Sentimentos Vivos

https://open.spotify.com/playlist/164Zeq3XMUFkPD0nDQ1SEC?si=B3eyPVR1R-qSm7MZ6gCcPA

Anos atrás, numa daquelas conversas bobas de viagem. Em que, com os amigos você estava sentado numa praia deserta olhando o mar. Alguém soltou uma pergunta (infelizmente não posso mesmo dar o crédito, a memória anda falhando), daquelas que tem tudo para ser boba, mas que acaba tocando fundo e pela ausência de resposta fica martelando por um tempo enorme a nossa cabeça.

Eu mesmo, de tempos em tempos retorno para aquela perguntinha boba. Onde nos questionamos quais seriam os melhores defeitos e as piores qualidades que alguém pode ter. Partindo do pressuposto óbvio de que perfeição não existe e muito menos ausência de qualidade. De início parecia uma pergunta simples. Só que vejam só. Como definir melhor e pior? era necessário um parâmetro e no fundo cada um terá o seu. Definir bom ou ruim é tão vago quanto definir beleza. Se até existem alguns pontos quase universais, sabemos que todos esses pontos são subjetivos.

Tudo fica ainda mais maluco quando agora eu digo que a playlist recebida veio de alguém que nada tem de ligação com aquela conversa. Acontece que em diversos momentos a pessoa (e nesse caso a playlist) me fizeram pensar na pergunta, ou na verdade com uma pequena variação dela.

Como conviver num ambiente cheio de pessoas extremamente habilidosas, com as mais diversas características e sobreviver ao ego? Como manter a própria integridade e ainda assim obter destaque num ambiente moralmente poluído? Como não se anular?

É confuso, pois encontrar justiça num ambiente que não é justo em sua essência parece impossível. Num ambiente onde os louros valem mais do que as ações, sobreviver apenas fazendo as ações necessárias requer uma força tremenda. 

Se não entende o que estou dizendo. Pergunte a qualquer amigo ou conhecido que tenha pedido bolsa de iniciação científica tendo um orientador não muito popular no meio. Existe politicagem em todos os meios, principalmente naqueles onde não deveria. Existe vaidade em todas as instâncias, principalmente naquelas onde não faz o menor sentido. E no final sofrem com elas apenas quem foca apenas na ação e não no poder.

E enquanto escrevo isso, as músicas passam. Todas elas músicas que fizeram grande sucesso. Música popular, escutada por gente comum e que não tem vergonha de admitir isso. Músicas que podem que em determinada época podem ter sido chamadas de melosas. Mas sinceramente, o que é uma música melosa? Uma que explora ao máximo um sentimento a ponto dele ficar óbvio. Existe erro nisso? Existe erro em sentir? Mais do que isso, existe problema em sentir o que todo mundo sente? 

Esse é o truque para sobreviver. Não ter vergonha alguma de ser quem é, de expressar o que sente e pensa. Não existe bom defeito ou péssima qualidade. Existe o bom olhar para as nossas ações. Onde aceitamos não sermos os melhores e isso não nos faz falta. O sucesso do outro não incomoda e eu não preciso subir a qualquer custo. Sei o que posso fazer, como fazer e estou disposto a fazer dentro das minhas regras morais. Sem puxar o tapete de ninguém e nem vivendo exclusivamente para isso.

Parece tão simples, mas é ao mesmo tempo tão raro. Tão difícil ser bom em ser comum. Tão difícil ser bom em ser humano. Tão impossível estar em paz não só com as nossas qualidades, mas também com os nossos defeitos.

Se chegou até aqui. Pense nisso, não se prenda ao que você considera qualidade, olhe com mais carinho para o que é considerado defeito e lute contra isso. Esses são os sentimentos que você deve matar e não esconder embaixo do tapete.