Como uma onda – Lulu Santos

sou a árvore que distante vê a onda que vem e vai e se apaixona por ela

“Poxa, Lulu Santos é fim de carreira!” Certamente é o que um amigo meu vai dizer assim que ver o título desse post. Talvez até se lembre de uma discussão que tivemos (era um grupo relativamente grande) justamente sobre essa letra. Num churrasco, enquanto a carne estava assando a gente discutia se ela letra servia ou não pra falar do tempo, da condição dos sentimentos humanos e até pra iniciar uma discussão sobre Astronomia.

Bom, no meu atual (e péssimo) estado, me sobra claro a condição dos sentimentos humanos (ou meu mesmo, está valendo). Isso é claro numa continuação das ideias que iniciei no último post usando o filme Feitiço do Tempo. Realmente não estou bem, misturando Lulu Santos cantando Como uma onda (clique para ver um clipe) com comédia romântica. Minha cabeça anda confusa mesmo.

Mas chega de embromação, vamos lá. No filme, o personagem do Bill Murray vive sempre o mesmo dia (já falei disso antes). E nesse mesmo dia que ele vive vai se aventurando num interessante e complexo jogo de conquista. Pouco a pouco ele vai conhecendo sua pretensa amada e principalmente vai se conhecendo. Vai melhorando como pessoa, como ser humano. No final da história, como é numa comédia romântica, é claro que ele acaba realmente apaixonado e conquista a mulher que se apaixona pelo homem que ele se tornou.

História bonitinha como se vê, recheada de pitadas de humor ácido e pequenas lições de moral como o gênero exige (o personagem do Bill Murray inicialmente é uma pessoa intragável, faz questão de ser chato e só consegue algum sucesso em sua empreitada quando percebe que deve prestar atenção e assistência ao outro). Mas o que eu tenho a ver com isso?

Confesso que tenho me sentido meio Phill (o personagem do Bill Murray) a algum tempo. Nessa de tentar conquistar (e me conquistar) um pouco a cada dia. Tentando entender pequenos detalhes de alguém (e assim os meus também) e quem sabe conquistar esse alguém (pena que a vida não é como nos filmes, o final nem sempre é aquele que a gente sonha e quer).

Essa é a parte chata da coisa toda. Eu assumo ser muito bom em algumas coisas e, obviamente, péssimo em outras. Ler as pessoas é uma das coisas em que sou eternamente reprovado na primeira série. Eu queria nesse caso ler o básico, até pra definir alguns rumos básicos na minha ação. Nem falo aqui de plano de conquista. Afinal, de certa forma eu não acredito nisso, você nunca vai convencer alguém a gostar de você (a odiar é até fácil), mas sim vai mostrar-se atraente o suficiente pra que a pessoa perceba que se interessa por você também.

Eu quero(ia) muito que essa história toda tenha o mesmo desenho final do filme. Pessoa legal, admirável, bonita, inteligente, bom papo, enfim tudo o que eu gostaria de encontrar numa namorada. O que pega nesse caso é que eu não sei se sou visto exatamente da mesma forma por ela. O que é um claro direito da outra parte. Gostar ou não da ideia vai do desejo de cada um. Nesse ponto, algumas pessoas travam. Travam até num trecho da canção do Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia…” O medo de errar de fazer algo que torne tudo impraticável, até mesmo um simples bom dia pode barrar alguns bons vôos.

Eu particularmente nem sofro tanto do medo do erro. Afinal eu assumo que admiro, não tenho medo ou vergonha disso. Poxa, é realmente algo louvável conseguir admirar alguém, perceber que esse alguém tem várias coisas boas que chamam a minha atenção. Eu costumo de tempos em tempos perder a confiança na nossa espécie, confesso. Sorte que algumas pessoas me fazem voltar a acreditar no homem. Pra ser perfeito basta terminar em romance, se não der, paciência, continuo admirando uma pessoa extremamente admirável. Tão bela e forte como uma onda no mar.

Sobre o Tempo – Pato Fu

Eu devia ter dito que ela estava realmente linda...

