Computer Love Computerliebe

Buscando companhia e fugindo do contato

Pensando no tema dessa semana fui buscar músicas para ilustrar o que eu quero escrever. Confesso que já tinha alguma coisa em mente. Talvez uma das escolhas mais óbvias tenha sido a música que separei para hoje (mais óbvia que a do Gil de terça-feira passada). Provavelmente eles sejam os pais da música eletrônica, com seu som baseado em teclados e sintetizadores.

O Kraftwerk nasceu nos anos 70 e até hoje é considerada uma das bandas mais influentes da história. Escolhi uma de suas músicas pela letra. Computer Love (ou computerliebe). Ela fala da busca de um encontro no mundo virtual e isso em 1981, o clipe criado pela Dadaistique (clique no nome da música) retrata bem uma idéia que ainda existe nos tempos atuais.

Hoje vou falar da busca por relacionamentos virtuais. Nas grandes cidades a solidão tem funcionado quase como uma prisão para uma parte das pessoas. O ritmo acelerado, as diversas obrigações diárias, o medo de se expor e a fragilidade existente nas pessoas acaba tornando elevadíssimo o número de pessoas que sofrem com a solidão, mesmo cercados por milhares e milhares quase diariamente.

Estamos nos tornando cada vez menos sociais. O contato entre as pessoas diminui, apesar de ser fácil ver bares lotados, festas lotadas, cinemas lotados, estádios lotados. As pessoas não se conhecem. Basta uma conversa com pessoas de gerações anteriores. Antigamente era comum as pessoas se conhecerem numa festa de bairro, num ônibus, até num mercado. Hoje, eu vou ao mercado quase todo dia, vejo sempre as mesmas pessoas por lá e confesso que mesmo depois de 2 anos, não sei o nome de ninguém.

Shopping centers lotados pessoas andando de um lado para o outro, quase sempre apresadas. Quantas se falam durante esse passeio? E nos parques? Praias? Metrô? Vivemos um período de medo, temos medo do outro, aquele que está ao nosso é hoje fonte de medo.

E ai chegasse a casa, liga-se o computador e a internet. Faz-se o que? Busca-se gente. Busca-se contato, o mesmo contato do qual se fugiu o dia todo. Chats, sites de relacionamento virtual, agências de namoro e tudo mais viram opções para uma turma que perdeu a coragem de se expor no dia a dia.

Ama-se pelo computador, conheço gente que só vive de relacionamentos virtuais, conversa horas com pessoas que estão distantes, do outro lado do mundo. Mas não sabem sequer o nome dos seus vizinhos, aqueles que numa emergência teoricamente seriam as primeiras pessoas a serem procuradas.

Não estou aqui fazendo coro contra o mundo virtual. Apenas quero dizer que a gente não pode exagerar. Se buscamos pessoas reais no mundo virtual, por que não buscar pessoas reais no mundo real? São as mesmas pessoas. Imagino a cena, um cara indo a padaria de manhã cedo, compra pão e leite, compra o jornal e umas revistas na banca ao lado da padaria. Uma mulher muito bonita passa por ele, ambos se olham e viram o olhar pro solo. Ela compra seus pães, compra também algo da banca, ficam minutos por ali lado a lado, até observam a mesma revista. Sem dizer uma palavra um ao outro. Nem um bom dia.

Saem dali e cada um se dirige a sua casa, talvez até com a lembrança da pessoa que estava ao seu lado em sua mente. Porém, sem a coragem de falar algo. Eis que, coisas do destino. Entram num chat e acabam por conversar. O mundo virtual os aproxima. Conversa vai, conversa vem e se descobrem vizinhos. Marcam pra um tempo depois um encontro, quem sabe um café naquela mesma padaria? Qual seria a surpresa de ambos ao se reconhecerem?

Pois é, isso é possível e até provável no mundo atual. Fica-me a pergunta, por que temos tanto medo daquilo que buscamos? E nem falo de um relacionamento amoroso, falo de um relacionamento com o humano. Por que buscamos numa tela de computador aquilo que está a centímetros da gente? Por que fazemos a mesma coisa que foi dita nos primórdios da internet pelo Kraftwerk? E principalmente, como mudar isso?

Eu continuarei no tema, no domingo devo postar algo sobre relacionamentos virtuais, brincar com algumas histórias que conheço, algumas deram certo, outras nem tanto.

Cartão Postal

Só vou saber o que tem no alto da escadaria se eu tiver coragem de subir até lá.

