Sympathy for the Devil – Rolling Stones

 

 

Volto a falar do filme Motoqueiro Fantasma 2. Um filme que realmente rendeu muito para mim. Volto a falar porque ele apesar de não tão bom, me fez muito bem. Porque apesar de até certo ponto raso, me fez ter pensamentos até certo ponto profundos. Pensamentos estes que me fazem vir aqui hoje e escrever para quem quiser ler.

Aliás, escrever para quem quiser ler é algo que não vale só pra mim. Muita gente faz isso, conheço diversos blogs que leio e acompanho, vez por outra cito um por aqui quando traz algo que tem a ver com o que quero discutir. Hoje faço isso de novo. O blog Saindo do Prefácio (http://saindodoprefacio.blogspot.com/) da Vanessa é um desses blogs que cito. Nele, ela faz comentários diversos sobre o que pensa. Vale uma visita.

Eu uso o blog como referência (e também o filme), porque ler um dos posts me fez retomar uma coisa que me chamou a atenção no carnaval passado. Todos temos nossos demônios internos, exorcizá-los nem sempre é algo fácil, mas reconhecê-los é parte importante do processo. Algo que a Vanessa faz em seu blog, algo que o carnaval me fez fazer e algo que o filme traz, mesmo com toda a sua linearidade.

A gente faz muita besteira, a gente sofre por tanta coisa e tem medo de admitir o que nos causa desconforto. A gente tem medo por achar que muitas dessas coisas que nos machucam são ridículas demais para merecerem atenção. Que qualquer pessoa que soubesse desses nossos fantasmas simplesmente riria de nossa cara e nos veria como fracos.

Acontece que admitir fraquezas não chega a ser um problema, ou pelo menos não deveria ser. Que atire a primeira pedra aquele que nunca sofreu por algo que considere bobo. Fuja do texto aquele que nunca teve na vida a sensação de impotência diante de algo. Na verdade, o que importa mesmo é como a gente reage diante desses demônios que surgem em nossas vidas.

Eu tenho os meus. Tenho vários deles, alguns eu já consegui exorcizar, como o que exorcizei no carnaval indo ao cinema. Eu finalmente consegui me sentir livre. Talvez até nem chegue onde eu quero com esse sentimento livre. Ou pelo menos, talvez eu não alcance o que a sensação me faz desejar nesse momento. Mas só o fato de conseguir desejar algo com clareza e devoção já é uma grande vitória pessoal. Um imenso demônio que se afastou de mim. Me dando forças até para eliminar outros menores que se aproveitavam da força do exorcizado para também tirar o meu sono.

Talvez por isso eu ande com um ar meio bobo. Mesmo estando numa fase complicada. Cheio de problemas, eu ainda saio por ai sorrindo. Mesmo cansado pacas é possível ver um ar leve no meu rosto. A vontade de fazer as coisas darem certo de uma forma que eu nunca senti em minha vida. Me sinto capaz de encarar qualquer desafio e até grande parte das frustrações que até bem pouco tempo atrás me fariam travar e em alguns casos me fariam ter medo de arriscar qualquer ação que possibilitasse uma derrota.

Sinceramente hoje eu me sinto livre e forte. Hoje eu me sinto poderoso o suficiente para aguentar a dor da derrota e não cair. Hoje eu me sinto forte o suficiente para desejar e assumir que desejo. Para amar e assumir que amo e mesmo assim suportar a negativa. Suportar a perda e simplesmente erguer a cabeça e seguir adiante. Como se nada tivesse acontecido, com força suficiente para saber que eu posso sim sonhar e desejar e que posso conseguir o que quero, mesmo que demore. Eu posso sim ser forte em mais áreas. Eu posso ser mais do que alguém legal que trabalha pra caramba. Eu sou alguém que como todas as demais pessoas que existem por ai é ESPECIAL.

Tenho minhas limitações. As vezes me vejo obrigado a “vestir azul” e me lembrar de até onde eu posso ir. Acontece que aprendi que essas limitações são mais frágeis do que parecem. Na verdade elas acabam funcionando mais como dádivas do que como barreiras. Graças a elas eu posso fazer coisas que pouca gente faz. Graças a elas eu posso também (com alguma dificuldade) fazer o que todo mundo faz, mesmo que eu seja um pouco mais lento. No final, isso tudo me torna até mais “especial” aos olhos de muitos e agora aos meus olhos também.