“Tempo, tempo, tempo mano velho” Este trecho da música do Pato Fu chamada Sobre o Tempo, é o resumo dessas minhas últimas semanas. Eu sempre briguei com o tempo, ele sempre foi meu inimigo máximo. Na maioria das vezes ele passa devagar demais, ou pelo menos da forma errada no tempo errado. Coisas que deveriam durar uma eternidade acabam durando segundos.

O tempo nessa semana voou enquanto eu tentava dormir, demorou a passar quando eu tive coisas chatas e situações complicadas, se evaporou quando eu precisava terminar algo em pouco tempo e congelou quando eu precisei esperar o tempo necessário para fazer algumas coisas. Eu sei que isso acontece com todo mundo, todo mundo vez ou outra reclama das mesmas coisas que eu, só mudam as ações que levam a reclamação.

Na verdade, só me lembro de uma pessoa que conheci e que fazia questão de dizer que o tempo sempre passou na velocidade certa, a gente é que tem que se acostumar com ele. A frase extremamente sábia eu ouvi de um pescador que saia todos os dias pro mar com seu barco na Ilha Grande, encontrei-o duas vezes em visitas que fiz à ilha. Gente boníssima, saia pela praia distribuindo os peixes que pegava em excesso e sabia que iam estragar, nós que acampávamos por ali adorávamos esse acréscimo em nossa refeição. Aqui vale um bom adendo, finalmente comecei a ler O Velho e o Mar do Hemingway. Peguei emprestado e acho que vou curtir muito o livro.

Mas voltando ao tempo, a forma como ele atua em cada um de nós a cada instante é extremamente irritante. Ainda mais quando existe uma diferença clara de expectativas em relação ao que vai se passar naquele momento. É como dar aulas pra uma turma, você num ritmo alucinante, e os alunos achando tudo aquilo lento e maçante, não encaixa e não funciona pra nenhum dos lados.

Ontem, especificamente ontem eu briguei com o tempo. Reclamei dele de forma rabugenta. Vivi momentos em que eu queria que ele passasse mais devagar e momentos em que sonhava com a ampulheta extremamente veloz que foram separados por segundos, milissegundos. Até entendo que algumas limitações pessoais tornaram essas brigas mais fortes do que realmente deveriam ser, mas foi o que senti.

Primeiro o lado da pressa, fiquei feliz com meus alunos, o que eles produziram foi de qualidade, mas confesso que ficar o dia todo (principalmente durante a manhã) num lugar extremamente lotado me fez um mal tremendo. Não reclamo do trabalho, eu até curto, o que não curto é passar mal por besteiras como essa, quem sabe me livro disso em breve.

O lado oposto tem muito a ver com minha timidez. Eu uma vez pensei em escrever versos falando da minha relação com o tempo (na verdade eu vou fazer isso, apenas agora preciso estudar mais o assunto). Um dos pontos que mais me intriga é algo que eu costumo chamar de tempo exato. Algumas coisas possuem o momento exato para serem feitas e vividas. Se um segundo antes atrapalham tudo e nada funciona a contento, se um segundo depois perdem a força e podem soar até de forma ofensiva e jocosa.

Passei pela perda do momento exato ontem, senti isso de forma bem próxima. De início, vi alguém que merecia um elogio e fiquei com uma baita vergonha de fazê-lo, primeiro porque eu não queria dizer que a pessoa estava bonita ontem, mas sim que ontem ela estava mais bonita que de costume, apesar de ser já muito bonita. E queria fazer isso de forma leve, sem parecer cantada barata. Pensei, pensei, pensei e acabei nem fazendo isso, perdi o momento. E tive sim meus momentos pra isso. Aliás, em certo momento até estive a sós com a pessoa, mas por timidez o papo não fluiu, fiquei sem saber o que falar e nem consegui caminhar na direção desejada, como dito posts atrás, entender e conhecer melhor alguém que me gera curiosidade (quem é eu não cito o nome nem adianta perguntarem, talvez a pessoa até saiba que é ela, enfim tempo ao tempo…rs).

