Falling to Pieces – Faith no More

falling

Vejo muita gente comemorando a saída da presidente e entrada do vice como agora presidente oficial. Sinceramente não vejo motivo pra comemorar. Nunca me senti representado pela Dilma, aliás, me sentia mal representado em diversos aspectos. Mas confesso que nunca comemoraria uma queda.

Como comemorar uma falha?  O fato de um governo dar errado, significa que o país naquele momento falhou. A queda da presidente é mais para ser sentida do que ser louvada. Até porque o motivo da queda não é consenso nem entre quem estuda a fundo a legislação. Pra mim, ela só caiu porque não tem mais apoio no Congresso, é o nosso presidencialismo de fachada, onde o executivo leva a culpa, mas não faz nada sem o legislativo.

Ainda no quesito frustração, vale lembrar que essa história poderia ter ocorrido em governos anteriores. Lulla e FHC tiveram vários pedidos de impeachment (tão malucos quanto este) que não passaram apenas pela força destes no congresso. Ou seja, pau que dá em Chico bate também em Francisco. De novo a nossa sempre irresponsável oposição (independente de quem seja governo ou oposição) se preocupa mais em encher o saco do que realmente fazer algo produtivo.

Isso, entretanto não serve pra transformar a ex-presidente em mártir. Ela não é santa e nem deve ser beatificada. Caiu porque cometeu seus milhares de erros políticos. Caiu porque para chegar ao poder escolheu seus companheiros de campanha e achou que eles não precisavam ter voz ativa em seu governo. O PT não é culpado pelos erros desse governo. Os erros são culpa do PT, do PMDB, do PSD, do PR, do PROS e de todos os partidos da base aliada. Se era pra tirar, que saíssem todos (e nem vem com essa de Aécio, novas eleições por favor e de preferência com uma reforma política e partidária séria, para que tantos partidos?).

Você que comemora a queda, espero que não fique cego e ache que tudo está resolvido. Vale lembrar que o atual presidente era vice, fazia parte do antigo governo e mesmo que não fizesse. Ele tem que ser cobrado. Tem que responder pelos seus erros, afinal ele é ficha suja, não?

Aos que choraram pela ex-presidente. Respeito os sentimentos, mesmo achando que não é pra tanto. Mas ao invés de se sentirem perseguidos, vale cobrar o novo governo e parar de querer criar mitos. A inocência passa longe de toda a turma que estava envolvida nessa história, não vale a pena se iludir por político.

Pensando nisso, sobra uma última reflexão nesse fla x flu político. Gente, direita e esquerda não são denominações de certo e errado. Ninguém é bom ou ruim por ter uma visão ou outra. Acreditar que só existe um caminho é de uma limitação de raciocínio incrível. Vejo gente bem formada e aparentemente bem informada ofendendo ambos os lados de uma forma que eu nunca imaginei ver em meu país. Nunca imaginei, aliás, ver meu país tão dividido numa briga em que infelizmente parece que todos os lados estão errados e que no fundo ninguém sairá ganhando, apenas os políticos. O povo? Seja a direita ou a esquerda, aparentemente só está servindo de massa de manobra para essa turma que nos governa.

Não consigo pensar numa música melhor pro nosso país do que essa que eu coloquei, afinal realmente eu vejo tudo caindo aos pedaços. Minha dúvida é será que a gente vai conseguir reconstruir?

The Boy With A Thorn In His Side – The Smiths

 
http://youtu.be/DYp2LGKOF_M
 

Tem dias que a gente se sente tão vazio que nada parece ser capaz de nos trazer um sorriso ao rosto. Nada nos preenche. Por mais que muita coisa tenha até andado de forma positiva, o saldo parece no vermelho, parece que algo extremamente importante ficou para trás.

É assim que tenho me sentido em muitos dos meus últimos dias. Como se algo faltasse. Algo extremamente importante e necessário. Tenho visto os dias passarem muitas vezes com sabor de derrota e acordado com o amargo do fracasso na garganta sem ter necessariamente disputado as batalhas que realmente me incomodam. Na verdade me incomoda muito é o não saber a forma correta de entrar nessas pelejas. Fica sempre a sensação de que sou tão péssimo jogador que nem mereço entrar no campo de batalha.

