Jingle Bell Rock – Disney

 

 

Hoje é dia de escrever. Por acaso é Natal, data popular em nosso país, por acaso uma data que eu particularmente não ligo muito. Ok que a festa é muito antiga, bem anterior ao cristianismo, mas aqui no Brasil, o que a gente diz que comemora mesmo é o tal aniversário de Jesus.

Aliás, problema algum nisso, eu mesmo não ligo. Cresci ouvindo histórias de Natal, vendo papai Noel transpirar que nem um louco no nosso calor tropical. Cresci esperando os presentes e ganhando coisas por ter sido até certo ponto um bom menino. Aliás, era assim no meu tempo, se preservava sempre a ideia de ser um bom menino. Tinha que ter um boletim em ordem, respeitar os pais, aliás, respeitar todo mundo.

Lembro de algumas histórias que passei em Natais de minha infância. Lembro particularmente bem de dois brinquedos que ganhei. O primeiro, abri a embalagem na casa da minha avó. Um primo meu ganhou um igual e a molecada nem ai, brincando com os brinquedos na sala. Era um carro de bombeiro, funcionava a pilha, tinha 3 botões, um verde, um vermelho e um amarelo. Não lembro a ordem dos botões (foi mal, faz MUITO tempo mesmo), mas sei que um fazia o carro andar meio desgovernado pra frente e pra trás, fazendo umas curvas malucas, outro fazia a escada magirus subir e descer e o terceiro parava tanto a escada quanto o caminhão.

Não foi um brinquedo que eu tenha escolhido, mas confesso que adorei aquele caminhão. Fiquei anos brincando com ele. Na verdade até pouco tempo atrás ele estava intacto ainda na casa dos meus pais. Nunca fui de quebrar brinquedos. Minha mãe me mataria se eu fizesse isso…rs

Outro Natal teve um brinquedo escolhido. Um carrinho de controle remoto, esse eu lembro bem da hora da compra. Fui com meus pais e irmã até uma loja (Lojas Glória, acho que nem existe mais), num bairro popular de compras de São Paulo. A muvuca intensa, meus pais cansados e eu e minha irmã pirando nos brinquedos. Meu pais comprou o que a gente queria e voltamos pra casa. Quem falou que esperamos a noite de Natal pra abrir o pacote? Eu e meu pai ficamos um tempão brincando com o carrinho no quintal. Confesso que brincar com ele foi mais divertido do que o brinquedo em si. Era divertido brincar com meus pais, jogar bola com meu pai, rodar pião com minha mãe (sim, foi ela quem me ensinou a rodar pião). Coisas que crianças do meu tempo faziam e hoje infelizmente não fazem.

Hoje os pais raramente tem tempo para os filhos. Ai substituem o tempo que teriam com eles por brinquedos, coisas, prêmios que tentam funcionar como um pedido de desculpas. Acreditem, isso não resolve. Um abraço vale mais que um presente. Eu só lembro desses dois brinquedos graças a brincadeiras que eu tive com eles, brincadeiras em que apareciam mais pessoas, no caso do caminhaão, principalmente um primo meu, que hoje até mora perto de mim, mas raramente vejo e no Pégasus (era esse o nome do carrinho de controle remoto), pelas tardes de sábado em que eu e meu pai ficávamos tentando controlar o carrinho.

São as pessoas que me fazem lembrar também de outro Natal. Relacionamento que eu imaginava eterno (como somos tolos com as coisas do coração) havia terminado em outubro. Em dezembro eu ainda não estava bem, precisava ficar só. E assim fiquei. Morava com meus pais, fiquei eu e o companheiro cão em casa. Ele ainda vive, já tem mais de 15 anos, está velho, mas me acompanhou naquela noite. Não, não estou humanizando o Ícaro, calma ai.

Eu estava triste na hora da festa. Sabia que essa ex-namorada adorava decorações de Natal, aliás ainda gosta muito (somos amigos). Isso pesava muito na minha cabeça e eu chorei copiosamente na noite de Natal. Até que perto da meia noite o telefone tocou. Meus pais e minha irmã me ligaram. Eu não queria estar com eles, mas aquele telefone me fez perceber que mesmo a distância eles queriam estar comigo. Isso foi tudo o que eu precisei pra ter uma noite tranqüila. Me senti amparado e o choro se foi.

Eu podia retratar aqui todos os meus 36 Natais, mas nem vale a pena. Todos eles tem algo em comum, a presença de pessoas importante pra mim, seja ao vivo, seja por telefone, seja até pela internet. E isso é o oposto do consumismo que se vende hoje. Eu não vou ficar aqui falando de lembrar de Jesus e seus mandamentos ou coisas similares, até porque eu sou ateu e quem me conhece sabe que isso seria até ofensivo com quem tem fé. Mas vale lembrar algo importante. A festa é ou era conhecida como uma festa familiar, festa onde se reúnem pessoas e se tem alegria, seja pelo motivo que for. Os presentes funcionam apenas como um plus na festa, nunca são o principal.

Por isso é que eu espero que você tenha tido um ótimo dia de Natal, e que você tenha conseguido falar com quem é importante para você de alguma forma. Que as pessoas importantes para você se sintam realmente importantes em sua vida e não o abandonem. Eu espero que esse texto funcione assim pra mim. Não consegui falar com todo mundo, mas espero que alguns leiam isso e percebam que o desejo de Feliz Natal pra mim quer dizer que eu desejo que vocês sejam FELIZES SEMPRE!!!

A música é apenas uma canção de Natal, mas a minha preferida, e o clipe eu vi no perfil de uma importante amiga no Facebook.