Book of Days – Enya

O post de hoje nasceu de uma brincadeiras dessas que surge vez ou outra no facebook. Montar uma lista com os meus autores prediletos, ou melhor os que mais me influenciaram. Foi duro fazer a lista, mas nem é esse o caso. O primeiro foi o mais fácil. Posso até vez ou outra esquecer do nome do Nick Hornby, mas se esqueço do nome, não esqueço dos livros. O autor realmente fala comigo de forma quase terapêutica (ele não compete com minha psicóloga, mas tem seu espaço…rs).

Um livro em especial tem muito a ver com este blog. É ele que inspirou o formato. Tem uma obra chamada 31 canções em que o Hornby fala das 31 músicas mais importantes pra ele, não importa a qualidade das músicas e sim que ele gosta delas. Em geral canções pop e rock inglesas. Textos sem nenhuma pretensão de teoria musical. Textos de um fã das músicas para fãs do autor. Eu planejo escrever um livro assim, não com a genialidade do Hornby, ou com todo o seu público, mas de certa forma quero sim contar ao mundo minha trilha sonora e fazer pequenas discussões sobre ela. E nesse modo de pensar, o blog segue como um teste para o livro.

A música de hoje fala um pouco disso. Ao ouvir a Enya cantando eu sinto como se a cada verso os acontecimentos diários fossem todos escritos num grande livro que guarda toda a história. Tudo, é claro, sob o ponto de vista de quem detém o poder sobre aquele livro. Como se cada um de nós tivesse um livro próprio que só chegará ao fim com a nossa morte. E ai ao pensar na brincadeira e ouvir essa música, confesso que fiquei pensando em como seria o meu livro dos dias. O que será que estaria escrito nele?

Tenho que admitir que a maioria das páginas viria acompanhada de uma série de acontecimentos cotidianos extremamente chatos e sem muita ação. Provavelmente pouca coisa fugiria do levantou, saiu para o trabalho, voltou ligou a tevê e o computador, adormeceu e esperou o despertador tocar novamente. Nos poucos dias livres muda um pouco para adormeceu sem ter hora pra acordar. Quando abriu os olhos o sol já alto entrava pela janela, ligou a tevê e o computador até a hora de dormir. Teve medo de viver. Talvez essa seja a melhor reflexão.

Garanto que se em algum momento no lugar das ações, meus pensamentos fossem escritos, a história seria bem mais divertida. Se no campo das ideias eu consigo assumir meus medos e meus erros. Falta um pouco ainda pra passar para a ação, falta aquele empurrãozinho final. Preciso fazer isso o mais rápido possível para que no final meu livro tenha algo mais do que obviedades.

Porque mais importante do que belas palavras numa folha de papel seriam belas histórias gravadas nesse livro dos dias. E elas não existem em parte por fragilidade minha. Pena que mudar nunca é tão fácil quanto parece, mas um dia eu aprendo.

Bohemian Rhapsody – Muppets

 

 

Não ia postar texto novo hoje, cheguei agora, cansado do trabalho. Mas tem datas que merecem ser lembradas e pessoas que merecem sempre serem reverenciadas. Não que eu tivesse isso anotado na agenda ou uma memória extraordinária. Na verdade como data marcante para hoje, eu só lembrava do início da primavera, coisa que até citei aos meus alunos ontem e que serviu de base para o post do dia da árvore no blog do meu novo projeto.

Acontece que cheguei em casa e fui pegar o material do curso em que sou aluno amanhã (as aulas de Astronomia aos sábados de manhã realmente estão divertidas, nem reclamo de ter que acordar cedo todos os sábados). Enquanto fuçava no computador, bateu a vontade de ouvir uma música, não lembrando do nome o que a gente faz? Apela ao Google como qualquer um na modernidade. Ai ao abrir o site me deparei com o doodle em homenagem ao Jim Henson (se alguém aqui achar que tem algo a ver com a banda Hanson eu mato…rs).

Pra quem não sabe, Jim Henson foi o criador dos Muppets, bonecos que eu adorava ver quando criança na TV, infelizmente perdi o Vila Sésamo, ele foi anterior a minha infância, mas de vez em quando, alguém mais velho que eu comenta com lágrimas nos olhos como foi assistir as peripécias do Garibaldo na TV durante a infância. Eu perdi essa, mas não perdi Caco, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo e outros.

Personagens que construíram uma parte do meu imaginário infantil. Personagens que me fizeram rir, chorar, ter medo, ter pavor e principalmente me divertir muito. Não vou entrar na onda de falar que eles eram melhores do que o que se tem hoje pras crianças. Sou dos que acredita que em muitos casos é impossível a comparação entre períodos tão distantes, cada geração tem seus mitos, seus heróis e seus vilões. Cada geração constrói a sua moral. E se eu acreditar que o que tem hoje é pior do que tinha no passado, devo aceitar a culpa por isso, afinal é a minha geração que hoje produz o que as crianças consomem.

Mas nem é disso que eu quero falar. Quero falar é dos devaneios infantis e adolescentes que vivi vendo os Muppets. De como me diverti tentando entender porque a Miss Piggy era tão canastrona e apaixonada pelo Caco, vez ou outra tentei rir de uma das piadas sem graça do Fozzie e sempre tentei entender afinal o que era o Gonzo. Escrever isso aqui tem mesmo um certo ar saudosista. Confesso que meus olhos marejaram quando me lembrei não só do que vi, mas das situações em que vivi quando tinha idade para ver o programa. O brincar na rua, o correr a vontade, o empinar papagaio e e ver TV nos dias frios sentado no sofá embrulhado num cobertor comendo bolinhos de chuva e tomando chá feitos pela minha mãe, invariavelmente com minha irmã do lado.

Isso me faz pensar em como o tempo passou e em como eu já fiz muita coisa, só não posso esquecer disso nunca. Não posso apagar o passado ou me prender apenas ao que não deu certo. Até porque a maioria das coisas sempre dá muito certo pra maioria das pessoas, é a gente que muitas vezes por causa de algum pequeno contratempo se prende somente às histórias ruins. Elas parece que grudam na memória de um jeito que não pode ser retirado. É preciso lembrar de coisa boa.

Por isso hoje nem falo muito da música que escolhi, ela está aqui só pra ilustrar o post e porque é um dos números mais divertidos que já vi com os Muppets,  a versão da música do Queen é sensacional. Até acho que só vi esse vídeo recentemente e não na minha infância, mas sinceramente pouco importa. Ele me trouxe boas lembranças de um tempo bom. E principalmente me fez acreditar, que os pequenos contratempos da vida servem só pra mascarar os ótimos momentos que vivemos diariamente. Nós nos prendemos nas coisas erradas, deveríamos curtir mais cada momento e até mesmo dar risada das piadas sem graça do bondoso Fozzie, amar com o fervor e a dedicação da Miss Piggy e ser sempre simpático e carinho como o Caco.

Você tem alguma lembrança assim de sua infância que te dá forças pra ver o dia melhor? Quer contar pra gente? Lembre-se, o espaço também é seu.