Por ter exorcizado meu maior demônio como fez o Motoqueiro, por ter assumido realmente minhas limitações e também por ter visto toda a coragem da Vanessa no seu blog pra dizer tudo o que a incomoda, vamos todos ouvir os Stones falar dos demônios e rir na cara deles. Eles são todos frágeis e podem ser exorcizados, basta a gente acreditar. Aproveitem, a música é realmente boa.

Route 66 – Rolling Stones

Algumas coisas a gente só vê se tem coragem pra curtir o caminho

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Se estiver em Sampa, não perca!

Eu tenho escrito pouco aqui. Bem menos do que eu gostaria. Infelizmente o tempo está curto, as ideias confusas e as vezes pra não publicar nada ofensivo, vale a pena recolher a pena e nada escrever. Faz tempo também que não clico, e isso também precisa mudar. Porém, hoje tenho algo legal pra falar.

Recebi o convite que aparece logo abaixo do clipe no post de hoje. Uma amiga minha, Melina Resende, em parceria com outro grande fotógrafo, Ricardo Ferreira, Lançam na próxima quarta-feira seu livro Na Estrada – SP, na Livraria da Vila na Fradique Coutinho em Sampa, a partir das 18h30.

Ainda não tive acesso ao livre, apenas sei que ele traz imagens feitas por andanças da dupla em estradas paulistas, pelo calibre dos dois artistas a obra deve ser sensacional, estou louco pra que quarta-feira chegue logo pra que eu possa adquirir logo meu exemplar.

Aproveito o tema pra discutir outra coisa dentro do meu imaginário. E pelo destaque que esse tipo de coisa tem no cinema e até em outros livros, imagino que no pensamento de muitas outras pessoas. As viagens pelas estradas quase sem rumo, curtindo o caminho e as cenas que surgem. Semana passada mesmo vi um filme (bem água com açúcar, estava passando na TV e eu estava de saco cheio, me perdoem) que tinha algumas cenas meio nessa linha. O filme Tudo acontece em Elizabethown, onde o personagem faz uma viagem assim sem rumo.

Tem um livro, entretanto, que tem mais a minha cara. Recomendo Carlos Eduardo de Novaes pra que nunca leu nada dele. Seu humor é muito leve e divertido. Além do livro que usarei como referência aqui, recomendo o hilário Capitalismo para Principiantes (de 1983). Hoje é dia de falar do livro Travessia Americana (de 1984).

Nesse ele narra uma viagem realizada por ele e Paulo Perdigão pelos USA de carro costa a costa. O hilário relato da viagem, com as frustrações e alegrias de um turista percorrendo uma estrada desconhecida. No fundo tanto essa narrativa quando todas as outras, algumas sérias, outros água com açúcar, partem do mesmo ponto. O auto conhecimento, a viagem como referência para o nosso próprio conhecimento. A busca pelo saber quem somos atrás de um caminho qualquer.

Eu gosto dessa alegoria. Curto assistir aos Road movies e ler alguns livros que falam de viagens, poderia citar vários deles aqui, mas acho que vale a pena guardar esses livros para novas incursões pelo tema. Hoje é dia de falar apenas do que espero encontrar. Tem gente que curte a viagem como um todo, curte cada preparativo, se diverte com cada curva na estrada, até com o engarrafamento. Outros curtem apenas o chegar ao local, o destino é o que importa. Eu ainda não sei a que grupo pertenço. Eu me prendo sim aos detalhes da viagem, ao caminho, mas me importo com o que terá no final.

Numa conversa recente com amigos, justamente sobre esse tema, a gente chegou a uma posição maluca, quem é auto confiante e bem resolvido, acaba curtindo o caminho, cada cena faz uma imensa diferença em sua vida e os pequenos contratempos nunca são realmente levados a sério. Quem só se preocupa com o fim do caminho e foge dos contratempos demonstra a sua imensa insegurança.

Olha, eu confesso que de certa forma acredito sim nisso. Tem gente que vai fazer uma viagem e tem medo de perder o almoço no hotel, de perder um passeio que deveria ter sido agendado e até mesmo de que a água da cachoeira seja fria demais.  Ofereça a essas pessoas duas opções de jantar num Buffet, espere sentado…rs.

Sorte que tem gente de todos os tipos e com todas as gradações possíveis  entre os extremos. Eu imagino que o livro seja para todos. Aos que são fãs do inesperado, pra que possam ver cenas muito bem fotografadas do que costumam observar em seus caminhos por ai, aos que só curtem a chegada, ai vai uma chance de ver o que se perdeu em todos esses anos rodando pelas estradas paulistas, deve ter perdido a chance de ver muita coisa.