We Are The Champions – Queen

A beleza depende de quem a vê e de quem a apresenta para você

As últimas visitas ao meu blog me fizeram mudar o enfoque do post de hoje. Analisando as informações das visitas, confesso que achei engraçado ver que o termo de busca que mais trouxe leitores para cá nestes dias foi “história da vida de Drew Brees”. Para ser mais exato, 22 visitas a partir de buscas com termos parecidos com o citado.

Pelo visto a NFL fez mesmo um herói. Fico imaginando Drew Brees nesse Mardi Gras cantando We are the Champions (clique para ouvir) com a mesma habilidade vocal do Paulo Antunes da ESPN Brasil.  As diversas vitórias do Saints são realmente um tema gigante e provavelmente em poucos anos vão estar nas telas de cinema, porque realmente isso rende um filme.

Mas nem é esse o assunto principal desse post. Quero falar de outra coisa. A NFL é um campeonato diferente e absurdo. Diferente por ser um torneio de um esporte em que só um país participa. Sei que é piada velha, mas um esporte que se joga com as mão não pode se chamar pé na bola, até porque os chutes valem pouquíssimos pontos no jogo. E absurdo pelo fato de mesmo sendo um esporte que ninguém conhece consegue ser comentado no mundo todo.

Aqui no Brasil, alguns anos atrás os jogos chegaram a passar na TV aberta, mas sem muita empolgação. Os amigos mais próximos sabem que eu sou doido por esportes, sou daqueles que estuda regra de pentatlo moderno pra entender o que se passa. Mas confesso que o futebol americano nunca tinha chamado a minha atenção. Isso até eu ver um jogo na ESPN a alguns anos atrás. Ai tudo mudou, mas o que levou a isso? O jogo mudou? Não! Eu mudei? Não o suficiente. Mudou a forma como o jogo me foi apresentado.

Basicamente dois malucos apresentaram o jogo de uma forma leve, de forma a que tudo se resumisse ao que realmente é, um espetáculo. Assisti a alguns jogos em outras emissoras e sinceramente, por melhor que o jogo estivesse, nada me fazia prestar atenção naquilo e isso porque eu realmente gosto de ver esportes, até jogo de golfe me chama a atenção.

As transmissões da ESPN com o Everaldo Marques e o Paulo Antunes realmente me conquistaram. Provavelmente mais que o jogo que gosto, mas continuo achando violento (isso para alguém que tem no judô o esporte preferido). Esse tipo de relação acaba me fazendo pensar também no meu trabalho. Alguns daqui devem saber ou perceber que sou professor. Não sou daqueles que acredita em pedagogia do amor ou coisas do gênero. Me vejo como um profissional preocupado, apenas isso. Acontece que esse encantamento também é necessário naquilo que eu faço.

Vejo situações onde encontro e converso com antigos alunos meus. Pessoas que ainda se lembram de falas, piadas e manias que eu apresentei em sala de aula. Penso no peso que acabei tendo em parte da formação deles. Penso em como meus atos prenderam (ou destruíram) a atenção deles para o que eu tinha que lhes falar. Compara as duas transmissões com as duas reações mais comuns dos jovens com seus professores. Ou você os ganha e eles te seguem (caso meu com o Everaldo Marques e o Paulo Antunes na NFL e até no baseball – que ainda não enguli totalmente – da NBA sou fã desde os tempos do Magic Johnson). Ou você os perde, como o Bandsports me perdeu, simplesmente por não falar uma linguagem que me agrade.

O que isso tem a ver com o fato de Drew Brees ter se tornado um herói?  Tudo. Ele só teve a chance de se tornar um herói porque alguém teve a paciência de me mostrar porque ele deveria ser um herói. É no fundo o que qualquer professor faz. Apresenta ideias estas podem ou não ter ressonância em quem as ouve. O importante nesse momento é ser ouvido para que quem ouve possa ter a opção de fazer ou não uso daquela informação (como para mim, gostei do jogo, mas não transformei os jogadores da NFL em ídolos).

Esse processo de encantamento e apresentação é constante. Talvez por isso seja tão bom pro ego perceber que a aula funcionou e tão chato sentir que ninguém ali está realmente a fim de te ouvir. O papel (do professor, do comunicador e de alguns outros profissionais) não é brilhar, mas sim ressaltar os pontos de brilho daquilo que você se propõe a falar. Talvez por isso eu execre comentaristas que querem ser maiores que o jogo que comentam. A função deles é somente fazer o espetáculo brilhar. Sem o espetáculo eles não existiriam, como minhas aulas não existiriam sem alunos.

