Resposta – Skank

 

 

Ontem sai pra jantar. Chuva e frio na cidade de São Paulo. Chuva nos olhos de quem me acompanhou. Chovia ali como lá fora, de forma intermitente por uma dor que eu fui convidado a de certa forma tentar aplacar. Mas não é bem pra isso que servem os amigos. Amigos mesmo não te estendem um lenço pra recolher as lágrimas, mas te fazem entender o que aconteceu realmente de errado para que as besteiras não se repitam. Amigo não consola, amigo empurra a adaga mais pro fundo do peito. Assim toda a dor se esvai nas lágrimas e principalmente, aquilo que causa as lágrimas é dissecado pra nunca mais voltar.

E não fui só o amigo, também precisei a amizade. Uns tapas na cara de bom senso sempre fazem bem.  Nos fazem perceber que buscamos respostas malucas para problemas malucos que criamos. Quando não conseguimos sobreviver a nossa própria insensatez ou temos medo de admitir o que sonhamos. Medo de assumir as nossas falhas e principalmente os nossos desejos.

Dos meus olhos não brotaram lágrimas, eu as vi apenas através dos vidros, seja através dos vidros do meu carro, seja através da janela do restaurante, ou das lentes dos meus óculos enquanto eu caminhava pela rua numa conversa em que ambos procurávamos respostas.

E assim a noite acabou, começou a madrugada e voltei pra casa. No caminho eu queria mesmo ouvir a música que dá nome ao post. Fiquei e fico grande parte da minha vida procurando respostas, para mim e para outros. Na minha vida pessoal e no trabalho, eu acabo sempre procurando respostas. E quase sempre, as melhores respostas são simples como os versos dessa canção.

As boas respostas quando surgem nos fazem imaginar que são como rimas simples que sempre estiveram ali diante de nossos olhos, prontas para sair de nossas bocas, mas que por algum motivo fugiram de nossa mente e demoraram para retornar.  Não importa se as rimas são ricas ou pobres, o que importa é que as respostas nos bastam e nos soam como melodias agradáveis.

Eu que depois da conversa voltei a fazer poesia, coisa que a tempos não tinha coragem de escrever, pensei em todas as respostas que procuro. Na verdade pensei nas respostas que busco e nas respostas que ajudei a encontrar. E o mais divertido nessa história é perceber que nessas conversas em busca de algo, quase sempre a conversa acaba sendo com a gente mesmo. Por mais que a gente fale e ouça. Por mais que a gente espere uma resposta do outro. É sempre a gente que no meio de tanta coisa acaba encontrando uma resposta válida. Um caminho sem espinhos no meio de tantas armadilhas.

Foi fácil perceber isso ontem, quando os problemas de cada um eram opostos, quase como água e óleo. Mesmo assim a conversa fluiu, cada um falando o que pensava, falando sobre o que machucava e ouvindo as frases que vinham do outro lado. Frases cortantes, afiadas que pareciam arrancar gotas de sangue quando atigiam o alvo. Nela as frases arrancaram lágrimas, em mim não, provavelmente por orgulho, mas não consegui chorar, algo que até faço com constância.

Dessa vez não, eu até sorri. Talvez por perceber que em maior ou menor grau, o meu incômodo poderia ser similar ao de milhares de pessoas que estavam ali ao meu redor naquele restaurante em conversas aparentemente alegres, regadas a comida e bebida e interrompidas a cada vez que o garçom chegava. Infelizmente todo mundo tem algo que incomoda. Um calo que aperta sempre que se necessita colocar aquele sapato mais clássico que nos obrigam a usar vez ou outra.

O que difere é a forma como lidamos com esses calos. Eu tento agora levar de maneira mais leve os meus. Talvez por isso não tenha chorado. Ela ainda sente a dor com muita força, por isso eu vi suas lágrimas derramadas entre um e outro gole. E é assim com todo mundo. Cada um tem seu limiar de dor e cada dor e diferente. O importante é encontrar a cura em algum lugar e a algum tempo, principalmente porque diferente da medicina tradicional, nas dores do coração, a cura sempre já está dentro da gente. Só não podemos viver esperando respostas, temos que encontrá-las.  E mais do que isso, quando encontrar os versos que acalmem, não basta apenas uma leitura, mas sim transformá-los num mantra, até que cada rima faça mais do que sentido, faça parte do nosso comportamento.

É Uma Partida de Futebol – Skank

Tem gente que encara eleição como torcida… Será que o meu candidato chegará na frente?

