Muros e Grades – Engenheiros do Hawaii

nós criamos nossa própria prisão e jogamos a chave fora

No meu último post eu comecei a fazer uma leitura pessoal do filme Rain Man. Como escrevi, este é provavelmente o filme que mais me toca e talvez seja o filme que mais tem coisas que me tocam. No último post, eu tratei do fato de sentir-me usado em alguns momentos. Nada contra a necessidade do outro ser chamada a conversa principal. O problema é quando você percebe que a importância de sua existência reside no fato de você ser necessário em algum momento para o outro. Quando não está sendo necessário, muitas vezes sua presença sequer é tolerada. Eu de certa forma estou cortando esse tipo de contato da minha vida.

O de certa forma acontece justamente pelo tema do post de hoje. Algo que eu a uma semana tinha me proposto a escrever, mudei de ideia no meio do caminho e fiquei assim, sem saber se escrevia ou não por dias a fio. Talvez por tratar de assuntos mais pessoais do que eu gostaria, talvez por expor de direta demais alguns medos e sentimentos que eu tenho. Enfim, depois desse tempo todo remoendo, acabei decidindo ao menos dar uma pincelada no tema, da forma como eu conseguir tratar. Provavelmente isso sirva como forma de desabafo ou até como uma justificativa real para aqueles que eu simplesmente deixei de manter contato pelos motivos descritos no post anterior.

A música que eu escolhi é uma música dos Engenheiros do Hawaii, chamada Muros e Grades (clique para ouvir). A letra fala que o medo que sentimos acaba levando toda a nossa essência, nossos sonhos e desejos se perdem nessa disputa entre o medo e a vontade. Eu entendo bem isso, afinal, certamente nessa disputa entre medos e desejos, o medo está ganhando de goleada e a tempos. Meus medos mais banais definem de forma clara a forma como eu atuo em cada momento da minha vida.

Voltando ao filme, o personagem de Dustin Hoffman, acometido por comportamento autista, acaba agindo de forma parecida. Vive encarcerado em seu mundo. Tudo o que escapa de sua compreensão é visto como estímulo aversivo grave. É sentido como algo doloroso, um ataque a sua segurança. De certa forma é assim que eu vivo. Aliás, de certa forma não. De todas as formas possíveis e imagináveis.

Nesses tempos sombrios pra mim, eu tenho pensado muito em minhas atitudes. Percebo que me enclausurei numa prisão pessoal. Por opção e por incapacidade minha acabei sim me isolando do mundo. Até ai, nada demais nisso. Afinal, é preciso ser honesto, que mal existe nisso? Se foi uma opção pessoal, qual o drama da história? O drama reside na percepção tardia disso.

Sabe quando você fica grande parte de sua vida procurando algo e de repente percebe que não existe uma possibilidade real de atingir isso? É dessa forma que eu estou me sentindo agora. Pelo menos o personagem de Dustin Hoffman nunca se preocupou com o que faltava, apenas se prendia a aquilo que estava ao seu alcance em todos os momentos e refutava cada contato diferente.

Como qualquer pessoa normal, tem coisas que eu consigo fazer e tem coisas que eu não consigo. O que me incomoda é não conseguir fazer coisas extremamente simples socialmente falando. Ter um baita medo absurdo das pessoas, ter medo de situações sociais e me ver livre apenas quando estou produzindo algo que eu consiga entender (ou seja trabalho). Ir a uma festa chega a ser doloroso, ver um filme sem ter que relacioná-lo com algo que eu vá produzir depois é impossível, tudo tem que estar ligado a tudo e dessa forma eu acabo me vendo cercado por muros e grades dentro de um recinto que eu mesmo criei e me aceito. A vida só existe pra mim se fizer sentido. Isso não chega a ser ruim, também não é bom, isso é óbvio.

Conviver com essa limitação social é o problema, decidir se vale a pena aceitar viver dessa forma limitada é que torna a questão interessante. Eu juro que não sei até que ponto esse tipo de coisa vale a pena. Ter desejos e vontades que não compreendo e justamente por isso não consigo sanar é onde a coisa aperta. Entender o motivo que me leva a enjoar de determinadas situações comuns e me entregar facilmente a coisas que com certeza causam desgosto a maioria das pessoas parece ter explicação.

Explicação também surge para outro fato. Agora faz sentido a dificuldade que eu tenho de agir quando saio de minha zona de conforto profissional. Trabalhar sempre foi a parte fácil. Viver a impossível. Toda vez que eu tentei viver algo, me atrasei em todo o resto, pela simples incapacidade de entender o que exatamente é viver e sentir. Eu não sei ler sentimentos.

