Money – Pink Floyd

Seria gratificante discutir com o mundo todas as voltas do meu pensamento…

Existem exemplos claros de conversas informais que rendem boas ideias. Basta que essas conversas não ocorram com pessoas vazias e que as pessoas envolvidas se respeitem a ponto de prestarem atenção no que é dito para cada um. Ontem eu passei por isso. Num breve bate papo de intervalo de aulas. Breve mesmo, afinal o intervalo dura apenas 15 minutos, ouvi uma daquelas frases que fazem surgir um pequeno click na cabeça.

Admito ser uma pessoa meio pessimista e até bastante depressiva. Raramente uma ação me satisfaz, é fato, mas também é fato consumado que eu sempre tenho milhares de projetos diferentes na manga, sempre alguma ideia nova povoa meus pensamentos e me mantém firme na busca por algum tipo de prazer.

Bom, eis que, após comentar uma dessas ideias com duas pessoas, dando a tradicional desculpa quase esfarrapada para essas situações (afinal é preciso se convencer do que te leva a ter determinadas ações), ouvi a seguinte frase, você não é depressivo, apenas a única coisa que te motiva é o ganhar dinheiro.

Confesso que a primeira reação ao ouvir isso foi de choque. Poxa, será que eu sou uma pessoa tão baixa assim? Será que eu só ligo pra dinheiro? Sorte que depois fui pensar com calma no que tinha ouvido, ponderar tudo e percebi que na verdade o erro de comunicação estava em mim e no que eu vendia e não na análise da pessoa, ou o que seria pior no meu caráter. Até porque acho que ter a sua existência atrelada ao ganhar dinheiro apenas, ou como digo, se formar em “Engenharia Monetária” é algo extremamente vazio. Muito vazio.

O que pegou, provavelmente tenha a ver com o fato de que eu sempre justifico minhas ações a quem me pergunta dizendo que quero um dia viver dessas ações. Sejam livros, fotos, textos, criações, plantio, qualquer coisa do gênero. E isso é realmente verdade, mas não o ponto principal. Eu realmente acredito que essas coisas possuem algum tipo de valor. Não só valor financeiro, mas principalmente valor real. Eu escrevo e fotografo porque acho que as coisas que tenho a dizer podem ser úteis a outras pessoas. Quero organizar criações por achar realmente isso válido e importante, tanto economicamente quanto socialmente.

Talvez o melhor exemplo dessa minha linha de pensamento seja um programa de rádio. Recomendo a todos ouvirem o programa Fim de Expediente da rádio CBN, toda sexta as 18h, a quem não puder acompanhar no rádio e quiser conhecer o programa, dá pra baixar os podcasts do programa pela internet (clique aqui).

O programa nada mais é do que uma conversa informal entre amigos. Daquelas que se imagina numa mesa de bar, ou em casa regada a pizzas enquanto o jogo não começa. Um papo agradável e composto por gente de conteúdo, justamente por isso é tão divertido. As informações são passadas claramente e sem pedantismo. É algo útil. E percebe-se que dá pra se fazer algo leve e divertido em parte do seu tempo e também ser remunerado por isso.

No fundo esse é o meu desejo, ter em mãos a possiblidade de fazer tudo de modo mais leve e em diversas direções. E viver disso. Não ser remunerado por fazer algo que eu goste, mas sim ser remunerado por fazer algo que é interessante a outras pessoas também. Meu desejo é ser realmente útil dentro de outras possibilidades. Eu acredito piamente que vestir uma única carapuça a vida toda diminui o valor da pessoa.

Não me vejo apenas como professor, não vejo as pessoas que me cercam como unidirecionais. Voltando ao programa de rádio, todos os envolvidos possuem outras profissões, não são radialistas, um é ator, outro é economista e o terceiro é músico. No programa, importa a pessoa e não o que ela fez. Como deveria ser sempre na vida de todo mundo, caráter vale mais que diploma, pessoas valem mais que títulos. Quando a gente observa quem nos cerca dentro de todo o seu tamanho real, ou seja, admirando a grandiosidade que elas apresentam, nós conseguimos aprender e muito, simplesmente ouvindo e prestando atenção.