Acontece que a gente sempre trava mais de uma disputa por vez. Somos desafiados em diversos aspectos da nossa existência e por infinitos competidores e motivos. Parece que existimos apenas para sermos confrontados. Existimos apenas para a cada minuto resolver uma nova questão um degrau mais difícil do que a anterior e em todos os aspectos da nossa vida.

Incomoda é quando a gente empaca. Incomoda é quando a gente percebe que por mais que diversos pontos de nossa vida caminhem a passos largos, um fica para trás e a gente perde horas e horas nele tentando primeiro entender o que fazer e depois batendo e batendo num enorme muro que teima em resistir aos nossos golpes.

Por sorte raramente tudo realmente dá errado de uma vez só. Por mais que as vezes os problemas parecem se multiplicar. Sempre tem um ponto onde a gente consegue se apegar e a partir dele damos alguns passos adiante. Isso nos dá um leve refresco e uma esperança de vitória. É o famoso aprender a curtir sempre as pequenas vitórias, vibrar mais com o caminho do que com o destino da viagem, afinal aquela bela estrada pode nos levar a uma estadia chuvosa numa praia baraulhenta e suja.

O problema é que chega um momento em que a gente não aguenta mais perder sempre o mesmo jogo. Não importando a forma como as peças são colocadas no tabuleiro, o resultado parece ser sempre o mesmo. É nesse momento que surge o homem atormentado. O homem que vê seus sonhos e desejos barrados por algo aparentemente frágil, porém, intransponível. Nesse momento as outras vitórias parecem perder sabor. A gente se fixa só naquilo que não consegue e fica procurando os motivos para tantas derrotas.

Incapacidade? Falta de compreensão das regras do jogo? Medo? Pode ser tanta coisa. Nessas horas a gente nem sabe direito para onde olhar e o que fazer. É o momento de pedir ajuda. E a gente pede. Eu pelo menos tento pedir. Só que geralmente o outro nem sabe como te ajudar nessas horas. Isso as vezes acontece. Seu problema é tão infantil que já foi derrotado pelo outro a tanto tempo que ele nem lembra mais que passou por aquilo. E ai você se sente arrasado e atormentado. Tentado a desistir de tudo o mais rápido possível. Só se mantendo na linha porque percebe que alguém precisa de você e você pode ajudar de alguma forma.

Porque tem vezes que nossas derrotas são tão intensas que só as vitórias dos outros podem nos trazer algum alento. Quem sabe a felicidade alheia não nos contagia. Quem sabe alguém consegue me ajudar, me dizer o que fazer ou me apontar algum caminho menos sinuoso, menos doloroso e possível de ser vencido.

A Day In The Life – The Beatles

 

 

Comprei uns livros de presente. Sempre faço isso, me faz um bem danado. Acontece que acabei furando a fila. Escolhi um dos despretenciosos livros que comprei e comecei a ler na sexta. Duro foi largar antes do final e dormir, dolorosa está sendo a despedida de suas últimas páginas.

Já falei mil vezes por aqui que sou fã de carteirinha do Nick Hornby. Não que ele seja um mestre da literatura mundial. Até acredito que ele escreve quase sempre o mesmo livro, que seus personagens apresentam quase sempre as mesmas crises, só mudando o pano de fundo dos enredos e um ou outro ponto na história. Mesmo assim, fui atrás dos outros livros dele que não conhecia ainda. Comprei vários e furei minha fila com o delicioso Juliet, Nua e Crua.

Texto despretensioso. Não falarei muito aqui da história, mas sim de um aspecto no livro que me chamou muito a atenção e apresenta uma ligação direta com meus dois últimos textos. Ainda um período de dor e melancolia, ainda um período de tristeza, mas sempre um período de reflexão.