Aliás nesse momento, que eu queria até certo ponto que fosse mais longo (principalmente se eu tivesse aberto a boca como imaginado), pareceu extremamente imenso quando percebi que parecia ser inconveniente naquele momento. Ai as pessoas se afastam. E o tempo que eu queria que durasse muito, acabou parecendo longo demais.

É com essa dualidade que não sei lidar, com o jogo que envolve o outro, com a forma como a expectativa do outro altera a minha noção temporal, ainda mais quando não consigo fazer uma leitura clara da outra parte. Conheço gente que lê as pessoas como lêem um livro estilo Fogo no Céu ou o Rabo do Gato, livrinhos infantis com poucas frases, utilizados para alfabetização. Por outro lado, eu faço parte daqueles que encontram na leitura das pessoas a mesma facilidade que teria ao ler Ulysses do James Joyce numa versão em aramaico ou russo.

Quem sabe um dia eu aprenda. Quem sabe eu consiga também aprender a manusear de forma correta o tempo, e pare de perder estes instantes decisivos (justo eu que me considero um fotógrafo razoável perco instantes decisivos). Quem sabe eu aprenda que a ter o timing, faça o tempo realmente correr macio e ser um amigo legal pra mim, parando de reclamar.

E você? Reclama muito do tempo? Quais as suas grandes reclamações temporais? Aguardo seu comentário.

High – The Cure

ams (58)
Quem nunca se encantou pela beleza de uma flor só depois de vê-la bem de perto?

Ainda está difícil levar a vida. Eu queria realmente ter a cabeça leve o suficiente pra produzir textos mais divertidos e bem escritos. Enquanto eles não aparecem, falo de coisas mais leves. Hoje vou falar da segunda boa saudade. Da sensação boa de sentir-se percebido em maior ou menor grau. Na verdade, vou falar de algo diferente, vou falar do perceber, já que é o que posso afirmar nessa historinha que pretendo contar hoje.

A música de hoje é mais uma volta a minha adolescência. Sempre gostei de ouvir The Cure, ainda tenho alguns discos de vinil da banda escondidos na casa dos meus pais. High é uma música de um disco com certa história pra mim. Wish foi o último disco de vinil que comprei antes de começar a compras CDs (tudo bem eu assumo que estou velho…rs). E nesses acasos da vida. O que me levou a comprar esse disco nessa época em parte se assemelha com o tema do texto de hoje.

Naquela época os lançamentos não eram simultâneos no mundo todo como hoje, demorava um bom tempo para livros, filmes e CDs chegarem ao mercado brasileiro. Eu aluno do Brasílio Machado, tinha minha turma. Conhecia bastante gente na escola. Não todo mundo. Algumas pessoas eu via todo dia, na verdade vi por 3 anos e nunca me chamaram a atenção. Passavam totalmente despercebidas, como eu devo ter passado despercebido pra grande maioria daquela massa estudantil.

Todo dia pegava o metrô, nesse tempo eu trabalhava na estação Santa Cecília. Os alunos do Bandeirantes subiam na estação Paraíso. Alguns eu até já reconhecia de ver todos os dias, pelas piadas no caminho, até conheci algumas pessoas. Muitos não sabia sequer que estavam ali. Até que uma pessoa num dia vem puxar papo comigo. Tudo por causa de um fichário com charges que eu usava na época. Num lado estavam 10 motivos para ir a escola e no outro 10 motivos para não ir a escola.

Papo rápido, nada demais, mas a pessoa me deixou curioso. Com o tempo, passei a notar a sua presença. Até procurar e esperar. Numa das vezes em que nos vimos. Ouvia cantando essa música que eu não conhecia. Ela trazia a música gravada numa fita cassete (coisa antiga, eu sei, os diskman eram ainda novidade e hoje estamos nos ipods da vida). Acabei comprando o disco para saber mais daquela pessoa que de uma hora pra outra passou a me chamar tanto a atenção. O que se deu desse ponto em diante, melhor deixar pra lá. Não é algo que eu goste de lembrar.

