesmo tempo. Certos porque não existem mesmo as pessoas que aparecem em nossos sonhos, certos porque exigimos aquilo que achamos ser o que merecemos e merecemos muito, certos porque tem gente que realmente só pensa em si e no seu prazer. Porém, estamos errados também, errados porque muitas vezes existem pessoas e não nos arriscamos, errados porque alguns dos desejos da outra parte são simples e justos e não queremos ceder e errados porque esquecemos que vivemos num mundo real.

Um mundo real onde as vezes a carência nos leva a fazer besteiras como se aproximar de pessoas erradas justamente por medo e receio de ficar só (e ai vale o post anterior onde falo de enamorar-se), ou fugir de todo mundo porque achamos que todo mundo vai abusar da nossa dedicação.

Tem gente que leva isso tão na boa e nunca entra em crise, solteiro ou acompanhado segue sua vida tranquilamente,tendo as crises que todo mundo tem. Tem gente que não, que sofre sempre, independente do que ocorra. Eu sou daqueles que acredita que temos que encontrar nossos iguais, pessoas que pensem de forma parecida e tenham sonhos parecidos, isso para os nossos principais relacionamentos, sejam eles emocionais, sexuais ou amizades verdadeiras. Até para que possamos nos ajudar e entender o que se passa na cabeça do outro.

É claro que divergências vão sempre existir e são boas para fazer crescer, mas não dá pra conhecer alguém sabendo que essa pessoa gosta de ir pra balada toda semana e depois de uma semana querer proibir isso (isso é óbvio, mas é incrível como esse tipo de coisa ainda acontece nos dias de hoje, gente mandando em gente, escravidão já acabou faz tempo).

No final a conversa acabou pela metade, infelizmente a zona do lado de fora perturbou a paz e fez todo mundo ir embora, pena, até porque está com gente como eu, gente comum e a discussão ia longe. Serviu pelo menos de mote e para marcar outras conversas.

Aliás, se alguém souber onde vende o filme do David Byrne, por favor me avisa, esse eu quero mesmo comprar!!!

Eu me amo, não posso mais viver sem mim…

A luta pela sobrevivência é a maior prova de amor por si próprio

Mais um post na linha do manual do encalhado…rs. Hoje começo ao som de Ultraje a Rigor. Rock bruto e engraçado e pra esse dia de hoje perfeito. Sim, tem o pessoal que ficou horas no shopping procurando o presente certo pra declarar o seu amor. Tem também quem aproveitará a data para mostrar dotes culinários escondidos ou conhecerá aquele lugar que imagina ser especial para si e a pessoa amada. Mas tem bem mais gente.

Tem gente que como eu vai “comemorar” sozinho. Gente que vai se produzir pra si mesmo, trocar uns amassos com o espelho e romanticamente ver um filme legal sozinho, depois de um jantar caprichado preparado com todo carinho pra pessoa mais especial que já teve a oportunidade de conhecer. VOCÊ MESMO/A!!!!

Observem a letra, ela não é fantástica?

Há tanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz, já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei prá aprender
Daqui prá frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Refrão
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Prá eu gostar de mim, me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Prá toda vida eu quero estar comigo
Foi tão difícil prá eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar, mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar

 Precisa falar mais alguma coisa? Na verdade a questão toda se resume a isso, ame-se, você tem que ser legal pra você mesmo. E ai irradiando felicidade acaba aparecendo alguém que queira saber o que essa pessoa que te deixa tão divertido tem a oferecer e ai, tudo resolvido.

Falo desse assunto hoje devido a repercussão do post anterior (É impossível ser feliz sozinho). Em certas parte do post eu disse que era possível sim ser feliz sozinho. Hoje, no dia dos namorados, passo a discordar de forma veemente disso. É impossível, porque se você não está bem nem com você mesmo, não pode mesmo ser feliz. Essa é a grande sacada. enamorar-se por você.

Tem que ser um amor verdadeiro, daquele de se cuidar mesmo. Não falo de cuidar da aparência apenas, mas principalmente da cabeça. Tem que estar loucamente apaixonado, a ponto de irradiar felicidade por todo o corpo. Você tem que respeitar as idéias que tem, ver a beleza onde ela existe e não ligar pra falta de beleza e pequenos defeitos desse seu amor eterno. Até porque se você ficar lembrando toda hora do cabelo que se foi, da barriga que cresceu ou do fato de torcer para o corinthians como defeitos, todo mundo vai passar a ver isso em você como coisas ruins.