Eu disse no último texto que me preocupo com o tipo de exemplo que eu acabo passando, que me preocupo em passar as coisas certas, não as minhas esquisitices. Justamente depois de escrever isso eu abro um livro que fala o tempo todo de idolatria, tanto do ponto de vista do fã quanto do ponto de vista do ídolo. Aliás, algo que ocorre com todo mundo o tempo todo, se num momento você segue alguém, no segundo seguinte pode ser o modelo de outra pessoa.

É engraçado como a gente acaba julgando as pessoas de acordo com a nossa moral. Nossos ídolos não escapam disso. A gente muitas vezes tenta simplesmente encontrar motivos dentro daquele pequeno mundo mental que possuímos que possam explicar cada uma das ações dessas pessoas. O pior é que algumas vezes não encontramos as ações e as criamos a partir de uma lógica torpe que só a gente entende.

Preconceitos e imagens prontas povoam o universo. A gente nunca aceita as mudanças. Só nós podemos ter mais de uma opção. Todo o resto do mundo deve ficar parado de acordo com o nosso julgamento e as suas ações acabam sendo certas ou erradas mediadas apenas pelo nosso olhar. É estranho imaginar o quanto nós conseguimos ser mesquinhos sem se dar conta disso. O universo não gira ao redor do nosso umbigo. Somos pouco mais que pó e mesmo assim nos achamos quase sempre a última bolacha do pacote.

O livro não fala tanto assim dessa forma humana de ver o mundo. Na verdade essa foi apenas a leitura que eu fiz a partir da história principal. Entretanto, algo que está ali, com todas as letras e cores é o fato de que quase sempre esperamos do outro um motivo nobre ou pelo menos intrincado para cada ação que a nossos olhos parece estranha ou especial. Mesmo que nas nossas próprias vidas, na grande maioria das vezes, esses fatos acabam sendo meramente frutos do acaso ou de decisões extremamente simples.

Se a gente pedisse pra cada um descrever um dia especial, provavelmente esse dia seria extremamente simples. Talvez com um grande amor num dos momentos, com uma grande conquista, com a realização de algum sonho. Mas no fundo seria um dia comum. Você acorda, levanta, se arruma e segue adiante na vida.

Todo mundo faz isso todos os dias. Se tem gente que consegue fazer desse dia comum um dia especial, parabéns a essas pessoas. Elas provavelmente se prenderam a tudo aquilo que é mais simples. Se você como eu não consegue ter muitos desses dias. Talvez seja hora de perceber que não é a falta de momentos que causa isso, mas sim a falta de sensações associadas a esses momentos.

Aquela música que eu posso achar ter sido uma inspiração superior e algo especial para um cantor, na verdade pode ter sido apenas um monte de versos que o autor achou bobo, acordes que ele simplesmente juntou rapidamente e que na verdade faz mais sentido pra você do que pra ele. Porque ele pode apenas ter feito, ter criado, mas é você quem sente. Assim, não espere do outro a mesma emoção que você sente. Ele pode, como eu, ter mais dificuldades em perceber as coisas que são mais simples. Pode não conseguir valorar a beleza de um dia normal na vida.

Good & Bad – Povo

 

 

Todo mundo tem dias bons e ruins. Todo mundo vê seu humor variar conforme as horas passam e nem por isso pode ser chamado de bipolar. Todo mundo vive fases perfeitas e fases tristes. Períodos que duram bem mais que as horas de um dia, muitas vezes duram mais que os meses de um ano. Tudo depende da forma como valoramos pequenas coisas do nosso cotidiano. Muitas vezes deixar um copo cair no chão pode estragar nossa semana e bater o carro pode apenas servir de motivo pra que no maior bom humor do mundo você passe a preferir andar de ônibus.

Isso pode parecer maluco, mas no fundo é o que realmente ocorre. Cada um lida de uma forma diferente com as suas vitórias e suas derrotas. Cada um sente de maneira diferente cada frustração e pior que isso. Cada momento da nossa vida traz consigo uma carga emocional própria que faz com que a gente enxergue o que se passa conosco de uma forma ou de outra.