Vale a pena, entretanto, dar um salto no tempo, sair de 1992 e voltar a 2009. Vivo situação parecida. Quero conhecer melhor uma pessoa. E essa é a saudade boa, a de se fazer notar e ser notado. Alguém que me parece interessante e legal. Gera curiosidade. Meu lado mais otimista me faz crer que também não passo despercebido. Não falo de romance, falo realmente de conhecer, saber quem é e o que pensa. É esse o tipo de sensação que tenho e em certo ponto às vezes me parece ser recíproco.

Falo no em certo ponto porque a minha famosa e absurda timidez não me permite ir além da forma como deveria. Não quero ser invasivo nem exagerado. Quero apenas sanar uma forte curiosidade pelo que me atrai e só a partir daí entender o que realmente acontece. Sou curioso por natureza, mas não um amante da natureza humana. Poucas pessoas realmente me chamam a atenção e quando isso acontece, gosto de saber o que me leva a isso. Sem contar que essa curiosidade e mesmo a saudade boa (ou as dúvidas que isso  gera) me ajudam a tentar seguir adiante em momentos pesados como esse em que estou vivendo, onde a falta de foco parece ser constante.

O próximo texto falará da terceira saudade boa, encerrando essa série talvez pessoal demais pro perfil do blog, mas necessária nesse meu processo de reencontro comigo mesmo. Pra depois ainda não tenho tema, aceito sugestões de vocês que passam por aqui. Desculpem o texto meloso, mas ele é realmente bastante sincero.

O Homem dos Olhos de Raio X – Lenine

Tudo aquilo que fazemos espelha nos que são mais próximos a nós

Dentre todas as formas de influência das ações, talvez a mais simples e visível seja a que é vista nos relacionamentos. Como uma pessoa apaixonada age, como uma pessoa por quem se apaixona age, como cada um reage ao outro. De certa forma retomo aqui algumas idéias e até uma frase que já usei antes, só que num momento de ira. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, frase de Antoine de Saint Exupery num livro que eu confesso que odeio, O pequeno príncipe.

Devo admitir entretanto que a frase é ótima, traz um peso bastante forte a influência que causamos uns aos outros. Aliás dá um certo tom ao peso que devemos todos carregar por sermos responsáveis por todas as nossas ações com as pessoas que nos cercam.

Para falar disso demorei um pouco na escolha da música. Acabei parando no cantor e compositor pernambucano Lenine. Gosto muito do som dele, músicas divertidas, com uma levada interessante sem nunca perder a característica de sua terra, o cara abre a boca e você sabe que ele veio do Nordeste. De sua imensa lista de músicas uma conta uma história que tem tudo a ver com o que eu quero dizer. O homem dos olhos de raio x (clique aqui para ver o clipe da música), fala de como um homem ficou fragilizado ao sentir-se apaixonado por uma mulher. Mostra que todas as ações da amada geram reações fortes no cantor.

Isso conseguimos ver em qualquer relacionamento. O grau de envolvimento gera ações e reações constantes, o que um faz interfere no comportamento do outro de forma positiva ou negativa. Tem gente que leva na boa essa situação, tem gente que se sente amedrontado e tem gente que adora controlar o outro com suas reações.

Particularmente me preocupam as pessoas que se divertem manipulando aqueles que se interessam por elas. Pra mim são pessoas tão frágeis de caráter que nem mereciam ser amadas. Vejo como pessoas que fazem qualquer coisa para reafirmar a si mesmas que são amadas. Por outro lado, quem não percebe esse tipo de atitude também está sendo frágil e bobo. Tem tanta falta de amor próprio como quem controla e precisa aprender a observar o que acontece a seu redor.

É claro que todos temos nossos momentos de fraqueza. Nesses momentos é que costumamos ter as atitudes mais infames tanto conosco quanto com o outro. O que deveríamos fazer é nos policiar para evitar tais movimentos.