Prometi continuar falando da busca por simplicidade. Aliás prometi falar disso nos relacionamentos. Ainda que eu não seja o melhor exemplo pra falar de relacionamentos (estou no grupo dos encalhados), confesso que gosto de viajar sobre o assunto.  Conversando com amigos sobre o tema, sempre surgem algumas frases comuns da parte da turma que ainda está solteira: “Eu nunca entendo o que ela(e)s querem?”, “Por que nunca falam o que estão sentindo?” ou ainda “Ela(e) parecia que estava me dando um mole tremendo e dei com os burros n’água.

Estamos sempre reclamando não entender o sexo oposto, não entender o que o outro deseja, quando na maioria das vezes, o que falta mesmo é coragem pra tomar as decisões mais óbvias. Quer um bom exemplo disso? Qualquer um já deve ter vivenciado ou visto, quando adolescente uma cena comum. O rapaz todo envergonhado olha para a garota de longe. Ele, doido pra se aproximar, não sabe o que fazer. A garota, vendo de longe, torcendo pro garoto se aproximar. Provavelmente os dois estudam na mesma sala de aula ainda. Não seria muito mais fácil um chegar perto do outro e dizer que está interessado na outra pessoa?

Esse seria o óbvio, mas e o medo do não? O medo da derrota e de ouvir isso na frente dos outros, ou pior, ter que falar para os amigos que não deu certo. Afinal ambos contaram para todos os amigos que existia um interesse e esses “grandes amigos”, fizeram o favor de espalhar pra todo mundo num raio de 100 km que existe um interesse de y em x e talvez vice-versa. Não, somos derrotados pela vergonha.

Isso não acontece só com adolescentes, qualquer pessoa terá sempre uma reação parecida, não importa a idade ou o relacionamento. É o medo de falar que o casamento não está legal e perder o(a) companheiro(a), é o medo de dizer um desejo mais íntimo ao parceiro e ser visto (a) como vulgar, até o mesmo e ter que recomeçar a própria vida.

Nessa linha de pensamento, uma música gravada pelo Cazuza e composta pela Rita Lee e pelo Paulo Coelho serve como um bom tapa na cara para a gente acordar. Recomendo que prestem atenção na letra de Cartão Postal. A praticidade exposta na letra é de cortante. Pra que sofrer na despedida? Eu sei que ter tanta maturidade assim é complicado e sei também que dói perceber as nossas derrotas e falhas, por mais anunciadas que sejam. Por mais que um relacionamento vá mal, terminar é assumir a nossa falha em fazê-lo dar certo. Por mais que a pessoa que você está paquerando não tenha nada a ver com você e todo mundo perceba isso. Levar um fora é doloroso, nos dá uma sensação de impotência e incapacidade.

O que barra muitas vezes a vida de uma pessoa é o medo de sofrer pequenos contratempos em sua busca. Uma das primeiras coisas que aprendi no meu tempo de praticamente de judô foi a cair. Se você não cai, não tem motivo pra levantar. Se você tem medo de cair, como pode querer jogar alguém? Esse é um dos princípios do esporte (calma gente tem muito mais coisa, só peguei o trecho que me interessava nesse assunto). Perder o medo para poder melhorar e fazer direito. Ser direto e preciso no que quer, só assim testando, você saberá realmente se a sua resposta será positiva ou não.

Para o que vc gosta… Diariamente

Poderíamos ser objetivos como esse sanhaço, você tem fome? vá atrás de comida e pronto.

Final da semana dos encalhados, ops namorados. Momento de um novo tema. Talvez não tão novo, visto que parte dele vem justamente do que escrevi semana passada. Quem leu os textos da semana passada, principalmente o texto Eu me Amo, não posso mais viver sem mim…, tem a sensação que eu sou um cara cheio de amor próprio, cheio de coragem e totalmente decidido. Na verdade não é bem assim, aliás tenho medo de um monte de coisas, mais do que se pode imaginar. Apenas tento ser um cara prático.

A praticidade é talvez o maior dos meus mantras e mote principal das minhas ações. Busco sempre ser prático, o caminho mais óbvio dentre as opções que surgem. Até para conseguir entender o que leva algumas coisas a não funcionarem a contento. Dentro dessa linha de pensamento, a música Diariamente composta por Nando Reis e cantada por Marisa Monte de forma belíssima se torna quase um hino ao prático.