Alguns são normalmente mais alegres, outros normalmente mais tristes. Eu infelizmente faço parte do segundo grupo. Daqueles que demoram mais pra comemorar as vitórias e que acabam irritados demais com as derrotas. Diga-se de passagem, vitórias e derrotas que todo mundo tem o tempo todo. Aqui não falo ou penso em nada absurdo.

Tenho meus objetivos meio fechados as vezes. Não sou muito de comemorar pequenas vitórias no caminho. Eu me prendo ao que realmente quero e busco isso. As vezes até pareço garoto mimado, mas garanto que não sou. Não sou assim tão inflexível, muito menos sou daqueles que costuma ter desejos impossíveis ou excessivos. Só ando numa fase em que parte dos desejos não se supre, e isso me incomoda. Isso me deixa até certo ponto vazio, porque eu sinto falta de coisas extremamente básicas para qualquer pessoa.

Claro que tenho meus momentos de conforto. Seria muito imbecil de não lembrar disso. Seria muita ingratidão e mentira deslavada dizer que não fiquei feliz com os cumprimentos de feliz aniversário. Principalmente os pastéis que vieram dos meus alunos. Sim, eles vieram pra aula trazendo pastéis e cantando parabéns, com certeza foi o melhor presente que eu poderia ter ganho em meu aniversário. Não só dos que trouxeram os pastéis, mas dos demais do grupo que entraram na brincadeira e a seu modo demonstraram todo o seu carinho.

Ok, as lágrimas não vieram, mas eu sinceramente me emocionei, os 3 pastéis que forçosamente comi (tá não tão forçosamente assim), serviram pra me fazer pensar em meu papel. E mais uma vez acentuaram essa dualidade alegria tristeza que permeia sempre o meu pensamento. Feliz pelo carinho demonstrado. Percebi que de certa forma eu faço diferença para eles, sou de alguma forma importante.

Por outro lado, veio junto a preocupação. Que tipo de exemplo eu sou? Que tipo de importância eu realmente tenho para eles? Será que eles se espelham justo nos meus defeitos? Será que algum deles pode achar que esse olhar triste que eu tenho do mundo é a melhor opção? Espero que não. Aliás, espero que eles se espelhem justamente naquilo que mais me demonstram. Espero que procurem buscar como exemplo a própria alegria que deixam escapar quando estão juntos, quando recebem novos amigos e os recebem de braços abertos, fazendo os novos parecerem antigos e o grupo todo ter ar de uma grande família, onde se ri, se chora, mas principalmente se cuida muito um do outro.

Podem pensar em como alguém que convive com essa gente pode se sentir vazio. Podem imaginar que eu reclamo de barriga cheia. De certa forma eu admito que realmente tenho muito. Ótimos amigos, ótimos alunos, ótimos leitores. Gente que me dá vontade de sempre tentar ser alguém melhor e de tentar produzir mais.

Acontece que muitas vezes o que me falta é o pessoal. Falta-me não o prazer em fazer pelo outro. Isso eu tenho e isso me motiva, afinal sou cercado por gente maravilhosa. Entretanto, eu sinto falta é do fazer por mim. De algumas conquistas meramente pessoais, coisas simples que todo mundo faz e que eu por motivos diversos acabo tendo uma dificuldade tremenda em conseguir fazer.

E isso que me faz muitas vezes parecer assim tão triste. Mas eu reitero que reconheço as coisas boas que acontecem comigo e com quem está ao meu redor. Tento apenas ser uma pessoa boa e acertar mais do que errar. Porque eu sei que sempre vão existir coisas boas e más acontecendo com todo mundo. E a graça toda do jogo da vida é equilibrar essas ações de tal forma que o alegre e o triste acabem formando uma doce melodia que serve de trilha sonora para a existência de cada um. Onde os acordes tristes e alegres se entrelaçam de um jeito altamente pessoal e cheio de improvisos, como se imagina uma boa banda de jazz. Por isso você lê o posto ao som de Povo, por isso vc lê o post ouvindo Good & Bad.