Entretanto, nem tudo o que ocorre nos relacionamentos gira em torno de manipulação emocional barata. Quando no flerte, buscamos quaisquer sinais de aceite da outra parte. Durante o relacionamento, os sinais de confirmação funcionam como gasolina para que o relacionamento continue fluindo e para que as ações realizadas continuem seguindo a mesma linha.

Um olhar atravessado, uma mudança no tom de voz, um telefonema não retornado podem servir de sinal de alerta. Muitas vezes esse alerta vem como sinal de desespero, precedido da frase: “O que eu fiz de errado agora?” Muitas vezes, entretanto, nada aconteceu de errado, apenas um mal dia, ou, num caso pior, o relacionamento ruiu porque tinha que ruir.

Esse ruir, entretanto, muitas vezes machuca mais do que deveria, gera uma certa dependência da relação e é nesse ponto em que ocorrem as manipulações que tento combater aqui. O choro público, uma declaração mais forte, promessas vazias acabam inclusive destruindo o que restou de positivo de um relacionamento. Terminar e aceitar isso de cabeça erguida talvez seja a melhor forma de se retomar uma história no futuro, quando os movimentos de um voltarem a modificar positivamente os movimentos do outro e não passarem a gerar movimentos antagônicos, a presença de um faz o outro se levantar e ir embora. O nome de um gera mal estar se pronunciado próximo do outro e assim vai. Para se manter como num estágio equilibrado, não adianta um apenas estar apaixonado como na música do Lenine, mas sim os dois devem saber o que sentem e se respeitar acima de tudo

Já sei Namorar

o amor da sua vida pode estar muito além de onde sua vista pode alcançar

Sexo virtual foi o tema de terça-feira. Hoje ainda continuamos no mundo virtual, mas em outra instância. Ainda nos relacionamentos, mas agora falo dos namoros virtuais, relacionamentos que nascem e crescem na internet e do uso da ferramenta para manter e aquecer alguns relacionamentos.

Como tenho feito nos últimos posts, coloco um link pra um clipe de uma música que serve de título para o post. Hoje resolvi usar Já sei namorar dos tribalistas, clique aqui para ver o vídeo no youtube. Os Tribalistas foram um projeto de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, consta que reunidos para gravar um disco solo do Arnaldo Antunes, os 3 começaram a compor algumas músicas e resolveram lançá-las em um cd. O resultado fez muito sucesso no Brasil e algum sucesso no exterior.

A música escolhida fala da frivolidade das relações hoje, afinal diz que já se sabe namorar, beijar de língua, só falta sonhar mesmo, porque o resto todo já se sabe. Um verso entretanto me chamou a atenção, logo na primeira estrofe aparece a seguinte afirmação: “Já sei onde ir/ Já sei onde ficar/ Agora, só me falta sair” realmente para muita gente falta sair. Falta partir para o mundo real e é esse o mote.

Não estou em uma campanha contra o mundo virtual, afinal eu mesmo passo horas e horas por semana usando a internet para as mais diversas atividades. Apenas estou tentando dissecar parte do que ocorre aqui no mundinho virtual. Nesse aspecto, também não quero dizer que todo mundo deve ganhar as ruas e se relacionar com todo mundo das mais diversas formas. Apenas quero falar que tem gente que só se relaciona via computador.

Diferente do pessoal da terça-feira, que faz do sexo virtual sua única forma de sexo, as pessoas que fazem uso da internet para namorar buscam outro tipo de satisfação, não é um prazer mecânico, mas sim uma ação emocional e sensorial. As pessoas querem se conhecer, querem sentir-se amadas e querem amar. Para tanto precisam de alguma intimidade com outras pessoas e essa intimidade é o namorar.

Onde as pessoas se conhecem? Locais costumam ser padrões, como trabalho, vizinhança, escola, igreja, clube, cursos, enfim, quaisquer lugares onde se tenha espaço para ser visto e tempo suficiente para se mostrar quem realmente se é. É claro que existem os casais que se formam nas baladas e em encontros fugazes e mesmo assim passam a vida toda juntos, mas a regra é as pessoas se conhecerem e se empolgarem com um certo tempo de contato.