Perceber e explorar a grandeza do indivíduo provavelmente é o caminho que eu busco. No fundo, o desejo de “passar a ganhar” para fazer coisas que bem ou mal eu já faço seria uma espécie de afirmação para mim mesmo. Algo que (sei que provavelmente é besteira) sirva de prova pessoal de que eu sou mais do que apenas professor.

Antes de encerrar o post, quero lembrar aos leitores que o sorteio do livro e da ampliação ainda está aberto, visite o post anterior a este e leia o regulamento, você pode ganhar!!!

Time – Pink Floyd

Quase perdi a hora certa de dar flores a quem merece…”

Eu e o tempo, dois eternos inimigos, na verdade eu diria que eu sou o inimigo dele que não está nem ai pra mim. A música Time do Pink Floyd traz uma letra que traduz de forma bastante interessante o que eu quero falar sobre o tempo. Hoje quero brincar com algumas alegorias malucas em minha cabeça, idéias que surgiram de pequenas histórias que quero contar.

Primeiro devo deixar claro que quero novamente falar do tal instante decisivo em nossas vidas. Tudo tem um momento exato e eu como sempre sei que não tenho tato suficiente para perceber esses momentos e muito menos sei como agir na grande maioria deles. Provavelmente eu vá ouvir que grande parte da população mundial também se sente assim em relação ao que acontece em suas vidas. Confesso que não duvido disso, apenas uso isso como forma de garantir uma maneira agradável de expressar o que eu penso.

A primeira alegoria divertida vai para um fato ocorrido hoje (ontem afinal já é meia noite). Eu sou um cara que sempre adorou enviar flores, gosto mesmo da sensação que isso causa em algumas pessoas e também encaro como uma forma de dizer o quanto o carinho e a delicadeza dessas pessoas me encantam, a ponto de me sentir tentado a deixar um ser belo (quase tão quanto quem recebe as flores) e carinhosamente frágil aos cuidados de alguém. É algo que só faço com quem acho especial.

Mas voltando a história. Hoje voltei a fazer isso. Da maneira mais estapafúrdia e ridícula que se pode fazer isso, mas fiz. Tinha suas flores plantadas, tinha alguém para quem eu queria dar as flores e, de alguma forma consegui fazer isso. Atribuo o consegui mais ao tempo certo, o instante decisivo do que a forma como fiz. Se dependesse da forma como fiz as flores estariam mortas. Aliás, espero que a pessoa que as recebeu entenda que foi um gesto de carinho e não um livrar-se de algo. Coisa de homem tímido.

Esse foi um instante decisivo bom. Divertido até certo ponto, confesso que adormeci com um sorriso no rosto em meu almoço por ter feito isso. Afinal, quem levou as flores gostou, e elas sobreviveram sob os cuidados de alguém que eu acho especial. Tudo no tempo certo. Tempo certo que também se torna o cerne de uma segunda alegoria maluca. Terminei a leitura de um livro que mexeu bastante comigo. Mexeu a ponto de eu querer falar muito dele, algo que começarei hoje, porque tem tudo a ver com essa minha relação com o tempo. Tanto pelo fato de ter pego o livro no momento certo (acho que se tivesse lido anos antes não teria chegado a algumas conclusões e se deixasse para ler daqui a alguns anos, talvez nunca tivesse a chance de ler).

Para quem não leu, eu recomendo fortemente o livro Uma Longa Queda de Nick Hornby. A história dos quatro quase suicidas que se encontram no momento fatal na noite do ano novo realmente me comoveu e me fez pensar. Não estou aqui nem cogitando a hipótese de acreditar em forças divinas, deuses e anjos que possam vir salvar almas perdidas perto de se entregar ao medo. Não estou aqui também pra falar da luta pela vida. Apenas a idéia do tempo decisivo me interessa nesse instante. Próximos posts sobre cada um dos personagens principais virão a seguir.