Todo se Transforma – Jorge Drexler

 

 

Ainda com sono nesse dia que foi morno. Dormi quase o dia todo e sem ânimo pra muita coisa. A roupa que tinha que lavar ficou para amanhã, assim como dar uma geral na casa e torná-la realmente habitável. Preciso resolver logo esse problema de falta de ânimo. Detesto andar assim no automático, sendo levado pelo vento e pelas ondas, sem ser realmente o senhor de minhas ações.

O cansaço que sinto é muito mais fuga do que excesso de atividades. As vezes tenho a sensação de que pequenas e simples atitudes resolveriam tudo, pena que que não consigo saber que atitudes devem ser essas. Sei que devo mudar esse estado de inércia para quem sabe voltar a sorrir e produzir. Só preciso encontrar o que me faz falta.

Muitas vezes penso que o que me faz falta é justamente ter perdido o ânimo com o simples. Ter perdido o gosto pelas pequenas coisas que realmente fazem tudo valer a pena. Falta aquele combustível que eu não sei onde acabou e que agora não sei mais onde encontrar.

Até por isso, tentei escolher para hoje uma música mais animadinha. Tentando de certa forma trazer um pouco de alegria a esse meu aniversário amanhã dia 26. Gosto muito de Jorge Drexler, acho que em espanhol ele e a Julieta Venegas são os artistas que eu mais gosto. E essa música em questão traz alguns elementos que eu preciso voltar a acreditar.

Eu sei que muitas vezes coisas aparentemente sem ligação alguma acabam mostrando-se mais próximas do que a gente pode imaginar. Tudo de uma forma de outra acaba encadeado. E nem pensem que vejo isso como algo místico ou misterioso. Apenas percebo que as nossas ações refletem nas ações de outros que refletem nas ações de outros e que em algum momento da história podem refletir na gente de novo.

Talvez esse seja o principal motivo de eu tentar ser uma pessoa boa. De eu tentar levar uma vida correta. Claro que tem muito da educação que recebi dos meus pais e do desejo interno de viver num lugar melhor, num planeta mais justo e belo do que este em que resido.

Acontece que eu me sinto um pouco cansado de ser sempre assim digamos tão bonzinho. Sei que é o correto, mas o andar na linha parece não me trazer os resultados que eu esperava. E nem pense que eu imagino que por ser uma boa pessoa nada de ruim vai acontecer ou que todos os meus sonhos seriam realizados num piscar de olhos. Seria estupidez pensar dessa forma e nem é essa a minha linha de pensamento. Eu só queria mesmo é um pouco mais de equilíbrio e de sonho. Talvez um pouco mais de alegria.

Só um pouco mais de combustível. Assim quem sabe eu consigo sorrir mais e ter mais cuidado. Formar mais gente que se preocupe com o próximo. Gente que mudará esse mundo e que quando eu estiver já velho e realmente cansado possa ter o que meus avós não possuem hoje do mundo. Eu preciso ter forças para continuar tentando. Preciso continuar acreditando que vale a pena todo o esforço. Eu sei que preciso e tento, mas confesso que tem hora que o cansaço toma conta e isso me irrita. Ficar o dia todo deitado no sofá esperando a hora passar, fugindo até da fome porque não sou obrigado a levantar é sinal de perigo.

O cansaço não é físico nem mental. Sinto um cansaço emocional, regado a muita tristeza, vazio e solidão. Por isso eu quero crer que existem outras formas de ver esse mundo. Por isso eu quero acreditar que como canta Jorge Drexler cada um dá o que recebe e recebe o que dá. Quero acreditar pra poder continuar dando o meu melhor e esperando receber ao menos um pouco disso de volta para continuar fazendo mais.

A Century of Fakers – Belle and Sebastian

 

 

Nos preocupamos com tanta coisa inútil. Criamos regras, jogos, livros de etiqueta que no fundo só servem pra evitar que a gente realmente possa ser feliz. A quantidade de vezes que nós próprios boicotamos o nosso prazer chega a ser absurda. Parece que é proibido ser feliz. Só é feliz quem se aliena do mundo e não liga para o que acontece ao seu redor.