Puxa, meu time ganhou, meu ultimo post até que fez um certo sucesso. O sorteio do livro continua a todo vapor (apesar de pouca gente já ter feito a inscrição, clique aqui e veja o regulamento). Podia falar de muita coisa boa hoje, mas tem algo que me incomoda muito atualmente.

A música fala de futebol, mas não é pra comemorar os 3 a 0 do meu time, nem o show de bola que aconteceu no Pacaembu nesse início de noite. O post de hoje é pra falar de torcida. Torcedores estes que no fundo agem sem pensar, é emoção pura e razão zero.

Nem estou falando de torcidas de futebol. Essas eu até que entendo serem totalmente movidas pela emoção. Eu torço pelo Corinthians e pra mim ele é o melhor time e pronto, não existe lógica alguma nisso, nem precisa ter. Acho impossível se explicar o que nos leva a torcer por um time, seja ela vencedora, com uma história rica e em alguns casos centenária (caso do meu Corinthians), seja um time pequeno da série D da Lituânia. Você torce para ele e pronto.

Mas ai chegamos a um ponto, torcer pra um time de futebol não altera a sua vida. Usar a camisa de uma equipe de vôlei também não. Eu diria que a não ser que você seja totalmente viciado no que torce, a sua vida segue normalmente independente dos resultados de sua equipe, talvez o humor varie um pouco, mas você segue adiante, aguenta as piadas e pronto. Até porque este tipo de torcida irracional só tem lugar e vez no campo da diversão.

Percebe-se logo que não é essa a torcida que me incomoda. Mas qual é? Me irrita aquele torcedor político. Aquele que surge a cada 2 anos em terras brasileiras e transforma uma eleição, que deveria ser algo sério numa final de campeonato. Esse mesmo torcedor, quando seu partido/candidato perde passa todos os anos do governo de seu opositor procurando falhas, escondendo os acertos e teimando em dizer a todo instante que o governante só faz besteiras, independente dos resultados.

Eu fico espantado ao perceber que em vários casos as decisões não são racionais, são fruto puramente da emoção. A campanha toda desses torcedores é feita da seguinte forma, o outro lado é pior, ele é péssimo, meu lado é menos pior do que o outro. Ai eu pergunto e as propostas? Não, elas nunca existem, pode reparar, aqueles grandes torcedores de partido nunca sabem o que o seu candidato ou partido prega, para eles o que importa é apenas dizer que o outro lado é péssimo.

Nos tempos de internet, isso parece que se tornou mais intenso. Uma rápida olhada no twiiter e diversos comentários aparecem. Tal candidato é bandido, tal candidata é boneca de seu antecessor, tal sistema de governo proposto é um lixo, todos os membros do partido x são ladrões. E por ai vai. É disso pra pior. A impressão que eu tenho é que com a proibição aos humoristas de brincar com os candidatos, os torcedores se tornaram mais agressivos nas ofensas a torcida oposta.

Dentro desse clube, talvez o que mais irritante seja o dos vira-cassacas. Eu hoje vejo gente que vestia a camisa de determinado partido e hoje veste de outro. Nem falo de partidos dissidentes, falo de digamos assim algo como deixar de ser corinthiano e passar a torcer para o palmeiras, algo impensando. Pois bem, nem tão impensado assim. E chego a dizer que se isso ocorresse dentro de escolhas racionais, seria mais do que válido, mas raramente é o que ocorre.

Dessas pessoas eu nunca ouvi algo do tipo mudei de opinião, acredito que essa forma de governar é mais interessante ou qualquer outra coisa parecida. Sempre as desculpas para a troca de lados se pautam no eu estava enganado, eles são todos bandidos, agora estou do lado dos mocinhos. Todos os que votam no outro lado são analfabetos políticos e ignorantes. Enfim, muita ofensa e pouca lógica, e isso de todos os lados.

E ouço isso de gente com bagagem, gente com estudo e que se diz interessada pelo tema. É incrível como todos vivemos atrás do mito do herói. A eterna luta bem contra o mal aparece até em situações onde a razão e a lógica deveriam se sobressair sobre a emoção. Não existem opções perfeitas, existem as opções e cada um deveria ter o direito e o dever de escolher a melhor possível dentro daquilo que acredita, mas pensando bem no que o faz acreditar que fez a melhor opção.

Só fica aqui um comentário, pense muito antes de votar, lembre-se que a urna não é privada e que o seu voto pode ajudar a colocar no comando do país (da cidade, no congresso, em qualquer cargo) um canalha que talvez faça você se irritar por um longo tempo, portanto, muito cuidado com sua escolha.

Em quem vou votar? Voto são secretos, mas já tenho meus candidatos.