Será que eu cresci?

Por que crescer é tão difícil?
Por que crescer é tão difícil?

Hoje fui dar uma palestra numa escola pública de São Paulo. O Antonio Prudente , escola localizada na Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte da cidade. Um bairro longe do glamour da cidade, formado por gente comum, gente como eu. Eu vim de uma comunidade de certa forma parecida com a dos alunos que vi hoje.

Aluno de colégio da prefeitura num bairro nascente e crescendo (hoje até shopping tem perto da casa dos meus pais), ônibus lotados, pouca infra-estrutura disponível e quase nenhuma opção de lazer.

A estrutrura na verdade pouco importa, acho que vale agora falar dos jovens que eu vi e conheci hoje. Não vou lembrar dos nomes deles, mas trago na memória seus rostos,trago as expressões de surpresa, alegria, em alguns momentos até desprezo, trago tudo comigo e com muito carinho.

Eu em diversos momentos me vi ali. Me lembrei dos sonhos de menino. Aliás fui lembrado por erstes jovens que me perguntaram muita coisa. Me lembrei dos autores que li quando criança, dos filmes e desenhos que assisti, das escolhas que tive que fazer, a grande maioria sem nem saber porque escolhi determinada opção. Eu vi nos olhos de alguns a surpresa quanto toquei nesse tema. As escolhas que somos obrigados a fazer a vida toda.

É uma escolha minha entender o que aparece no espelho
É uma escolha minha entender o que aparece no espelho

Vi nos olhos deles o medo que eu sentia nessa idade. Alguns tentavam até esconder isso, com olhares vazios, um pretenso ar de superioridade dos alunos e algumas vezes até ira nos olhos. São situações normais nessa idade. Você quer fazer algo mas não sabe ao certo o que. Sabe apenas que o mundo te incomoda. Você não faz parte de nada, ou de lugar algum.

Nessa fase, a maioria das escolhas não segue lógica alguma, você está começando a deixar de ser totalmente dependente das idéias dos seus pais, começa a pensar com a própria cabeça. Finalmente liberdade. O duro é saber o que fazer com ela.

Em geral o primeiro passo acaba sendo descambar para a ira. Reclamar dos horários impostos, duvidar de tudo o que dizem, querer quebrar todas as regras possíveis. Ou ainda, voce pode não suportar a pressão e simplesmente ser levado pelo vento, não pensar (espero que nenhum deles escolha essa opção). O melhor seria uma terceira via, o tal caimnho do meio, discordar sim, mas com consciência, reclamar e ouvir, pedir e doar, tudo em equilíbrio.

Sou igual aos jovens que vi hoje
Sou igual aos jovens que vi hoje

Não é fácil alcançar esse equilíbrio, na verdade nem na idade adulta isso é fácil. Mas vale a pena buscar esse caminho. Fazer-se ouvido por questionar com rigor e motivos. Ganhar credibilidade pelo que se é, sem força, apenas com a cabeça. Isso é crescer.

Falar com os jovens hoje me fez pensar nisso, será que eu cresci? Espero que sim, e principalmente, espero que eles cresçam com toda a força que pareceram demonstrar hoje.

Agradeço a vocês a oportunidade de ter dividido algumas horas do seu tempo comigo.

Aprendendo a falar e a viver

Capa do meu primeiro livro
Capa do meu primeiro livro

Voltando a falar dos medos que sinto, acho que vale a dizer como nasceu o meu livro. Que são fotos e poesias que fiz a um certo tempo acho que todos os que leram o livro (e espero que mais gente leia) já sabem. Mas esse teve uma gênese bastante forte pra mim.

Nasceu de uma confusão de sentimentos. sentimentos fortes que eu acho que nunca trabalharei de forma correta ao certo. Nasceu de um amor verdadeiro, tanto que dediquei o livro pra quem me ensinou a sorrir. Não vale a pena dar nome aos bois, mas confesso que me enche de orgulho saber que ela soube (tá, eu disse pra ela) que o livro foi escrito em sua homenagem.