Eu já ouvi muito isso. E confesso que vivi isso ontem. Numa conversa com uma amiga que não estava bem. Sofrendo por problemas pessoais, histórias mais resolvidas ou resolvidas de uma maneira não muito agradável para ela. Ouvi-la me fez pensar. Ouvi-la me fez na verdade repensar uma série de coisas que eu tenho visto, lido e ouvido. Cheguei em casa tarde e fui tentar dormir. Não consegui. Liguei a TV e também nem ela fez o sonho chegar. Paciência, o jeito é trabalhar, um monte de coisas pra fazer mesmo. E assim foi.

Enquanto eu procurava informações sobre estrelas e planetas minha cabeça estava longe. Pensando em tudo o que eu tinha ouvido. As informações brigando em minha cabeça, querendo sair e eu sem saber por onde começar. Aguardei um pouco mais e tratei de fazer o que tinha que ser feito. Primeiro o trabalho, depois a diversão aqui do blog. Assim tive tempo para entender o que me incomodou nessa história toda. Tive tempo pra perceber de onde vinha tanta dor nessa amiga que me pediu o ombro ontem.

O problema dela não era a meu ver a situação vivida em si. Mas algo muito maior e poderoso. Algo que de certa forma acaba por tomar conta de todos e a gente nem percebe. O problema é que a gente finge o tempo todo para viver. E finge para a gente mesmo.

Fingimos não ter preconceito, mas temos. Fingimos não ter medo, mas temos. Fingimos não amar, mas estamos apaixonados. Fingimos tanto que a gente até acredita que realmente é aquilo que finge ser, mas no fundo, infelizmente somos a mesma pessoa cheia de falhas e defeitos imensos que acreditamos não ser.

Fingimos que regras de etiqueta tem algum valor. Fingimos que faz alguma diferença ter um título. Fingimos que somos mais ou menos de acordo com algum status falseado apresentado pela sociedade. Fingimos, apenas fingimos. Vivemos sempre com máscaras no rosto, mas não para esconder o que somos e sim para evitar que a gente tenha uma visão real do que está fora da máscara. Mais que uma máscara, temos uma lente na frente do rosto que falseia o mundo ao nosso redor e nos engana porque de uma maneira ou de outra queremos realmente ser enganados.

Nem sempre o que nos engana é uma falsa prisão. Existem por ai diversas máscaras de falsa e pretensa liberdade que não temos. É o achar que se pode fazer tudo. É o acreditar que se é realmente importante para o mundo. É se dar um valor maior do que o merecido, achando que o mundo gira ao seu redor.

Aliás, de certa forma acredito que ninguém realmente conheça o mundo como ele é. A gente vê aquilo que quer ver. E todo mundo age como quer, iludido pela visão turva que tem do mundo. Dessa forma, o mundo é criado também de forma falsa. Até por isso escolhi a música. Belle and Sebastian foi uma banda criada de um jeito até certo ponto falso, com várias lendas sobre o nascimento da banda. A música fala de um mundo formado por falsificações humanas. De certa forma me lembrou Matrix, onde nada é o que parece ser.

Você tem alguma cena que imagina falsa nesse mundo? Algo que façam e que você vê como falsidade de quem faz? Você tem alguma história de auto ilusão pra contar? Deixe seu comentário.

Fanfare For The Common Man – Emerson, Lake & Palmer

é preciso se ver livre dos falsos amigos

Todos temos nossos dias melancólicos. Algumas fases em que a gente fica pensativo demais e para de ver as cores do mundo. Tudo fica em branco e preto, com alguma sorte fica cinza acontecem com todo mundo. Em alguns com mais ênfase do que outros.

Eu estou numa fase pensativa. Relacionar com datas como o meu aniversário na sexta passada é reduzir demais aquilo que eu estou pensando e sentindo. Estou mesmo saturado das limitações. Cansado dos extremos. Quero sim uma vida mais equilibrada. Uma vida comum, se é que isso existe. Afinal, todo mundo tem um ponto onde seu calo realmente aperta e trocar o sapato apertado nem sempre é a coisa mais simples a se fazer.