A forma como as idéias são apresentadas uma a uma mostram que sempre a busca pela resposta tem que ser objetiva, se você tem o problema A, a resposta nunca vai ser algo de B, mas sim algo parecido com A. Talvez por ser biólogo, a idéia de que tudo na natureza é simples me seja bastante familiar. E como professor vejo meus alunos muitas vezes buscando soluções mirabolantes para problemas simples. Gente, o simples é realmente simples. Física Quântica vai ser algo simples se você estiver inserido dentro do contexto.

E isso serve para tudo na nossa vida. Muitas vezes enrolamos com desculpas mil para erros que nós cometemos. A falta de coragem muitas vezes é o que nos leva a tomar decisões longas e que dão muito mais trabalho depois do que o caminho óbvio. Eu curto a simplicidade, decisões como “… Para diíceis contas: calculdora…”. ou “… Para viagens longas: jato…”, funcionam perfeitamente.

Afinal pra que se preocupar com o tempo da viagem se ela tem que ser feita? se você tem que fazer as contas, aprenda como elas funcionam, se não sabe, ao menos saiba usar uma calculadora e pronto, mas resolva, é esse o caminho. Um amigo meu fotografa casamentos, já fui com ele algumas vezes e as lembranças das noivas por mais diferentes que sejam, acabam girando mesmo em torno do tal marzipã, falta de criatividade? Não, apenas a coisa funciona, se você tem milhares de coisas para se preocupar, para que ficar procurando pêlo em ovo?

Justamente porque procurar pêlo em ovo é uma das coisas que mais fazemos durante a nossa existência. Nessa semana quero brincar com essa idéia, na quinta vou dar exemplos de como fazemos isso nos relacionamentos, como conseguimos complicar coisas que são absurdamente simples. Você tem algum exemplo de ação que deveria ter sido mais simples? que tal mandar um exemplo? Estou aguardando (assim como o filme do david Byrne, pra quem não sabe ele é foi o vocalista dos Talking Heads, banda de muito sucesso nos anos 80, hoje é divulgador de world music e ainda lança alguma coisa interessante.

 

People like us

No fundo só procuramos alguém que seja como olhar num espelho

Tem um filme do David Byrne chamado True Stories, de 1986 que sempre me vem na memória. Nunca achei pra comprar, acho que nem saiu em dvd, o que é uma pena. O filme funciona como uma espécie de colagens de clipes para o álbum do mesmo nome, pelo youtube, eu até ia colocar o link, mas não achei o da música que eu queria. People Like Us. Aliás até achei o filme todo, mas o trecho que eu queria é o único sem som e ainda partiram justamente essa cena no meio.

Por que justamente essa música? Aliás desse filme eu até poderia ter escolhido outros exemplos pra falar de relacionamentos amorosos, como Love for Sale, ou mesmo Wild Wild Life. E na verdade Love for sale foi minha primeira opção, confesso. Mudei de idéia depois de um bate papo agradável e inesperado.

Imaginem a cena, pós ressaca do dia dos encalhados, ops namorados, 6 solteiros, 3 homens e 3 mulheres, sentam-se num bar por duas horas para um papo rápido regado a coca-cola, batata-frita, h20h e cerveja (pras meninas). Adultos, jovens, solteiros e de certa forma querendo encontrar alguém especial. Conversa vai, conversa vem e ai surge o mote que eu precisava pra escrever este texto. O que acontece que tem tanta gente solteira por ai?

No filme, tem um solteirão a procura de casamento e justamente quando ele canta a música título na tevê encontra a mulher de sua vida, que sensibilizada acaba indo atrás do cara. Afinal ele só quer alguém como ele. O que no fundo é o que todo mundo busca, ou não? Ai talvez paire a dúvida, buscamos alguém como somos ou como imaginamos que somos?

Deixa a metafísica pra depois, ainda tem alguns assuntos a serem retomados da conversa no bar. A primeira coisa a ser ouvida foi que não existem homens no mercado. Nós rebatemos dizendo que as mulheres estão muito exigentes, afinal, as mulheres dizem que até existem homens, mas eles são canalhas. E no fundo fica esse de empurra empurra. Analisando friamente talvez todo mundo estivesse certo e errado ao mesmo tempo. Certos porque não existem mesmo as pessoas que aparecem em nossos sonhos, certos porque exigimos aquilo que achamos ser o que merecemos e merecemos muito, certos porque tem gente que realmente só pensa em si e no seu prazer. Porém, estamos errados também, errados porque muitas vezes existem pessoas e não nos arriscamos, errados porque alguns dos desejos da outra parte são simples e justos e não queremos ceder e errados porque esquecemos que vivemos num mundo real.