Esse post acabou parecendo meio idolatria pro Everaldo Marques e pro Paulo Antunes. Na verdade não é pra ser visto dessa forma, mas sim pra ser visto como um alerta ao fato de que para o surgimento de algo brilhante, algumas pessoas devem trabalhar em prol dela, deixando de lado o brilho pessoal e focando apenas no brilho daquilo que devem representar. O seu brilho pessoal vai ser o brilho daquilo que você apresenta. Seja um jogo, seja um conteúdo, seja um aluno. A vitória dele vai ser a sua.

My Generation – The Who

Quando o nosso futebol vai ser tão grande quanto o americano?

Volto hoje pra mais um post pensado em cima do Forrest Gump. Hoje é dia so Superbowl, provavelmente o maior evento esportivo mundial no que tange a marketing. Talvez maior do que a Copa do Mundo. Até hoje eu não consigo entender como um esporte que só é praticado num lugar do mundo consegue movimentar tanta grana e tantas pessoas em locais tão diversos do globo.

Se você perguntar pras pessoas próximas a você quantas já jogaram futebol americano, provavelmente a resposta será zero ou perto disso. Mesmo assim, os jornais todo ano trazem notícias o evento, a televisão paga mostra o jogo e o show do intervalo (esse ano é do The Who) é super comentado. Amanhã provavelmente vou ouvir e fazer comentários da partida na escola. Talvez mais comentários do que sobre o retorno do Robinho ao Santos com gol de calcanhar em cima do São Paulo.

Mas o que isso tudo tem a ver com o Forrest Gump? Pra quem viu o filme, Forrest tem um emprego como aparador da grama do time de futebol americano de sua escola. É um cargo honorário por ser um herói local. E é justamente nesse ponto que quero centrar minha análise. A capacidade norte-americana de gerar ídolos e a capacidade brasileira de destruir ídolos nacionais. Forrest tornou-se um herói de guerra, foi tratado como herói o tempo todo mesmo tendo graves limitações. Duvido que aqui ocorresse o mesmo.

Não sou um defensor da cultura norte-americana, mas acho interessante essa coisa de tentar sempre ser o melhor em algo e lutar por isso. Mais interessante é valorizar isso. Penso agora no The Who e na música My Generation (clique para ouvir), (aqui uma versão engraçada da música, cantada por idosos) espero que toquem no intervalo do Super Bowl hoje. A música fala de uma rebeldia jovem, de uma luta constante na geração e contra a geração. Fala da ideia de se morrer jovem, e ai eu penso na juventude mental e não na juventude etária.

Vejo essa gana da música como principal motivo pra se criarem heróis e estes serem idolatrados. Alguém que se destaque no meio da massa por algum motivo merece ser idolatrado e não invejado. Infelizmente é a inveja que impera aqui em nosso país nesse aspecto. Já falei que exigimos de atletas mais do que eles podem oferecer, que um músico não pode só tocar seu instrumento e um ator além de atuar deve mudar o mundo. Coisa que o cidadão médio nem liga, apenas cobra.

Forrest de certa forma mudou parte de seu mundo e tomou parte de acontecimentos importantes. Por isso, mesmo mentalmente debilitado, sempre foi visto como herói. Assim como hoje deve acontecer no Super Bowl. Esse evento merece mais linhas de discussão.

O principal enfoque desse evento é criar heróis. Mais do que definir quem é a melhor equipe de futebol americano, serve para definir novos heróis nesse esporte. As entrevistas prévias, a maneira como tudo é levado faz-nos enxergar o evento como uma fábrica de ídolos. Nesse ano, por exemplo, vende-se a disputa entre o candidato a melhor jogador da história e o time da cidade que mais sofreu com o Katrina (aliás cidade de onde saiu Payton Manning o tal candidato a melhor da história que era torcedor do time de New Orleans).

A disputa toda parece resumida a essa disputa e a questões familiares, com a amizade entre o quarter-back dos Saints e o irmão do Manning que joga nos Colts. O drama é elevado ao máximo. No ano passado exploraram a idade dos quarter-backs, em anos anteriores histórias de vida de atletas ou mesmo histórias das cidades dos times.

Aqui no Brasil a gente mal consegue divulgar um Corinthians x Palmeiras e olha que existe muito mais história nesse confronto do que nas partidas do futebol americano. Isso acontece a meu ver, em grande parte, pelo fato de que não respeitamos o tamanho do adversário. Nós procuramos defeitos em tudo que não nos pertence e nunca idolatramos alguém só por aquilo que esse alguém tem de bom. Quem sabe mudamos isso um dia? Garanto que teríamos muito menos confusão e muito mais alegrias como brasileiro do que temos hoje, sem falso populismo, até porque infelizmente só os políticos são impunes nesse país. Eles nunca são cobrados e são sempre premiados.

Eu torço para o dia em que uma final de campeonato brasileiro de futebol ou de qualquer outro esporte tenha o mesmo peso que tem a final da NFL e seu SuperBowl