You and Whose Army – Radiohead

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

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Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 

Fake Plastic Trees – Radiohead

estar tão longe de casa faz todo o entorno parecer de plástico…

No último post eu comentei da força do twitter (que confesso preciso usar mais) e outros grupos sociais que faço uso (preciso aprender a usar de forma correta o facebook). Tudo em nome da comunicação rápida e precisa entre as pessoas. Na lista esqueci de falar de uma rede social bem divertida e que eu faço parte, o Skoob uma rede social que tem a leitura em sua base, gosto também do Last FM, que usa músicas, mas o problema do last FM é não ter achada um aplicativo bom pra blackberry, facilitaria muito atualizar meu perfil, eu raramente escuto música no PC.

Deixo de lado, entretanto as redes sociais para falar de outro aspecto da comunicação, aliás para falar da própria base da comunicação que é a linguagem. Existem diversas formas de se comunicar, sinais, desenhos, letras, signos diversos que podem ou não ser compreendidos por todo mundo. A língua, é claro, acaba sendo o principal modo de comunicação.

As pessoas se agrupam e se reconhecem pela língua. Já ouvi histórias de colegas no exterior. Pessoas que em algumas situações do nada ouviram um som peculiar, a língua falada aqui no Brasil, com sotaque de gente daqui e ficou desesperado pra saber de onde vinha o som. E quando encontraram brasileiros, sentiram-se como se tivessem encontrados irmãos. Uma sensação de proteção e proximidade estranha, mas compreensível. Afinal, se você era de São Paulo, o interior do Maranhão vai parecer muito mais próximo a você do que as pessoas que passam apressadas falando uma língua estranha em Praga.

Outro fator interessante dessa linha é que no geral as saudades se tornam parecidas. É o feijão, aquela música que você odiava e de repente passa a ser menos ruim, ela passa a ter um quê de saudade. E te reconforta ouvir. Se você odiava novela, ver uma cena tipicamente brasileira na TV vira algo que te aproxime do seu povo. E nessa, se formam grupos. As pessoas vão se juntando onde se encontram. Viram amigos, parentes, conselheiros.

Aqui em São Paulo temos um bairro japonês, um bairro coreano, comunidades judaicas, árabes, de diversas nações. Diferentemente de ser uma forma de segregação, já que salvo raros casos estas pessoas não se isolam do resto da sociedade.  Estes bairros funcionam como um refúgio, onde cada um pode encontrar um pouco de sua origem, falar a sua língua, cultivar as suas brincadeiras, sua música, sua comida e os seus. É uma forma de manter-se ainda parte do país de origem. O pior é quando nos sentimos assim incomunicáveis mesmo em nosso país, nossa cidade e em nosso grupo. Isso é comum e infelizmente dói mais ainda.

Imagino como deve ser duro sentir-se separado de tudo aquilo que lhe é mais caro. Ver-se sozinho num lugar onde as coisas até podem parecer ter algum sentido, mas infelizmente não são do jeito que seu povo faria ou que sua crença pede que seja feito. A Alegoria que faço disso é a de um animal preso num zoológico, ele está bem alimentado, tem certo espaço, até certo tipo de liberdade. Mas aquilo tudo que o cerca no fundo é falso. Não lhe pertence, as pedras do recinto não são iguais as da lagoa, as plantas não são as mesmas. A cor do céu é diferente e até os medos e riscos fazem falta.

Eu de certa forma me sinto um pouco assim perdido, os motivos são outros, mas entendo quando as coisas não parecem fazer sentido onde você está. A música Fake Plastic Trees do Radiohead (clique para ouvir) mostra como essas sensações falsas nos incomodam. Tudo parece falso, as flores não tem mais perfume e vivemos numa jaula que na verdade nos protege, pois tudo aquilo que está do lado de fora das grades, na verdade não nos pertence, não somos parte daquilo que vemos.Ai está uma música tão forte pra mim quanto o filme Rain Man

E a solução é prender-se aos pontos positivos do passado. Numa atitude meio autista e protetora. Onde se busca ouvir uma voz interna que fale a sua língua. Algo que se comunique com seu íntimo. Afinal, quem nunca se emocionou ao ouvir uma voz amiga num momento de solidão e desespero? Você sabe onde encontrar essas vozes? Sente falta delas?