É até hoje um sentimento que me balança, mexe com meu humor. Não me sinto mais preso e dependente como estive a alguns anos atrás, mas também não posso falar que apaguei tudo de bom que vivi ao lado dela. Aliás é justamente esse o ponto. Por que temos que apagar os bons momentos quando o tempo passa? Não seria mais justo consigo e com a outra parte lembrar do que foi bom, e deixar tudo seguir seu caminho sem receios?

uma das fotos do livro
uma das fotos do livro

Alguns talvez digam que eu perdi anos da minha vida devotando uma paixão sem retorno, que deveria ter encurtado o período de luto (essa frase é da minha psicóloga, luto pra mim é forte demais). Mas eu discordo. Até posso ter sofrido, e sofri muito. Mas também ganhei, o livro foi algo importante pra mim. As poesias que estão ali, por mais vagas que possam parecer trazem um imenso prazer a mim. Eu me lembro de bons momentos, mesmo quando falo de dor. Me lembro, aliás, de como ter uma paixão (mesmo platônica) me ajudou a superar momentos extremamente amargos da minha vida que vivi depois de todo o ocorrido.

É justamente ai que entra o medo. Fiquei pensando em coisas que tenho ouvido e lido, algumas a meu respeito, outras sobre meu texto (principalmente o livro). Dizem que o texto não é tão melancólico quanto imaginavam, ou ainda dizem que o sofrimento ali incomoda por ser palpável e humano demais pra uma pessoa como eu. E ai eu começo a achar graça. Afinal existem dois grupos de pessoas que me conhecem, as que me acham duro e frio, funcional; e as que me acham dócil, carinhoso e prestativo.

Como se esse quadro de Jeckill e Hyde nunca pudesse ser oferecido ao mesmo indivíduo, sendo eu para alguns o monstro e para outros o médico. Essa dualidade é que me amedronta, porque eu realmente me percebo assim as vezes, o medo me afasta de alguns e o mesmo medo me aproxima de forma bastante intensa de outros.

Uma das fotos do livro
Uma das fotos do livro

O medo pelo medo no fundo é o que me move. A dificuldade de ler as pessoas sempre me afasta delas. Consigo ficar horas viajando em teorias, preso a trabalhos diversos que exijam apenas a minha atenção e alguma destreza que eu apresente. Nem o cansaço é tão forte assim. Mas relacionar-me por 5 minutos que seja, me trava. Me destrói as entranhas. Alguns dizem que isso acontece simplesmente porque eu não tenho controle da situação e ai me perco. Talvez seja verdade.

Porém, não é exatamente falar desse tipo de dor o objetivo deste post. Mas sim pra falar de como por medo bobo a gente complica coisas simples. Deixa os desejos se perderem por tabus que a gente nunca entende.

Meu livro inteiro fala de pequenos tabus, de escolhas que são ou foram difíceis. E que quando colocadas apenas no lado mais racional da vida se tornariam muito fáceis de tomar. As poesias falam dos traumas ou coisas que eu apenas comecei a levar a sério quando estive realmente apaixonado. Da forma como essa paixão me transformou para melhor, não só olhando pra mim, mas principalmente me tornar uma pessoal socialmente melhor. Posso ainda não ter aprendido a trocar com o outro, mas já aprendi que isso é importante e segundo uma velha frase feita, ninguém é uma ilha.

Como brinco com amigos, conhecidos e outros, já me sinto livre pra outro amor(ou o mesmo novamente, vai saber o que o futuro nos reserva), já estou forte o suficiente pra não comenter os mesmos erros e principalmente não errar tanto e nem temer errar como temi no passado, simplesmente por não saber como agir. Hoje tenho consciência de que vou sentir medo de qualquer forma, então que eu sinta medo sentindo algum prazer. E o meu primeiro livro é justamente um marco sobre isso. Ele é a prova de que já senti vários tipos de prazeres e que eu devo sentir essas sensações novamente.

Ficou curioso pelo livro? Entre em contato comigo….rs

Ai vão um poema e uma fotografia do livro, da forma como aparecem

Avessas
Avessas

O mundo pode ser visto de várias formas

E ainda assim nos prendemos a certo e errado
Como se existissem dois lados
Duas verdades que infelizmente são frouxas
Pois nada representam do que realmente somos
Nem nada fala do que somos
Apenas nos prendem como cordas
Por isso eu vejo um mundo que não me agrada
Onde bem e mal são só opções numa busca por prazer
Dentre os mil caminhos que ainda quero conhecer
Até que a morte me avise que chegou a hora
Enquanto isso eu reviro tudo pelo avesso
Numa busca desenfreada e infantil pelo desejo
Um prazer supremo que quem sabe acalme a alma
Alex Martins
Aguardo ansioso os comentários de você que leu este post até aqui, obrigado pela visita