Por enquanto sigo no dilema, sem no entanto me irritar mais com isso. Sigo fazendo aquilo que eu sei fazer e provavelmente agora devo fugir mais ainda daquilo que não entendo. Como já disse diversas vezes, nada é para todos e entender e aceitar isso torna a nossa existência bem mais calma. Viver, trabalhar, sentir, falar, gritar, andar, existir, amar, odiar qualquer ação humana exige uma certa dose de habilidade individual, se você não possui essa habilidade, deve recolher-se a sua insignificância e não se martirizar por isso. Devemos nesse ponto ser como foi o personagem de Dustin Hoffman

Fanfare For The Common Man – Emerson, Lake & Palmer

é preciso se ver livre dos falsos amigos

Todos temos nossos dias melancólicos. Algumas fases em que a gente fica pensativo demais e para de ver as cores do mundo. Tudo fica em branco e preto, com alguma sorte fica cinza acontecem com todo mundo. Em alguns com mais ênfase do que outros.

Eu estou numa fase pensativa. Relacionar com datas como o meu aniversário na sexta passada é reduzir demais aquilo que eu estou pensando e sentindo. Estou mesmo saturado das limitações. Cansado dos extremos. Quero sim uma vida mais equilibrada. Uma vida comum, se é que isso existe. Afinal, todo mundo tem um ponto onde seu calo realmente aperta e trocar o sapato apertado nem sempre é a coisa mais simples a se fazer.

Li a pouco um texto sobre os problemas de Blaise Pascal, a forma como ele foi tratado de seus problemas de estômago. Li num blog de uma amiga querida, não sei se posso citar aqui a fonte, se ela ler esse post e permitir eu faço a edição. Hoje também foi um dia em que eu resolve escutar algumas músicas velhas, entre elas uma do Emerson, Lake & Palmer que eu adoro, chamada Fanfare for the Common Man (clique para ouvir uma versão), rock progressivo da mais alta qualidade. Além disso, ainda fazendo uns textos para um trabalho fui dar uma fuçada na minha estante de DVDs pra tirar algumas ideias. Meus olhos pararam num filme, Rain Man, e comecei a chorar.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma ligação forte com esse filme, por alguns motivos bastante pessoais. É engraçado que eu adoro a história, adoro muito. É um dos filmes que mais gosto, mas nunca tive a coragem de citar. Talvez por ser um filme que tem um quê extremamente pessoal. Eu em vários momentos me vejo no personagem vivido por Dustin Hofman.

Pra quem não viu o filme, Tom Cruise, por diversos motivos, acaba sendo obrigado a tomar conta do irmão autista (Dustin Hofman). No caso o autismo é bastante claro e intenso. Percebem-se todos os sintomas clássicos do comportamento. Manias, fobia social, fechamento num mundo particular e por ai vai. Para quem desconhece o tema, existem diversos graus de comportamento autista, do mais leve, onde a pessoa é basicamente apenas alguém meio estranha, até o mais pesado, onde existe uma quase impossibilidade de socialização.

Mas voltando ao tema. Tom Cruise passa a fazer uso do irmão, das habilidades que ele demonstra (apesar da dificuldade de se relacionar com o mundo). Se aproximando dele basicamente por necessidade. Com o tempo é que as coisas mudam e ele passa a demonstrar preocupação e carinho pelo personagem de Dustin Hofman. Nessa linha surgem dois temas para serem ditos, duas coisas que de certa forma me incomodam muito.

O fato de algumas pessoas se aproximarem só quando precisam. Perceber que isso é apenas por necessidade do outro e não sua. Não existe nada em troca, tudo é falso. Você sabe fazer algumas coisas bem e alguém que sabe disso e precisa dessas suas habilidades solicita seu auxílio. Nada de mal nisso, porém, o ideal seria a troca. Seria estar disponível para o outro lado. Seria entender que aquela pessoa que está te ajudando também precisa de ajuda muitas vezes.

Falo isso porque tenho me sentido bastante usado nesses últimos tempos. Solicitado pra coisas diversas, problemas leves ou nem tanto, em geral coisas que até consigo resolver. Em é o problema ajudar, mas poxa, será que não existe mais espaço pra um muito obrigado? Pra qualquer demonstração de que a pessoa que faz o favor também importa e não só a ação?

Ampliando bem o olhar, fica claro de que isso não ocorre só comigo, mas também ocorre com muita gente. O número de pessoas que encontro por ai e só tem olhos pro próprio espelho é imenso. Gente que acredita que o mundo gira ao redor do próprio umbigo e que todos os demais estão no mundo para servir seus caprichos, servir com um enorme sorriso pois deve ser uma honra servir pessoa tão importante.

Cansei desse tipo de convivência. Até entendo ser subserviente mas é engraçado ser visto como alguém que só serve para resolver problemas. Cortei muita gente da minha lista de contatos ultimamente por agirem comigo dessa forma. Pretendo continuar excluindo quem assim agir comigo. Aliás, acho que todo mundo deveria fazer isso. E aqueles que acham que são mais importantes do que os outros, bom, esses que cresçam e encarem o descaso como uma lição.