Um mundo real onde as vezes a carência nos leva a fazer besteiras como se aproximar de pessoas erradas justamente por medo e receio de ficar só (e ai vale o post anterior onde falo de enamorar-se), ou fugir de todo mundo porque achamos que todo mundo vai abusar da nossa dedicação.

Tem gente que leva isso tão na boa e nunca entra em crise, solteiro ou acompanhado segue sua vida tranquilamente,tendo as crises que todo mundo tem. Tem gente que não, que sofre sempre, independente do que ocorra. Eu sou daqueles que acredita que temos que encontrar nossos iguais, pessoas que pensem de forma parecida e tenham sonhos parecidos, isso para os nossos principais relacionamentos, sejam eles emocionais, sexuais ou amizades verdadeiras. Até para que possamos nos ajudar e entender o que se passa na cabeça do outro.

É claro que divergências vão sempre existir e são boas para fazer crescer, mas não dá pra conhecer alguém sabendo que essa pessoa gosta de ir pra balada toda semana e depois de uma semana querer proibir isso (isso é óbvio, mas é incrível como esse tipo de coisa ainda acontece nos dias de hoje, gente mandando em gente, escravidão já acabou faz tempo).

No final a conversa acabou pela metade, infelizmente a zona do lado de fora perturbou a paz e fez todo mundo ir embora, pena, até porque está com gente como eu, gente comum e a discussão ia longe. Serviu pelo menos de mote e para marcar outras conversas.

Aliás, se alguém souber onde vende o filme do David Byrne, por favor me avisa, esse eu quero mesmo comprar!!!

Eu me amo, não posso mais viver sem mim…

A luta pela sobrevivência é a maior prova de amor por si próprio

Mais um post na linha do manual do encalhado…rs. Hoje começo ao som de Ultraje a Rigor. Rock bruto e engraçado e pra esse dia de hoje perfeito. Sim, tem o pessoal que ficou horas no shopping procurando o presente certo pra declarar o seu amor. Tem também quem aproveitará a data para mostrar dotes culinários escondidos ou conhecerá aquele lugar que imagina ser especial para si e a pessoa amada. Mas tem bem mais gente.

Tem gente que como eu vai “comemorar” sozinho. Gente que vai se produzir pra si mesmo, trocar uns amassos com o espelho e romanticamente ver um filme legal sozinho, depois de um jantar caprichado preparado com todo carinho pra pessoa mais especial que já teve a oportunidade de conhecer. VOCÊ MESMO/A!!!!

Observem a letra, ela não é fantástica?

Há tanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz, já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei prá aprender
Daqui prá frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Refrão
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Prá eu gostar de mim, me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Prá toda vida eu quero estar comigo
Foi tão difícil prá eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar, mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar

 Precisa falar mais alguma coisa? Na verdade a questão toda se resume a isso, ame-se, você tem que ser legal pra você mesmo. E ai irradiando felicidade acaba aparecendo alguém que queira saber o que essa pessoa que te deixa tão divertido tem a oferecer e ai, tudo resolvido.

Falo desse assunto hoje devido a repercussão do post anterior (É impossível ser feliz sozinho). Em certas parte do post eu disse que era possível sim ser feliz sozinho. Hoje, no dia dos namorados, passo a discordar de forma veemente disso. É impossível, porque se você não está bem nem com você mesmo, não pode mesmo ser feliz. Essa é a grande sacada. enamorar-se por você.

Tem que ser um amor verdadeiro, daquele de se cuidar mesmo. Não falo de cuidar da aparência apenas, mas principalmente da cabeça. Tem que estar loucamente apaixonado, a ponto de irradiar felicidade por todo o corpo. Você tem que respeitar as idéias que tem, ver a beleza onde ela existe e não ligar pra falta de beleza e pequenos defeitos desse seu amor eterno. Até porque se você ficar lembrando toda hora do cabelo que se foi, da barriga que cresceu ou do fato de torcer para o corinthians como defeitos, todo mundo vai passar a ver isso em você como coisas ruins.