Nesse ponto a internet acaba tendo certas vantagens, visto que, o que se vende são apenas as idéias, as imagens muitas vezes são forjadas (idéias também, mas isso é mote pra outro post), as pessoas falam o que pensam e emitem opiniões e acabam por agrupar-se de acordo com o que pensam. Ai podem surgir relacionamentos desse contato virtual, não pelo interesse físico, mas por um suposto interesse de idéias.

Parte desses relacionamentos sobrevive todo o tempo no mundo virtual. Pessoas de países diferentes, cidades diferentes, mundos diferentes conversam entre si através de um computador. Chegam a virar confidentes e, de alguma forma estranha, chegam mesmo a enamorar-se mesmo sem o contato físico e real. Aqui, entretanto, diferentemente do que disse sobre sexo virtual, o peso da imaginação é bem menor, é claro que existe, mas existe também uma pessoa real, que imagina-se saber o que pensa sobre determinados assuntos e é justamente por essas idéias que as pessoas se apaixonam. Existem casos que vão pro mundo real e dão certo e casos que naufragam (eu vou falar desse tipo de coisa no post de domingo).

As pessoas criam encontros virtuais e marcam horários com chats e câmeras com a mesma seriedade que se vai com a(o) namorada(o) ao cinema ou a um restaurante. Raramente é algo escondido, não existe motivo pra isso ser escondido, existe cobrança, existe o tal relatório diário de como foi seu dia, existem todas as convenções de um namoro real, afinal para os envolvidos é um namoro, apenas sem o contato físico que existe nesse tipo de relação. Para mim, alguém ligado ao mundo real a história inicialmente pareceu coisa de louco. Conversando com gente que passou ou passa por isto comecei a entender a lógica.

Para quem namora por computador, isso não é forma de suprir carência, é apenas a maneira que encontraram de se aproximar da tampa de sua panela independente do local onde ela esteja e em muitos casos, realmente existe uma passagem para o mundo real. Esse tipo de relacionamento não é para todo mundo, eu não me veria realmente preso a alguém que não vá ver e tocar e que mora a uma distância irreal de mim, mas tem gente que encara isso e até mesmo se programa para diminuir essas distâncias. Cada um sabe como lida com aquilo que lhe incomoda. No fundo, o que importa é que as pessoas sempre partam em busca de sua própria felicidade.

Erotica

Criar uma imagem falsa sobre ser belo e atraente às vezes funciona como fuga para algumas pessoas

Continuo falando de Internet nessa semana. O tema é bastante vasto e a forma como nos relacionamos com ela sempre traz a luz diversas boas idéias para se discutir. Hoje voltando para casa do trabalho (viva, férias!!!) Rádio ligado numa emissora que não falava do trânsito (viva, férias!!!) e as músicas rolando. Eu estava meio sem idéias pra música de hoje. Quero falar de um tema meio pesado. E até controverso. Sexo Virtual. Pensei em colocar eu sei do Legião Urbana, pensei em alguma outra canção eletrônica como a Computer Love, mas nada me agradava.

Ai o rádio me deu a solução. Fazia um tempão que eu não ouvia Madonna. Nessa onda de comoção pela morte do Michael Jackson, a rainha do Pop seria a melhor solução. Enquanto Michael sempre fez de tudo pra infantilizar-se, Madonna explora a sua sexualidade ao máximo, canção como Material Girl, ou Like a Virgin exploram bem o assunto sexualidade.  Logo para o que eu pretendo discutir hoje, ela é a artista ideal. Dentro do seu repertório, a música que mais me cativou para o tema foi a mais escancarada. Erotica,música que dá título ao álbum lançado em 1992 praticamente descreve uma transa. E é justamente disso que quero falar. Talvez use Justify my love no próximo post.