Post meio nada a ver, eu sei, mas é como eu estou me sentindo, o próximo falará do outro aspecto que me toca no filme Rain Man. Tem algum filme que te toca a ponto de você nunca esquecê-lo?

Fanfare For The Common Man – Emerson, Lake & Palmer

é preciso se ver livre dos falsos amigos

Todos temos nossos dias melancólicos. Algumas fases em que a gente fica pensativo demais e para de ver as cores do mundo. Tudo fica em branco e preto, com alguma sorte fica cinza acontecem com todo mundo. Em alguns com mais ênfase do que outros.

Eu estou numa fase pensativa. Relacionar com datas como o meu aniversário na sexta passada é reduzir demais aquilo que eu estou pensando e sentindo. Estou mesmo saturado das limitações. Cansado dos extremos. Quero sim uma vida mais equilibrada. Uma vida comum, se é que isso existe. Afinal, todo mundo tem um ponto onde seu calo realmente aperta e trocar o sapato apertado nem sempre é a coisa mais simples a se fazer.

Li a pouco um texto sobre os problemas de Blaise Pascal, a forma como ele foi tratado de seus problemas de estômago. Li num blog de uma amiga querida, não sei se posso citar aqui a fonte, se ela ler esse post e permitir eu faço a edição. Hoje também foi um dia em que eu resolve escutar algumas músicas velhas, entre elas uma do Emerson, Lake & Palmer que eu adoro, chamada Fanfare for the Common Man (clique para ouvir uma versão), rock progressivo da mais alta qualidade. Além disso, ainda fazendo uns textos para um trabalho fui dar uma fuçada na minha estante de DVDs pra tirar algumas ideias. Meus olhos pararam num filme, Rain Man, e comecei a chorar.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma ligação forte com esse filme, por alguns motivos bastante pessoais. É engraçado que eu adoro a história, adoro muito. É um dos filmes que mais gosto, mas nunca tive a coragem de citar. Talvez por ser um filme que tem um quê extremamente pessoal. Eu em vários momentos me vejo no personagem vivido por Dustin Hofman.

Pra quem não viu o filme, Tom Cruise, por diversos motivos, acaba sendo obrigado a tomar conta do irmão autista (Dustin Hofman). No caso o autismo é bastante claro e intenso. Percebem-se todos os sintomas clássicos do comportamento. Manias, fobia social, fechamento num mundo particular e por ai vai. Para quem desconhece o tema, existem diversos graus de comportamento autista, do mais leve, onde a pessoa é basicamente apenas alguém meio estranha, até o mais pesado, onde existe uma quase impossibilidade de socialização.

Mas voltando ao tema. Tom Cruise passa a fazer uso do irmão, das habilidades que ele demonstra (apesar da dificuldade de se relacionar com o mundo). Se aproximando dele basicamente por necessidade. Com o tempo é que as coisas mudam e ele passa a demonstrar preocupação e carinho pelo personagem de Dustin Hofman. Nessa linha surgem dois temas para serem ditos, duas coisas que de certa forma me incomodam muito.

O fato de algumas pessoas se aproximarem só quando precisam. Perceber que isso é apenas por necessidade do outro e não sua. Não existe nada em troca, tudo é falso. Você sabe fazer algumas coisas bem e alguém que sabe disso e precisa dessas suas habilidades solicita seu auxílio. Nada de mal nisso, porém, o ideal seria a troca. Seria estar disponível para o outro lado. Seria entender que aquela pessoa que está te ajudando também precisa de ajuda muitas vezes.

Falo isso porque tenho me sentido bastante usado nesses últimos tempos. Solicitado pra coisas diversas, problemas leves ou nem tanto, em geral coisas que até consigo resolver. Em é o problema ajudar, mas poxa, será que não existe mais espaço pra um muito obrigado? Pra qualquer demonstração de que a pessoa que faz o favor também importa e não só a ação?

Ampliando bem o olhar, fica claro de que isso não ocorre só comigo, mas também ocorre com muita gente. O número de pessoas que encontro por ai e só tem olhos pro próprio espelho é imenso. Gente que acredita que o mundo gira ao redor do próprio umbigo e que todos os demais estão no mundo para servir seus caprichos, servir com um enorme sorriso pois deve ser uma honra servir pessoa tão importante.

Cansei desse tipo de convivência. Até entendo ser subserviente mas é engraçado ser visto como alguém que só serve para resolver problemas. Cortei muita gente da minha lista de contatos ultimamente por agirem comigo dessa forma. Pretendo continuar excluindo quem assim agir comigo. Aliás, acho que todo mundo deveria fazer isso. E aqueles que acham que são mais importantes do que os outros, bom, esses que cresçam e encarem o descaso como uma lição.

Post meio nada a ver, eu sei, mas é como eu estou me sentindo, o próximo falará do outro aspecto que me toca no filme Rain Man. Tem algum filme que te toca a ponto de você nunca esquecê-lo?