Então, eleve as boas idéias, mostre como seu amor tem um humor divertido e pode ser uma boa companhia, mostre que acha seu amor lindo/a. Discutia com um amigo meu que todo relaciomento pra funcionar bem tem que ser composto de 3 casais, os dois envolvidos, e cada envolvido consigo mesmo. É nessa linha que eu estou caminhando e pensando. Tanto que hoje, meu dia dos namorados será comemorado comigo mesmo, da forma como disse lá em cima. Muito bem acompanhado comigo mesmo (a não ser que algo mude tudo até o final do dia…rs), bom filme e bom jantar, só descarto o vinho…rs

É impossível ser feliz sozinho…

Flores a todos os enamorados

Muita gente me pediu pra escrever sobre o Dia dos Namorados. Confesso que ao ler tais pedidos fiquei com uma sensação estranha. Um misto de tristeza e até certo ponto alegria. O lado triste da história foi perceber que continuo no clube dos encalhados e carentes, fazer o que? Até já faz um bom tempo que estou nessa, falta encontrar ou ser encontrado por alguém. Enfim, isso de certa forma precisa de alguma alteração, paixão ainda é algo que me motiva, falei disso no post Aprendendo a Falar e a Viver, onde falo de como nasceu meu primeiro livro, mas enfim, passado infelizmente ou felizmente, sei lá, é passado.

Ok, esse é o lado triste, onde estão as coisas boas nessa história? Bom, nesse tempo todo de encalhe (ops seria melhor escrever solidão), aprendi muito sobre mim mesmo, cresci como pessoa. Cresci a ponto de levar a solteirice na esportiva, sem tanta neura. Outro ponto divertido foi justamente receber os pedidos pra falar do tema. Esse flerte com quem me lê é divertido, eu gosto de saber o que quem me lê pensou ou sentiu do meu texto. Me ajuda nessa cruzada por auto conhecimento e também torna esse espaço mais democrático. Como disse a quem neguei a liberação de comentários, evito sempre comentários que por serem pessoais demais podem expor quem os fez.

Mas voltando ao tema. O encalhado aqui vai falar de uma data, ou melhor do que traz essa data de simbolismo. Começo usando justamente o verso do Tom Jobim. Adoro as músicas dele, gosto ds letras e das melodias, wave não é diferente. O verso entretanto pode até ser questionado. Eu sou daqueles que acredita que dá sim pra ser feliz sozinho. Que a felicidade está mais ligada ao indivíduo do que ao que se alcança, felicidade é algo interno.

É claro que o carinho de alguém, beijos apaixonados, uma frase bem colocada ao pé do ouvido, tudo isso faz sim diferença no nosso ânimo. Mas conheço gente que tem tudo isso e ainda assim não é feliz, como também conheço gente que é feliz sem ter a cara metade, a tampa da panela ou qualquer outro sinônimo popular que se ache. O importante é estar bem consigo mesmo, até para poder estar bem com os outros.

É claro que nessa época em especial me sinto como a música do Dominguinhos (Que falta eu sinto de um bem/Que falta me faz um xodó/Mas como eu não tenho ninguém/Eu levo a vida assim tão só/ Eu só quero um amor/Que acabe o meu sofrer/Um xodó pra mim/Do meu jeito assim/Que alegre o meu viver). Na busca por alguém que realmente mexa comigo. E que mostre também que o Jobim estava certo quando escreveu. Afinal, é ligar a televisão e ver comerciais, os filmes que passam se tornam todos românticos, qualquer restaurante tem promoção pro dia dos namorados, ficar livre dessa influência só se mudando pra marte, porque nas cidades pequenas (eu moro em uma) o assunto também é o mesmo.

E esse lado comercial da coisa por incrível que pareça traz um certo glamour ao evento. Olhando por ai, se percebem casais às vezes em fase mais decadente do relacionamento usando a data pra tentar se modificar, voltar a namorar naquele casamento de 30 anos. Serve de lembrança, tem gente que só lembra que tem alguém especial por causa dessas datas comerciais. E quem não tem, como eu, fica com inveja…rs

É claro que tem aquelas pessoas eternamente enamoradas, não pelo outro, mas pela vida, gente que sorri de e por tudo. Pra esses essas datas realmente não possuem sentido ou função alguma, assim como para aqueles apaixonados de plantão. Mas eles não são o grosso da população. Acho que é por isso que estas datas fazem tanto sucesso. Assim como acho que é por datas como essa que acabamos por crer, mesmo que estranhamente, em versos como os do Jobim.

No fundo é tudo pura viagem pra falar de um tema que o encalhado aqui não entende nada, mas espero ter emitido a minha opinião. Fica um abraço carinho (e cheio de inveja) a todos os leitores enamorados e a torcida para que os leitores solteiros como eu desencalhem até o dia dos namorados do ano que vem.