Calma pessoal, não vou aqui ficar contar preferências ou narrar contos eróticos, nem tenho cacife pra isso. Mas vale a pena falar de algo que até hoje nunca entendi. O sexo virtual. Conheço gente que só paquera, namora e transa pelo computador. Gostaria de saber como isso é possível. Fantasiar até faz parte do jogo, mas apenas fantasiar me parece até certo ponto medo demais.

Outro dado interessante é o alto número de sites eróticos que existem na internet principalmente a quantidade de gente que dá vida a esses sites, muitos deles com acesso restrito. As salas de chat erótico também fazem um sucesso tremendo e ver o que as pessoas buscam nelas em parte é o tema deste post.

Conhece-se gente em tudo quanto é lugar, até na internet. Isso é um fato normal e corriqueiro. Ao se conhecer as pessoas, a tendência é que relacionamentos surjam, amizade, ódio, namoro, casamento, seja lá o que for, as pessoas se relacionam de uma forma ou de outra. Com o advento da internet e a facilidade de comunicação surgiu uma parcela da população que se comunica e até jura amizade e fidelidade mesmo sabendo que nunca vai se ver ao vivo. E dentro desse grupo, vale a pena falar de outro grupo. Um pequeno grupo que cria todas as suas relações, inclusive as sexuais totalmente pela internet.

Para escrever esse texto, por uma semana visitei chats eróticos de grandes portais como Terra e Uol, queria entender o que era aquilo que as pessoas me falavam e principalmente ver se valia a pena gastar teclas com o assunto. E confesso que rendeu muita risada e principalmente medo.

Eu ri de muitas das histórias que li nos chats, dos comportamentos que observei e tive medo de algumas ações. Tem horas em que você percebe que as pessoas envolvidas naquele espaço virtual enxergam aquilo como realidade e fazem de tudo para viver aquilo como real. Procurei conversar com algumas pessoas sobre o que exatamente ocorre ali, porque fazem uso do espaço e coisas do gênero. Poucos estiveram abertos a esse tipo de contato.

Mas no geral, o que encontrei foram pessoas tímidas que disseram não conseguir nada fora dali, nem mesmo conhecer pessoas ao vivo. Então criam um personagem e expressam toda a sua sexualidade reprimida ali. Vivem aquilo de forma intensa e sentem aquilo como se realmente fosse o sexo mais real, divertido e saudável da face da Terra.

Tem o grupo dos que se dizem frustrados com seus relacionamentos reais e buscam apimentar as relações, partindo inclusive para encontros reais e algumas vezes com seus parceiros do mundo real, mas isso é tema pra outro post. E o terceiro grupo, menor, é o de gente que entra ali simplesmente pela farra, tirando sarro da situação e dos envolvidos, inclusive eles mesmos, por passarem horas de seu dia imaginando coisas e escrevendo para que possam se masturbar. As pessoas que buscam realidade mesmo, conhecer as pessoas ao vivo e tudo mais formam um grupo extremamente pequeno.

Nesse jogo virtual, me intrigou o primeiro grupo. Gente normal que se acha menos, gente que fantasia para poder ter uma sensação real que não consegue. Gente que tem medo e nem sabe ao certo do que. Um número extremamente alto de gente que foge de sua própria realidade.

Vejam, eu não critico a fantasia, acho saudável até. A indústria erótica movimenta muita grana e de forma honesta emprega muita gente. Estimula e brinca com o desejo de muitas pessoas e de muitas formas. Em alguns casos, realiza esses desejos ou os torna viáveis. O que eu critico aqui é o apenas fantasiar, viver num mundo de fantasia sem ter consciência disso. A música da Madonna fala de muitos desejos, brincadeiras e formas de se satisfazer sexualmente, se a pessoa se sente atraído por elas, por que não fazer ao vivo? Por que apenas fantasiar na frente de um computador?

(I Can’t Get No) Satisfaction

Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

A internet hoje é vista como fonte de saber, entretenimento, lazer e até socialização. Já tenho falado disso a semana toda. Pretendo seguir com o tema pela próxima semana também. Hoje eu quero falar do uso que alguns de nós fazemos do mundo virtual. De fonte de prazer e realização. De um meio onde podemos encontrar toda a felicidade que não encontramos no cotidiano real.