Então, eleve as boas idéias, mostre como seu amor tem um humor divertido e pode ser uma boa companhia, mostre que acha seu amor lindo/a. Discutia com um amigo meu que todo relaciomento pra funcionar bem tem que ser composto de 3 casais, os dois envolvidos, e cada envolvido consigo mesmo. É nessa linha que eu estou caminhando e pensando. Tanto que hoje, meu dia dos namorados será comemorado comigo mesmo, da forma como disse lá em cima. Muito bem acompanhado comigo mesmo (a não ser que algo mude tudo até o final do dia…rs), bom filme e bom jantar, só descarto o vinho…rs

É impossível ser feliz sozinho…

Flores a todos os enamorados

Muita gente me pediu pra escrever sobre o Dia dos Namorados. Confesso que ao ler tais pedidos fiquei com uma sensação estranha. Um misto de tristeza e até certo ponto alegria. O lado triste da história foi perceber que continuo no clube dos encalhados e carentes, fazer o que? Até já faz um bom tempo que estou nessa, falta encontrar ou ser encontrado por alguém. Enfim, isso de certa forma precisa de alguma alteração, paixão ainda é algo que me motiva, falei disso no post Aprendendo a Falar e a Viver, onde falo de como nasceu meu primeiro livro, mas enfim, passado infelizmente ou felizmente, sei lá, é passado.

Ok, esse é o lado triste, onde estão as coisas boas nessa história? Bom, nesse tempo todo de encalhe (ops seria melhor escrever solidão), aprendi muito sobre mim mesmo, cresci como pessoa. Cresci a ponto de levar a solteirice na esportiva, sem tanta neura. Outro ponto divertido foi justamente receber os pedidos pra falar do tema. Esse flerte com quem me lê é divertido, eu gosto de saber o que quem me lê pensou ou sentiu do meu texto. Me ajuda nessa cruzada por auto conhecimento e também torna esse espaço mais democrático. Como disse a quem neguei a liberação de comentários, evito sempre comentários que por serem pessoais demais podem expor quem os fez.

Mas voltando ao tema. O encalhado aqui vai falar de uma data, ou melhor do que traz essa data de simbolismo. Começo usando justamente o verso do Tom Jobim. Adoro as músicas dele, gosto ds letras e das melodias, wave não é diferente. O verso entretanto pode até ser questionado. Eu sou daqueles que acredita que dá sim pra ser feliz sozinho. Que a felicidade está mais ligada ao indivíduo do que ao que se alcança, felicidade é algo interno.

É claro que o carinho de alguém, beijos apaixonados, uma frase bem colocada ao pé do ouvido, tudo isso faz sim diferença no nosso ânimo. Mas conheço gente que tem tudo isso e ainda assim não é feliz, como também conheço gente que é feliz sem ter a cara metade, a tampa da panela ou qualquer outro sinônimo popular que se ache. O importante é estar bem consigo mesmo, até para poder estar bem com os outros.

É claro que nessa época em especial me sinto como a música do Dominguinhos (Que falta eu sinto de um bem/Que falta me faz um xodó/Mas como eu não tenho ninguém/Eu levo a vida assim tão só/ Eu só quero um amor/Que acabe o meu sofrer/Um xodó pra mim/Do meu jeito assim/Que alegre o meu viver). Na busca por alguém que realmente mexa comigo. E que mostre também que o Jobim estava certo quando escreveu. Afinal, é ligar a televisão e ver comerciais, os filmes que passam se tornam todos românticos, qualquer restaurante tem promoção pro dia dos namorados, ficar livre dessa influência só se mudando pra marte, porque nas cidades pequenas (eu moro em uma) o assunto também é o mesmo.

E esse lado comercial da coisa por incrível que pareça traz um certo glamour ao evento. Olhando por ai, se percebem casais às vezes em fase mais decadente do relacionamento usando a data pra tentar se modificar, voltar a namorar naquele casamento de 30 anos. Serve de lembrança, tem gente que só lembra que tem alguém especial por causa dessas datas comerciais. E quem não tem, como eu, fica com inveja…rs

É claro que tem aquelas pessoas eternamente enamoradas, não pelo outro, mas pela vida, gente que sorri de e por tudo. Pra esses essas datas realmente não possuem sentido ou função alguma, assim como para aqueles apaixonados de plantão. Mas eles não são o grosso da população. Acho que é por isso que estas datas fazem tanto sucesso. Assim como acho que é por datas como essa que acabamos por crer, mesmo que estranhamente, em versos como os do Jobim.

No fundo é tudo pura viagem pra falar de um tema que o encalhado aqui não entende nada, mas espero ter emitido a minha opinião. Fica um abraço carinho (e cheio de inveja) a todos os leitores enamorados e a torcida para que os leitores solteiros como eu desencalhem até o dia dos namorados do ano que vem.