O que vale ressaltar, e com grande importância pra mim. É que se todos não tivessem chegado no instante em que chegaram, a história (deliciosa de se ler, por sinal), não teria ocorrido, os 4 teriam se jogado e mesmo sem a real vontade de se matar, teríamos 4 corpos a mais no necrotério de Londres, nada que realmente fosse fazer diferença.

A verdadeira diferença surgiu do acaso e da sorte. Do aproveitamento do instante decisivo em que as decisões foram tomadas. Cada um podia decidir o que fazer e as decisões de um influenciaram os outros. Ai surge outro conceito temporal maluco. A reação em cadeia. Se um dos quatro tivesse se jogado, com certeza a história seria muito diferente. Cada um influenciou os outros e foi influenciado. Cada ação gerou diversas outras que no caso da trama, acabaram servindo de desculpa forte o suficiente para se evitar a morte. Não sei se funcionariam com um cara como eu, mas com certeza me fizeram pensar.

Aliás, o que faria você dar um passo atrás numa decisão forte como essa? Suicídio será um tema posterior, mas vale a pena já começar a coletar informações, o que faz você acreditar que vale a pena viver?

Run Like Hell – Pink Floyd

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Sinto como milhares de espinhos como esses penetrassem minha pele

Não sou muito fã de posts assim seguidos, ainda mais quando eles fogem da sequência lógica de posts que eu prevejo. A lógica pedia que eu continuasse falando das boas saudades. Porém, hoje eu confesso que não estou com uma boa cabeça. Confesso que preciso falar um pouco dos fantasmas que estão deixando minha cabeça mais fora de ordem do que normalmente ela já é.

Ao som de Run Like Hell do Pink Floyd (uma das músicas da talvez ópera rock The Wall) vou aqui destilando idéias sem sentido, tentando encontrar algum motivo pra conter lágrimas que caem feito um rio do meu rosto..

O mais chato dessa história toda é não ter uma noção exata do que me faz chorar. Ter medo de tudo o que me cerca, medo quando o telefone toca, medo quando a tevê fala e medo quando tudo silencia. Medo da luz da sala e até medo do escuro. Escuro aliás, que uso pra me esconder e proteger de algo que eu não tenho a menor idéia do que seja.

Nesses momentos, em que a cabeça vai por diversos caminhos e não encontra estrada alguma para seguir, eu tento me focar no que tenho que fazer. Tento produzir algo de útil, como forma de fazer o tempo passar sem que eu perceba. Tento fazer isso até que o sono chegue e eu adormeça. Sempre com a falsa idéia de que com certeza acordarei alegre e bem.

Mas hoje nem isso tenho conseguido. No máximo esse texto que nem sei se merece ser compartilhado. Tentei adiantar uns relatórios, produzir alguns versos, imaginar algumas fotos. Tentei andar por ai, dei uma caminhada pelo condomínio, tentei ver o céu, mas a chuva não caiu.

O que me incomoda, confesso, é sentir-me vazio. Não sei como outras pessoas se sentem. Eu só sei que me sinto totalmente vazio por dentro, como se tudo aquilo que eu faça e pense não tivesse razão. Busco uma razão pra continuar. Vejo as pessoas ao meu lado tento tantas idéias diferentes, encontrando pequenos prazeres em coisas que eu considero absurdas, não por serem absurdas, mas por não fazerem sentido pra mim.

Onde está o sentido? Eu corro, corro, corro e nada. Não chego a lugar algum e o que é pior, nem sei se existe um lugar pra chegar. Aos leitores, desculpem o desabafo. Espero ter coisas melhores pra dizer no meu próximo texto.