Essa busca por um prazer quase viciante e irreal me fez buscar uma música super famosa dos Stones. Todo mundo conhece a banda e provavelmente todo mundo conhece a música que separei. (I Can’t Get No) Satisfaction é talvez uma das músicas mais conhecidas do mundo. Coloquei um link para a versão tocada pela banda no Rio de Janeiro alguns anos atrás, vale a pena clicar na música e ver e ouvir o som.

A letra da música parece levar a uma busca louca por algum prazer que motive a pessoa. Dirigir não é suficiente, ver TV não é suficiente, sexo parece ser a busca, mas as garotas fogem do cantor. E sua busca continua por prazer, ele quer prazer  porque nunca consegue se satisfazer. Talvez seja isso que leve uma grande parcela da população a ficar tanto tempo na frente de um computador buscando prazeres estranhos.

E aqui eu falo de prazeres estranhos não menosprezando as sensações, mas sim porque são prazeres do mundo real, levados de alguma forma para o mundo virtual. Não digo aqui se tratar de um complexo de Júlio Verne, onde alguém que mal pode sair de seu quarto consegue obter informações de todo o mundo dando a impressão de que tem total controle sobre essas informações. Isso é até factível e lógico. Usar conhecimento para gerar conhecimento é sempre algo interessante.

É claro que eu não quero que as pessoas parem de visitar o Museu do Louvre para fazerem visitas virtuais, a sensação seria totalmente diferente em cada um dos casos, mas uma visita virtual ao museu pode sim acrescentar algum tipo de informação útil. O que complica na verdade é quando não nos pegamos ao ato e sim a sensação gerada pelo ato.

Voltemos aos Stones, Mick Jagger quando fica pulando no palco e cantando: “Não consigo ficar satisfeito”, fica por acaso diferente das pessoas que criam toda a sua rede de relacionamentos e sensações no mundo virtual? Jogar todas as sensações no mundo virtual tem o mesmo peso de dizer o mundo real não presta. Tem o mesmo peso de dizer eu sou incapaz de viver sensações ao vivo, então as invento.

E dentro desse processo de invenção temos as pessoas que se reinventam totalmente. São as pessoas que acabam mudando nomes e imagens. Vendem-se com outro perfil, centímetros a mais, quilos a menos, músculos a mais, defeitos visíveis a menos. Pessoas altamente tímidas e inseguras que mudam completamente de comportamento protegidas por uma rede de cabos de fibra óptica.

Enquanto isso funciona como uma fantasia leve não existe problema algum. O problema é quando a pessoa simplesmente apaga seu mundo real e vive apenas em função desse personagem virtual que criou. Ao invés de tentar cada vez mais se aproximar no mundo real desse ideal criado, a opção acaba sendo destruir o real e viver cada vez mais o virtual. Como se só ele fosse possível de trazer algum tipo de felicidade e conforto para a pessoa.

Esses personagens passam a ganhar vida própria e tomam tudo o que deveria ser da pessoa, seu tempo, seu lazer, suas idéias e suas ações. O vício virtual chega ao nível de pessoas não conseguirem mais fazer nada que não seja ligado a rede. Todos os namoros são apenas virtuais, todos os amigos estão numa rede social na internet. A preocupação diária passa a ser chegar em casa o mais rápido possível para encontrar os amigos, sendo que na verdade esses amigos nunca foram vistos, possuem rostos, vozes e imagens criados virtualmente também.

Busque seu prazer, faça uso da rede, mas faça uso racional, faça com que o mundo virtual auxilie o real e não o oposto. É no mundo real que a gente ri, chora, tem medo e fica alegre. É no mundo real que a gente consegue ouvir os Stones berrando que não conseguem se satisfazer. Semana que vem eu continuo com isso. Quero falar de relacionamentos que começaram pela net e dão certo, os que falham e até sexo virtual, algo que confesso acho absurdo….rs

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