Li a pouco um texto sobre os problemas de Blaise Pascal, a forma como ele foi tratado de seus problemas de estômago. Li num blog de uma amiga querida, não sei se posso citar aqui a fonte, se ela ler esse post e permitir eu faço a edição. Hoje também foi um dia em que eu resolve escutar algumas músicas velhas, entre elas uma do Emerson, Lake & Palmer que eu adoro, chamada Fanfare for the Common Man (clique para ouvir uma versão), rock progressivo da mais alta qualidade. Além disso, ainda fazendo uns textos para um trabalho fui dar uma fuçada na minha estante de DVDs pra tirar algumas ideias. Meus olhos pararam num filme, Rain Man, e comecei a chorar.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma ligação forte com esse filme, por alguns motivos bastante pessoais. É engraçado que eu adoro a história, adoro muito. É um dos filmes que mais gosto, mas nunca tive a coragem de citar. Talvez por ser um filme que tem um quê extremamente pessoal. Eu em vários momentos me vejo no personagem vivido por Dustin Hofman.

Pra quem não viu o filme, Tom Cruise, por diversos motivos, acaba sendo obrigado a tomar conta do irmão autista (Dustin Hofman). No caso o autismo é bastante claro e intenso. Percebem-se todos os sintomas clássicos do comportamento. Manias, fobia social, fechamento num mundo particular e por ai vai. Para quem desconhece o tema, existem diversos graus de comportamento autista, do mais leve, onde a pessoa é basicamente apenas alguém meio estranha, até o mais pesado, onde existe uma quase impossibilidade de socialização.

Mas voltando ao tema. Tom Cruise passa a fazer uso do irmão, das habilidades que ele demonstra (apesar da dificuldade de se relacionar com o mundo). Se aproximando dele basicamente por necessidade. Com o tempo é que as coisas mudam e ele passa a demonstrar preocupação e carinho pelo personagem de Dustin Hofman. Nessa linha surgem dois temas para serem ditos, duas coisas que de certa forma me incomodam muito.

O fato de algumas pessoas se aproximarem só quando precisam. Perceber que isso é apenas por necessidade do outro e não sua. Não existe nada em troca, tudo é falso. Você sabe fazer algumas coisas bem e alguém que sabe disso e precisa dessas suas habilidades solicita seu auxílio. Nada de mal nisso, porém, o ideal seria a troca. Seria estar disponível para o outro lado. Seria entender que aquela pessoa que está te ajudando também precisa de ajuda muitas vezes.

Falo isso porque tenho me sentido bastante usado nesses últimos tempos. Solicitado pra coisas diversas, problemas leves ou nem tanto, em geral coisas que até consigo resolver. Em é o problema ajudar, mas poxa, será que não existe mais espaço pra um muito obrigado? Pra qualquer demonstração de que a pessoa que faz o favor também importa e não só a ação?

Ampliando bem o olhar, fica claro de que isso não ocorre só comigo, mas também ocorre com muita gente. O número de pessoas que encontro por ai e só tem olhos pro próprio espelho é imenso. Gente que acredita que o mundo gira ao redor do próprio umbigo e que todos os demais estão no mundo para servir seus caprichos, servir com um enorme sorriso pois deve ser uma honra servir pessoa tão importante.

Cansei desse tipo de convivência. Até entendo ser subserviente mas é engraçado ser visto como alguém que só serve para resolver problemas. Cortei muita gente da minha lista de contatos ultimamente por agirem comigo dessa forma. Pretendo continuar excluindo quem assim agir comigo. Aliás, acho que todo mundo deveria fazer isso. E aqueles que acham que são mais importantes do que os outros, bom, esses que cresçam e encarem o descaso como uma lição.

Post meio nada a ver, eu sei, mas é como eu estou me sentindo, o próximo falará do outro aspecto que me toca no filme Rain Man. Tem algum filme que te toca a ponto de você nunca esquecê-lo?